segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Ser em liberdade

Que a nossa existência seja a mais linda expressão de liberdade. Ser livre não implica necessariamente em fazer o que der na telha na hora que quiser, isso é coisa de criança mimada. Ser livre é um estado de espírito que transcende todas as tentativas de condicionamento.
Um ser livre enxerga além dos rótulos, dos gêneros, das “castas”. Não se prende a necessidade de afirmação de nenhuma natureza, não sente nenhuma necessidade de ser maior; sabe que isso é ilusão.
Liberdade é escolher por onde caminhará, mesmo que os cenários não sejam os ideais. É saber que há dias mais difíceis do que outros, há curvas, há tropeços, mas em tudo oportunidade de significado, de ser em liberdade.
Erra quem pensa que é livre porque escolhe a roupa que usa, o carro que tem, a viagem que fará, o candidato que vai votar. Isso não é liberdade. Liberdade é ser quem é, mesmo quando o mundo parece escuro. É a coragem de manter-se integro em dias difíceis e a pacificação que somente os que andam em consciência tem.
Ser livre é relacionar-se com a vida como parte de si mesmo, extensão da própria consciência que se projeta em cada expressão de vida, em cada movimento, em cada oportunidade para ser amor.
Liberdade não se vincula a espaços. Há prisioneiros livres, homens do campo presos. Liberdade se vincula a capacidade de enxergar as tentativas de enquadramento, seja psicológico, religioso, intelectual, social e não permitir algemar-se.
Quem anda em liberdade vive em simplicidade. Esse sabe que jamais necessitará de castelos e exércitos, não se deixará seduzir pela conquista de reinos, jamais tentará controlar mentes. Liberdade é ser quem é e viver na paz que não se vincula à “bons” ou “maus” acontecimentos.
Seja na luta, seja na dor, ainda que nem tudo esteja claro, um ser livre enxergará na sutileza dos sinais cotidianos razões para despertar um pouquinho por dia, sempre na direção do rio de paz, aquele que nos abriga mesmo nos dias difíceis, o rio que mora dentro, nos alimenta, nos dá razões para que, independente dos cenários exteriores, nossa existência seja a mais linda expressão de liberdade.

Flavio Siqueira

Viver na defensiva

O comportamento defensivo se externa quando a pessoa, através de suas desconfianças, percebe perigo no grupo, desgastando assim suas energias numa autodefesa - que pode ser inútil, se o perigo não for real e não passar de uma "encucação" da pessoa. Nesta óptica, dividimos as pessoas em dois tipos. De um lado, temos as pessoas naturais, seguras, que enfrentam os desafios e são mais sinceras. Sabem moldar-se às necessidades, porque acreditam em si próprias. Não que deixem de sentir as injustiças, mas vão caminhando em meio a elas, vão caindo e se levantando, aprendendo, amadurecendo e trocando ideias. E dessa forma que se realiza a troca afetiva.

De outro lado, há pessoas inseguras ou medrosas, que nunca estão no seu natural. Colocam-se sempre na defensiva, preocupadas consigo mesmas, num esforço desmedido em saber como estão sendo vistas pelos outros, como devem fazer para serem identificadas de forma mais favorável: como vencer, impressionar, manter-se impune ou, então, como reduzir ou evitar um ataque por antecipação.

As pessoas soltas, menos preocupadas com o seu mundinho, mostram sempre o que são. Se agradam, ótimo. Se não agradam, não se desesperam. O que não as impede de se questionarem sobre possíveis falhas em seu comportamento. Elas têm capacidade de reconhecer o próprio erro e voltar atrás, pela consciência profunda de seus limites humanos.

Mas há o reverso da medalha. Determinadas pessoas são sempre "as tais". Como donas da verdade, não admitem nada que contrarie seu modo de pensar e ser. Querem que os outros ajam pela cabeça delas, ao mesmo tempo que usam a defesa para não serem atacadas. Só que a melhor atitude perante a vida é a sinceridade. Se alguém errou, por que não admitir o próprio erro? Se ninguém é perfeito, por que justificar-se o tempo todo ou abusar das justificativas para mostrar-se diferente do que na verdade é? Quem se justifica continuamente não tem fibra, responsabilidade, respeito pêlos outros. Desgasta de tal forma as desculpas, que ninguém mais acredita nelas.

