domingo, 5 de outubro de 2014

Não sei quantas almas tenho


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu. 

Fernando Pessoa

sábado, 4 de outubro de 2014

Ventos da minha luz

Até que ponto poderei eu dizer tudo?
Até quando amarro o essencial de mim?
Até onde a revelação me leva a esconder a fala?
Até onde nego a revelação da vontade?
Até onde me conservo fechado?
Até quando serei excepção de um não ou um sim?
Até quando?
Talvez regresse e fale!
Talvez exista energia que me motive!
Talvez seja preciso ir mais além de mim…
Talvez…
Talvez vá… Até ao ponto da interrogação.
Até que a exclamação não se admire do meu “eu”
… Assim na dúvida…
Não duvido que um talvez ou um até,
seja capaz de existir
Aí… Direi que nesta viagem…
Um até ou um talvez, seja falta de coragem…
De dizer sim… Só uma vez…

José Alberto Sá

EU TE AMO


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir


Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir


Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu


Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu


Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair


Não, acho que estás só fazendo de conta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

Chico Buarque

O que você precisa saber


Esse vídeo é para você que procura respostas. Elas, as respostas, se espalham em nosso caminho e se expressa de muitas maneiras. Você constantemente está exposto ao que precisa saber mas a questão é: você percebe? Costumamos caminhar tão distraídos, tão fixados em nosso ego, tão distantes da simplicidade que muitas vezes deixamos passar os sinais, as lições, as mensagens que chegam quando e onde menos esperamos. Nesse vídeo um chacoalhar de mentes e um chamado a consciência. Talvez aqui, mais uma tentativa de resposta. Não deixe passar.

Flavio Siqueira

O que restou de nós...


Look at us, what's left of us
Feel my absence in there
What's left you

Look at me, what's left of me
Feel the indifference of a way
What's left of me

But God created time, who comes to heal the hurts
Teach us that everything finally earned
Follow your path, will turn himself
And always remember to whom I was

I want to walk by other corners
Traveling with the one I love
Places you did not take me

Feed my smiles
Give me a feeling
And undo what you have left

I said goodbye to a loveless
Sorry I will not lie
But I had to leave you


 
Then for my soul smile

And do not blame yourself if you missed
But all that was his
Now lives in another love

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Rádio Globo - Bota amizade nisso - Rádio ao vivo SP

Rádio Globo - Bota amizade nisso - Rádio ao vivo SP

♥ DITADURA ♥


♥ DITADURA ♥

Pessoa forte aguenta tudo .
Pessoa frágil , tão frágil, tão frágil, mata.
É como vidro, tão frágil, tão frágil, tão frágil.
E mata com a maior das facilidades .
E a pessoa forte morre !


Ditadura do mais frágil.
Expressão que eu demorei muito a entender.
Mas é muito verdadeira.
A fragilidade é uma arma poderosa.
E há quem a saiba utilizar soberbamente.
A fragilidade impera.
A fragilidade domina .
E ai dos fortes desgraçados que lhe caiam nas mãos.
A fragilidade é como uma criança.
Neguem uma vontade a uma criança e ela reclama.
E ninguém lhe fará a vontade.
Mas se a criança se limitar a fazer beicinho ...
Aí ....
É outra história ....
 
Rosa P