segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Na Mão de Deus


Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental

domingo, 7 de setembro de 2014

Dúvida, Silêncio, Medo e Sofrimento!


As vezes a dúvida nos deixa reflexões
na qual a incerteza dos nossos atos
tomam posse das nossas fraquezas.

As vezes o silêncio reflete nossas ações
no qual pensamos que eram exatos
e se tornam apenas em acúmulos de tristezas.

As vezes o medo nos deixa sem saída
por plenas razões propostas em evidência
e contra a felicidade ainda resistem.

As vezes o sofrimento da nossa vida
requer apenas uma questão de paciência
se compreendermos que quedas existem.

Diego Ferreira

Na sua estante...


Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar,
Te vejo sonhando e isso dá medo,
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar, ao menos mande notícias
Você acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver, só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar

Pitty

Arte de chorar

Chorar é lindo, pois cada lágrima na face
são palavras ditas de um sentimento calado.

Pessoas que mais amamos, são as que mais magoamos
porque queremos que sejam perfeitas,
e esquecemos que são apenas seres humanos.

Nunca diga que esqueceu alguma pessoa, ou um amor.
Diga apenas que consegue falar neles sem chorar,
porque qualquer amor por mais simples que seja,
será sempre inesquecível...

As lágrimas não doem...
O que dói são os motivos que as fazem caírem!
Não deixe de acreditar no amor,
mas certifique-se de estar entregando seu coração
para alguém que dê valor

aos mesmos sentimentos que você dá,
manifeste suas ideias e planos,
para saber se vocês combinam,
e certifique-se de que quando estão juntos
aquele abraço vale mais que qualquer palavra...


Mario Quintana

sábado, 6 de setembro de 2014

Só hoje...


Poder!



Quem projeta sua caminhada na direção da mera busca pelo poder, se enfraquece. Isso porque quando penso que sou poderoso, tenho que assumir que me deixei escravizar pela inebriante sensação de controle, de manipulação, de ser formador de opinião, de mentes, de almas.
Enquanto busco o poder, não percebo que, na mesma medida que me deixo seduzir por ele, sou o primeiro a ser controlado, desviado de qualquer perspectiva de realmente enxergar os significados dos contextos a minha volta, simplesmente porque agora, tudo o que vejo, são as possibilidades de aumentar meu vício, de aparentar maior, de arregimentar mais gente, seduzir, direcionar, controlar, me apossar das vontades, escolhas e caminhos alheios.
Aquilo que aprendemos chamar de poder é uma droga. Vicia, corrompe e mata. Esse terá enorme dificuldades em perceber que poder, mesmo, de verdade, é a capacidade de caminhar entre os ruídos, enxergar as construções de manipulação, vencer os apelos de sedução e, sobre tudo, projetar a luz da consciência que cresce para o lado de dentro. É transcender e não se deixar apreender, seja pela adesão, seja pela crítica ideológica, sindicalista, amargurada, invejosa muitas vezes. É poder enxergar com clareza, sabendo que o verdadeiro poder se aperfeiçoa na minha contradição, na minha fraqueza, na minha humanidade.
Quem assim enxerga, transcende, ilumina e projeta sobre toda tentativa de controle a luz que antes nasceu na interioridade de quem resolveu se enxergar, revisar suas motivações e reconheceu-se, portanto, não tem mais nenhuma capacidade de acreditar que o verdadeiro poder seja qualquer coisa que vá além da própria capacidade de amar e ser farol onde impera um denso nevoeiro.

Flavio Siqueira

Caminhos e acessos para o amor


Posso ser conhecedor de todos os mistérios quânticos e criar técnicas revolucionarias de catarses psicológicas, de curas físicas, de reprogramação mental, energética, holística, mas, me responda, do que adiantará se nada disso produzir amor?
Posso ser o melhor orador, debater com grandes mestres, ter profundo conhecimento intelectual, psicológico, histórico, físico, filosófico, mas, sinceramente,se nada disso me aprofundar na consciência do amor, serei apenas um soberbo cheio de ideias.
Se eu souber todos os mistérios da neo linguística, me tornar mestre em técnicas milenares, doutor em teologia, conhecedor de fórmulas, sistemas, rituais sem a percepção de que nenhuma ferramenta, por mais útil que seja, produzirá amor, serei um alegre com prazo de validade, sem paz, sem felicidade, caminhando para a frustração até que outra novidade apareça.
Tudo pode ser bom, se deixarmos, tudo é apontamento, caminho, mas nunca destino final, afinal, a consciência do amor se aprofunda em simplicidade, no cotidiano, nas experiências, no “não saber”, no vazio, em cada escolha, nas pequenas respostas à vida.
Cada um de nós faz sua própria viagem, cada uma reflete o momento em que está e, sim, pode ser uma seta, um estágio que ajude muito até que aprendamos a caminhar com as próprias pernas, seguros, gratos, suficientemente maduros para entender que não se vive em maquetes, mas na vida, nas ruas, nos relacionamentos, com gente diferente da gente, em ambientes hostis muitas vezes, contraditórios outras tantas, expostos a completa imprevisibilidade da vida, a não linearidade dos caminhos, das relações, das experiências que se conectam, se vinculam, se desdobram e se enraízam em quem se faz presente e não cobiça o controle.
Viva seus momentos, experimente, aprenda, cresça, há muitas coisas boas, há muita gente legal, sim, muitos grupos, muitos caminhos, muitas propostas, muitos fragmentos de verdade espalhados pela terra, uns tem nomes orientais, outros ocidentais, outros tantos nem nomes tem, são “pequenos” de mais para serem percebidos, há estradas e estradas em todos os cantos e, cada vez mais, códigos diferentes, discursos aparentemente opostos que apontam para o mesmo lugar, que se tocam no essencial e isso é maravilhoso!
Siga por onde seu coração mandar, conforme sua cultura, sua história, seu momento, sua consciência, mas, não esqueça: nenhum caminho pode produzir amor se não estiver conectado a prática da vida, as experiências diárias, as contradições de existir em verdade, em presença, em simplicidade, em amor. O que passar disso é só labirinto, um caminho com fim em si mesmo e nada mais.

Flavio Siqueira