O defensivo sempre pensa que os outros são bobos. Não quer dar o braço a torcer em determinadas circunstâncias, para não mostrar suas fraquezas. E, ao tentar enganar os outros, engana-se a si mesmo. Mas em pior situação está aquele que, além de colocar-se na defensiva, é agressivo. Externa, com esse procedimento, as frustrações, angústias e mágoas que carrega dentro de si. Esquece-se de que ninguém deve pagar pelo seu mau-humor. Essas pessoas costumam gritar primeiro para impressionar, tentando encobrir a falta de
regam em seu íntimo.

O esforço para ser verdadeiro sempre foi e é válido. Se todos parassem para refletir sobre a própria vida, descobririam as razões pelas quais andam tão agressivos, mal-humorados, chatos, fofoqueiros, "cutuquentos", tão do lado errado. É só parar para pensar, e essas pessoas descobrirão as falhas dentro de si. Um bom parâmetro é este: se dez pessoas estão contra mim, impossível que só eu esteja certo. No momento em que ocorre essa constatação, é hora de fazer autoanálise e ver as razões disso.

Inúmeras pessoas queixam-se de que tudo lhes sai errado na vida. Deve haver uma causa para esse azar todo. Há coisas que não dão certo mesmo. Mas algumas saem erradas por culpa da própria pessoa. De quem quer que seja a culpa pelo fracasso, é importante que a pessoa malsucedida naquele momento não desconte seus infortúnios em cima de quem convive com ela, usando parentes e amigos como bodes expiatórios. O que ela deve fazer é manter a serenidade, ter paciência e ir consertando os desvios de rota que aconteceram.

No mundo dos defensivos, existem dois tipos de pessoas: a melosa e a agressiva. As duas assumem atitudes errôneas. A melosa apela para a chantagem emocional, fazendo-se de vítima quando deseja esconder-se atrás de uma desculpa. Agindo assim, pensa que impressiona ou comove seu interlocutor. Ledo engano. Ninguém é tão bobo a ponto de acreditar todos os dias em desculpas esfarrapadas. Enganar algumas vezes é até possível. Mas sempre, não.

Os que se colocam na defensiva através da agressividade não querem se sentir expostos (e por isso criam uma barreira de medo que afasta as pessoas) ou desejam impressionar de alguma forma aqueles que deles se aproximam. Esses ficarão sozinhos na vida. No começo, acharão bom, mas depois concluirão que convivência não é isolamento.

Há outra forma de agredir: a daqueles que ficam sempre "em cima do muro", tentando levar vantagem e tirar partido dos dois lados. Esses são uns coitados. Têm um trabalho insano para se equilibrar entre duas posições e, no final, desagradam a todos e a si mesmos. Agradar a gregos e troianos é algo que ninguém nunca conseguiu.

Na vida há coisas boas e más, das quais gostamos ou não. Há sonhos frustrados, empenhos não gratificados. Essa é a condição do ser humano. Em meio a tantas vicissitudes e divergências, o que vale é a vontade, o querer. O modo de viver em sociedade deveria brotar dessa vontade de querer ser sempre sincero, legal, sem artifícios nem "armações". Seria bem mais fácil viver.
Maria Helena Brito Izzo

O amor é bipolar


E se eu achar que te amo só porque hoje acordei assim meio carente?
E se eu sentir falta do seu abraço, só porque lembrei que é o melhor que ganhei na vida?
E se eu quiser perder a hora conversando com você num bar de novo, mesmo que você tome só duas cervejas até ficar sem graça porque eu fiquei no suco de laranja?
E se eu olhar pra quela lua linda que está lá fora e desejar estar na beira do Lago olhando pra ela junto com você?
E se eu quiser que aquele plano nunca cumprido de uma viagem juntos seja de verdade?
E se eu ouvir sozinha todas as músicas que eu sei que você gosta pra ver se você fica perto de mim, mesmo que de mentirinha?
E se eu jurar esquecer que vi defeitos em você que me pareciam impossíveis de superar?
E se eu prometer que vou tentar viver só o hoje, como você me ensinou, e não te cobrar nada mais que venha após o sol nascer?
E se eu garantir que vou ser mais leve e parar de pensar tanto?
E se eu não mudar tão rápido e quiser sua ajuda para aprender aos poucos?
E se eu continuar sendo assim, tão eu, por achar que, poxa vida, alguém vai ter que me aceitar?
E se você voltar e eu decidir que não quero mais?
E se eu perceber que não te amo coisa alguma, que era só carência mesmo?
Adriana Caitano

domingo, 28 de setembro de 2014

Algumas razões para te amar...

