quarta-feira, 25 de junho de 2014

Essência feminina

Ah, mulher...
Estratificando sua mente e alma
Encontra-se grandeza.
Reviravoltas hormonais.
Teu interior vulcânico,
Complexo processo rico e doloroso.
Todo o corpo é decadente e passageiro.
O que não a impede de ser vaidosa.
De ser criativa e inteligente.
No consciente: uma constelação inerente.
No inconsciente: mel e fel.
É nos teus sonhos que virá a cura.
Tuas janelas d'alma são preocupação e sedução.
Feliz e intensa serás, se não se deixar levar
Por preconceituosas óticas que paralisam.
E Deus recolherá tuas lágrimas,
Recompensada serás na hora certa.
Pois, a costela de Adão era feita de cálcio,
Mas, também de ligações de açúcares,
Cloreto de sódio e essência feminina.
Gerou-se então, o botão da flor sanguínea
Mulher, mãe, adolescente, idosa ou menina.
Cópia de Querubins e Serafins.
Suavidade e vida que cria vida.
Conforto doce cuja contemplação vicia...
Suas pernas, mesmo cansadas: são colunas.
Seus braços, seu colo quente e seu corpo:
São irresistíveis fontes de prazer para a criança.
Seja essa criança da idade que for...

Elisa Gasparini

terça-feira, 24 de junho de 2014

Rosas - Ana Carolina


Toda mulher gosta de rosas.....


Fica a dica!


Esperar...



Esperar é viver de sonhos.

É acreditar em um futuro incerto.

É apostar no tempo.

É dormir e acordar sentindo o toque do teu corpo,

sem nunca ter te tocado.

Esperar machuca, mas quando a gente vive, acredita, aposta e sente...

Vale a pena esperar... quero você, e  vou continuar te esperando.

 (Autor Desconhecido)

Raridade - Anderson Freire.



Chorei quando uma pessoa olhou dentro dos meus olhos, tirou o celular do bolso e me disse:
Só lembro de você quando escuto essa música....
Pai, não deixa o mal, a dor me tirar do caminho que escolhi e venho trilhando a 46 anos... Eu quero e vou ser tua filha... independente do mundo tentar me convencer o contrário...

Rosa Soares

O que é a verdade?


Nós, seres humanos, somos estranhos.
Construímos nossas leis, sociedades, códigos, religiões, política, estabelecemos regras, tentamos nos adequar, nos respeitar enquanto nossos interesses se mantenham resguardados. Somos moralistas, legalistas, éticos, sim senhor, afinal, fazemos tudo certo, tudo de acordo com as regras, conforme manda o figurino e podemos comprovar com nosso número de CPF imaculado ou alguma certidão que testifique nossa idoneidade, o quanto somos de fato honestos e verdadeiros. Está tudo sob controle, tudo no seu devido lugar, portanto, por favor, não embaralhe as coisas. – pedimos quase amedrontados.
Pensar sobre a verdade pode ser perigoso. Se resolvermos ir além da superfície, se decidirmos mergulhar a cabeça e tentar enxergar só um pouco mais, perceberemos quão frágeis são nossos conceitos de verdade especialmente porque ninguém sabe de fato o que ela é. Dá medo relativizar absolutos e assumir que tudo o que temos é quase nada, e o que pensamos saber, muito pouco.
É quando nos flagramos com nossas caixinhas nas mãos, aquelas que antes acreditávamos serem suficientes para guardar o que não cabe, controlar o incontrolável, domesticar o essencialmente selvagem e tudo o que resta é assumir que minhas leis, minhas regras, minhas verdades são apenas periféricas, importante para que uma sociedade viva civilizadamente, mas nada além disso.
Se não controlo a verdade e tampouco posso explicá-la, resta apenas reconhece-la, identificando fragmentos de verdade até onde nunca imaginei. Quando me desapego do sentimento de posse, quando reconheço que quase não sei, me abro e começo a entender que verdade não se explica, não se encaixa, não cabe em palavras ou no vocabulário mais erudito. Verdade se experimenta, se vive, se aplica no olhar de quem não se atreve em julgar, não se apressa em condenar, não se coloca em nenhuma posição de juiz de ninguém, apenas porque reconheceu que, em se tratando da verdade, somos leigos, eternos aprendizes.

Flavio Siqueira

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Llorando - Crying - Rebekah del Rio


As Coisas



Vamos falar sobre você? Você quem? Saramago dizia que dentro da gente há uma “coisa” e essa “coisa” somos nós. Você é essa “coisa”. Não é o corpo, não é o rosto, não é a voz. Você não é aquele que os amigos reconhecem, tampouco o filho abraçado pelos pais. Você também não é o pai, nem a mãe.
Que tipo de “coisa” anima os corpos, esquenta a pele, põe brilho nos olhos, sorri, chora, pensa, sente, enxerga, cheira, sonha, mente, vive tentando preencher-se sem saber direito do que, se vincula, se aproxima, se apaixona, envelhece e um dia vai embora? Embora para onde?
Há pele, camada de gordura, carne, órgãos, ossos, universo biológico que trabalha como uma máquina, sem que nada sinalize nenhum movimento perceptível a olho nu, nem em radiografias, ou tomografias, ninguém sabe aonde fica, mas, como negar que há uma “coisa” dentro da gente?
Quem anima o corpo da senhorinha do café? Aquele corpo adiante que um dia apodrecerá se manifesta lindamente, como uma flor que um dia vai murchar, como os pássaros que voam tão alto até que o fôlego da vida seja sugado, aquele corpo, aquela senhora, aquele menino, aquele homem, aquela mulher, o mendigo, o soldado, o amigo, o chefe, o fiscal do imposto de renda e o vizinho, aqueles corpos, aquelas “coisas”, vivendo em um fragmento do tempo, experimentando a possibilidade de ser humano.
Nós, coisas, um dia deixaremos de ser. Nós, coisas, um dia voltaremos a ser. Coisas que nem sabem direito o que são, mas de alguma maneira se vinculam espantosamente, como se compartilhassem em si mesmo todas as coisas, todas as histórias, o mundo inteiro que cabe em algum lugar dentro da gente.
Nas coisas não há tempo, nem espaço, nem separação. As coisas são e estão dentro desses corpos, em algum lugar, manifestando-se conforme a própria percepção ou falta dela, relacionando-se dentro da relatividade, da auto percepção, da dualidade, do ego, tantas coisas sobre coisas que um dia deixarão de ser o que hoje se vê, voltarão a ser o que hoje se sente.
Consciências que movem bonecos de carne, coisas contando suas próprias histórias até que um dia retornem à casa, a coisa aonde as coisas serão mais do que coisas. Serão o que de fato são.

Flavio Siqueira