Esse mundo está lotado de ideias, filosofias, regras a serem
seguidas, discursos absolutos, cartilhas, leis, mandamentos, donos da
verdade nas igrejas, nas Tvs, no rádio, na política, nas universidades,
nas esquinas da vida.
Há sempre alguém defendendo uma ideia que tem cara de definitiva, uma
“tese irrefutável”. Há fundamentalistas e pacifistas, religiosos,
humanistas, esotéricos, místicos, capitalistas, comunistas,
intelectuais, ideologias em excesso, construções em demasia,
desentendimentos que levam ao mesmo lugar: confusão, intolerância,
desamor.
É assim que permitimos nos condicionar. Por medo fingimos ser o que nem nós mesmos acreditamos, tudo por medo.
A razão pela qual precisamos desses rótulos está ligada ao fato de
não crermos em nada que vá além da superfície, dos discursos, das
formas, das fórmulas, das palavras, do que nos dê alguma sensação de
segurança. Quem admite perder o controle e dar um salto no escuro em
busca da verdade? Da própria verdade.
Desconstruções são fundamentais! Rótulos são apenas rótulos.
Não ande com medo de punições. Não seja por medo. Se é para temer
alguma coisa, tema o cinismo de quem finge que vê, mas é cego, a
amargura de quem se resignou na própria loucura e não permite que os
outros enxerguem, que se agarra à alguma teoria somente por temer ser
punido. Não tenha medo, mas tenha fé.
Ter fé não é acreditar em símbolos, amuletos, doutrinas ou pensar que
amanhã tudo será conforme seus caprichos. Ter fé é caminhar em
gratidão, perplexo muitas vezes, perdido tantas outras, sabendo que a
verdade e a liberdade se conjugam, que todo aquele que procura em
verdade, encontrará.
Permita-se caminhar em liberdade, sem medo. Não tente sufocar o
próprio vazio, mas tente percebê-lo sem angústia. É preciso silêncio de
alma para poder ouvir, ver, saber, reconhecer que, sim, é conhecendo a
verdade que seremos libertos de nossos labirintos, nossos enganos e
nossos temores.
Há muitas vozes no mundo. Há muita teoria, muitos caminhos para todos
os lados. Há gente dizendo um milhão de coisas, mas, a questão é: qual a
tua verdade? Está na hora de levar essa pergunta a sério.
Não tenha medo.
Flavio Siqueira