Um homem ama não somente a beleza de uma mulher, mas o que ela tem de mais imperfeito. Ama suas pernas, boca, cabelo, partes secretas, instintos e desejos, mas amamos também sua TPM, seu mal humor e sua ditadura domiciliar.
O homem ama os sonhos da mulher, suspiros e delírios, ama cada movimento cada tormento que sua presença ou ausência podem nos causar. O homem pode amar cada passo da mulher, cada caminho que ela escolher, cada destino que ela traçar, ele seguirá... e se for para se perder,  ele dispensará o sol, a bússola, e os mais modernos o GPS. O maior desejo do homem é perder-se por uma mulher. Isso não tem nada a ver com questões de sexualidade, perder-se nesse universo é descobrir os mistérios da criatura mais amada já criada. Não que o homem queira desvendar tais segredos, esse ainda não é o objetivo. Já ficaríamos satisfeitos em participar, minimamente da esfera que compõe os sonhos femininos.
O homem quando resolve amar uma mulher, ele não resolve, se vê em uma situação de xeque-mate! A mulher ganhou! 
O homem que diz não amar mulher alguma apenas mascara a sua verdade e o que é inevitável.
O homem pode amar várias mulheres ao longo da vida, mas uma vai tê-lo sempre nas mãos.
Não há como evitar ser dela, de alguma maneira ela te fez chegar até aqui, bem onde ela quis.
Eu cheguei onde você esperava que eu estivesse e e se você ainda não me viu é porque atrasei um pouco.
Você foi ou será aquela que me teve e ou terás às mãos, será a mais linda e cheia de segredos que vou conhecer... a mais surpreendente, quando eu achar que já me esqueceu e a mais previsível quando necessitar de um abraço meu.

E é por isso que sempre direi que te amo, sem surpresas, sempre previsível...bem simples, TE AMO!

Pedro Hermes 

Fonte: Recanto das Letras

A Dor Do Carente


É muito comum as pessoas usarem o termo carência afetiva para definir o comportamento inadequado de alguém. Não deixa de ser uma atitude leviana, pois a carência afetiva é algo profundo, que faz sofrer e atrapalha tremendamente a vida de quem carrega essa marca da infância.
O ser humano é fruto da índole com que nasce – carga genética e natureza – e do meio ambiente – pessoas, local onde vive, educação, exemplos, atendimento de suas necessidades, orientação. Esses componentes contribuem radicalmente para a formação de seu caráter e sua personalidade e das descobertas que faz de si mesmo.
Desde que nasce até o dia em que morre, mas principalmente nos primeiros anos de vida, o homem precisa receber amor, afeto e carinho para que possa se desenvolver de maneira adequada, de acordo com sua realidade. Dessa forma, aprende a ter responsabilidade, respeito, disciplina, limite e garra. Torna-se capaz de lidar com as frustrações, com o medo, com a angústia e com as limitações. Depende, pois, desse aprendizado, a forma de a pessoa se posicionar perante a vida.
Se alguém na infância recebe na medida certa o amor, o carinho, o afeto, o apoio e – por que não? – também a bronca ponderada, mas sente-se valorizado, estimulado, elogiado, bem como corrigido, desenvolve-se de forma adequada. Se, pelo contrário, vive num ambiente desestruturado, em que não é ajudado a se desenvolver, a se descobrir, a participar, a se posicionar, sua personalidade fica esburacada. Um desses buracos é formado pela carência de afeto. Quando não o recebe na dosagem certa, a pessoa se ressente, carregando essa deficiência como um pesado fardo pela vida afora. Se não entender o porquê desse vazio interior que sente e não tentar superá-lo, será uma pessoa muito infeliz, porque sempre estará insatisfeita, por mais afeto que receba. Numa comparação bastante vulgar, sua vontade de comer será maior que a comida existente.
Estas pessoas são mal-amadas e não resolvidas consigo mesmas. Não gostam de si e se julgam incapazes de serem amadas, porque não foram satisfeitas quando crianças na área do amor e do afeto. A carência afetiva é “irmã gêmea” da rejeição. A pessoa sente-se rejeitada porque não recebeu amor. Não se sente amada porque, de certa forma, se encolhe, não acreditando e não confiando em si. Mas se não acredita em si, é porque não recebeu esse crédito. Resultado: sua vida é marcada pela revolta, pela apatia, pelo isolamento, pela agressão, pela fuga e pela tirania. E impossível avaliar os estragos que a carência afetiva ocasiona dentro da pessoa.
Essa forma de ser e agir faz sofrer em excesso quem é vítima desse mal, pois o afasta dos colegas de trabalho, dos amigos e da família. É que ele se torna tão egoísta e frio que não sabe transmitir afeto para os outros. Tem medo de mostrar seus sentimentos.
Quando alguém percebe que precisa muito de afeto, de carinho, e que não vive no presente, mas quer compensar o passado que não teve, não conseguindo superá-lo, tem de procurar ajuda. E um sinal claro de que a carência afetiva o está dominando e chegou o momento de sair de si, para administrar essa verdade que não quer aceitar.
Parece frio falar dessa forma, mas é possível aos que são mais equilibrados chegar à conclusão de que, se não foram amados na infância por determinadas pessoas, hoje podem ser amados por milhares de outras. Se não tiveram pais que os amaram da forma como necessitavam, podem ter um irmão, um filho, um amigo, alguém que os respeite, os admire. E por esse lado que se deve pender, a fim de superar e preencher um pouco esse vazio. A lacuna ficou, mas é possível remediá-la, colocando um novo amor, preenchendo a vida com o afeto pêlos outros e deixando-se amar. Isso é que lhe dará forças para vencer essa barreira. Quando a pessoa não se ama e não se sente, amada, dificilmente consegue superar seus limites. É possível compensar essa falta dando afeto, em vez de só querer recebê-lo.
Aquele que sente que seu comportamento não está natural, tem de procurar a causa disso. Já que a carência faz sofrer tanto, é preciso buscar soluções e jogar fora o negativo que impregnou sua vida. Deve-se eliminá-lo para poder ser feliz, sentir-se amado, contente, satisfeito, afetuoso, sensível, sem medo e sem ficar com aquele vazio no estômago eternamente. Se a pessoa sabe administrar bem seus sentimentos e faz uma experiência profunda de amor, consegue superar essa situação.
Carência afetiva é uma doença de caráter emocional que se esconde no íntimo do indivíduo, mas que pode ser curada com muito carinho e afeto

Luiz Carlos Gomes

sábado, 27 de setembro de 2014

Se eu morrer antes de você...


“Se eu morrer antes de você, faça-me um favor:
Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo.
Se não quiser chorar, não chore;
Se não conseguir chorar, não se preocupe;
Se tiver vontade de rir, ria;
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão;
Se me elogiarem demais, corrija o exagero.
Se me criticarem demais, defenda-me;
Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam;
Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo…
E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase:
– Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto!
Aí, então derrame uma lágrima.
Eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal.
Outros amigos farão isso no meu lugar.
Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito.
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas, se eu morrer antes de você, acho que não vou estranhar o céu.
Ser seu amigo, já é um pedaço dele…”

Chico Xavier

Tristeza.




Em toda nossa vida já nos deparamos com pessoas felizes, carinhosas, engraçadas, estressadas, ansiosas, hiperativas, interessantes, tímidas e até mesmo nos deparamos com pessoas tristes. Nós já fomos pessoas tristes. Ninguém é 100% do tempo feliz e cheio de amor para dar. Mas jamais nos perguntamos se é possível morrer de tristeza. Afinal não há nada na história da medicina, nem nos boletins policiais de que alguém faleceu de tristeza. A tristeza não mata os órgãos, não apodrece como algumas doenças. Ela é mais dolorida, mais lenta e sofrida que as demais dores, que as demais mortes. Simplesmente, porque te faz vegetar, se tornar um peso na terra. Um zumbi ambulante pela vida das pessoas. Faz você esquecer que ainda vive, que ainda está na "Terra", que pode dar a volta por cima. Tira a vontade de recomeçar. De virar a página, dar um novo fim àquela história, ou quem sabe um novo começo. Te faz esquecer que ainda respira, que ainda fala, que ainda anda.
Mas quem somos nós para falar da tristeza alheia? Aliás, quem somos nós para julgar a tristeza alheia? Como é falar do que os outros sentem, se não é na nossa pele, na nossa carne. Como saber a intensidade daquele sofrimento, se não o estamos sentindo? Não sabemos o que aquela pessoa viveu para sentir tal dor. E não sabemos até que ponto viverá sentindo tal dor. Quem é que pode me dizer ao certo, o que existe dentro de mim? O que sinto? Se estou feliz, ou triste, se não eu mesmo? Só eu, só você, só ela e ele sabem ao certo o que se passa dentro da cabeça e do coração. O "morto" de tristeza ainda está por aí. Vagando, andando, esperando para que o tempo cure aquela ferida. Mas não sabe ao certo quantas doses de tempo terá que tomar para que seja curado.
Quando não damos importância ao tempo, deixamos que a tristeza se alastre, se espalhe pelo nosso corpo e mente. Lenta ou rapidamente. Nos deixa inseguros. Nos causa depressão, loucura, raiva, nojo...
Também traz sintomas visíveis, como choro, insônia, indisposição, gritos, cansaço...
São tantos os motivos que causam a insuportável tristeza. Evitada por todos nós, ela nos invade sem percebermos, nos invade quando não estamos preparados mental e fisicamente para tal dor. A notícia da perda de um ente querido, aquele que se foi antes de uma despedida decente. Sem aviso prévio. Aquele que você deu boas risadas e compartilhou bons momentos.
Também tem aquele amor antigo, aquele jurado "forever and ever". Aquele amor que você achava que envelheceria ao seu lado, de mãos dadas no balanço ou na mesa de jantar. Aquele que te ajudaria a lavar louça. A arrumar a mala de viagem. Aquele que te deu broncas quando voltou a fumar. Esse amor que tanto foi julgado e esperado eterno, se apagou nas cinzas do tempo. E com ele veio ela. A tristeza anda ao lado de todos os momentos, não controlamos como eles podem terminar, eles apenas terminam. E lá vem a famosona, nos derrubando pouco a pouco. Como se fosse um resfriado. Nunca esperamos por uma gripe num dia de verão.
E é claro... Não podemos esquecer em hipótese alguma a tristeza de perder um amigo. Aquele fiel amigo que te carregou no seu primeiro porre. Aquele que passou pasta de dente em você, enquanto dormia. Aquele que contou com você em todos os momentos, e você igualmente. Aquele que te abraçou forte e falou sem receio algum que te amava. Lembra? Lembra dessa amizade? O sincero aperto de mão, o demorado e forte abraço em público. Essa dor, essa perda é real. Acontece com todo mundo. Infelizmente... Se eu pudesse pedir por algo, pediria morrer antes de todos os meus queridos, assim não passaria pela dor e tristeza da perda. É egoísmo pensar assim, mas para mim a tristeza nunca é bem vinda.
A tristeza é um sentimento tão superior ao amor. O amor te dá asas, te deixa bobo e sem noção do que é real e fantasia. A tristeza não, ela te coloca no mundo, corta suas asas e te faz ver que o mundo não é perfeito e que as coisas às vezes não são como você gostaria que fossem. A tristeza fica ao seu lado na vida e na morte. Você chora, eu choro, ele e ela choram. Não por sermos ingênuos ou frágeis, mas por sermos seres humanos, de carne e osso, por sermos reais. E não essa mentira vista na TV, de pessoas lindas com pessoas lindas, de pessoas que vivem felizes para sempre, correndo na praia ou num grande campo, que seja... a tristeza não é apagada com dinheiro, joias, prêmios, carros. Não existe cura. Por mais que um dia você se sinta feliz, esse vírus retorna. Te ataca, te derruba. Fazendo você voltar ao mundo real. Colocando seus pés no chão. E quando você se der conta, já terá morrido de tristeza.