‘’Ser discípulo traz a decisão por atos e atitudes
práticas, diante das alternâncias da vida; em direção oposta, ser
multidão, ou, melhor dito, diluído nela, não passa de fazer parte de
experiências momentâneas. ’’
O encontro das palavras ditas por
Jesus, com relação aos discípulos, estabelece uma autêntica revolução
interna e externa, manifestada por meio de atos e atitudes. Sem nenhuma
margem de dúvida, segue – me! Nada mais, nada menos, nada diferente,
nada contrário!
Simplesmente, eis um comando imperativo,
categórico, específico, objetivo e claro. Aliás, segue – me, sem uma
cartilha de condutas morais e éticas, de um ideal de humanidade, de
antídotos para desmoronar com as hemorragias da sociedade, com as
criminosas desigualdades entre as pessoas, com a escassez de esperança e
dignidade pela vida.
Nessa trajetória, tudo parece suspenso. A
aplicabilidade da torá com uma nova interpretação e enfoque ou a
remodelação do denominado velho testamento. Para muitos, um subversivo
das tradições cristalizadas e soerguidas, durante séculos de sangue e
morticínios; um fanfarrão e aproveitador do vácuo vivenciado pelos
desafortunados de pão e água, de sentido e destino, de sonhos e
sorrisos, de criatividade e liberdade; um megalomaníaco messiânico,
dentre tantos outros, disposto a levar multidões para malogros e
suicídios coletivos.
Mesmo assim, quem ousar vasculhar no seu
baú, não encontrará princípios e preceitos mandamentais de faça isso,
aquilo e acolá. Agora, o seu comando assusta, lança as propostas de um
risco, abre as portas para descobertas e torna sem efeito toda e
qualquer previsibilidade.
Em outras palavras, siga – me, venha
após, ao meu lado, atrás e haja, através de decisões e não se atrela a
princípios do certo e do errado. Ora, valho – me da palavra catequismo,
em função de manusear também a nossa visão de incutir todo um ciclo de
regras e regramentos, ao quais culminará num sobrenaturalismo que coloca
Deus acima de nós ou num naturalismo que o concebe como parte de uma
energia positiva.
Tristemente, ainda creditamos na vertente do
catequismo eclesiástico, por onde uns repetem e outros são compelidos a
engolir. Tudo, lá no fundo, muito embora nos vitrais, nos ornamentos,
nas nomenclaturas, nas hierarquias eclesiásticas pareça agradável, na
tresloucada realidade diária, parece um antídoto inócuo, sem efeito e
eficácia.
Quantos não foram acossados para ir a direção do
Cristo Ressuscitado e ao por os pés no mar, somente, se depararam com
uma infinidade de ideias e ideais. Por tal modo, afundaram e acabaram
tragados pelas decepções de expectativas irreais. De notar, o
discipulado nos chama para ir, decidir e sem titubear participar de uma
convivência intensa e reveladora, com o Cristo Ressuscitado.
Lamentavelmente, derramamos nossas considerações parcas, quando não
nunca ocorridas, sobre a certeza da Graça do Cristo Ressuscitado.
Valem dizer, os catequismos são prodigiosos na constituição de
apologistas, de articuladores das mais intrincadas teorias e teses
teológicas, de feitos e efeitos inexplicáveis, de pintar quadros
convidativos de um Messias adequado as massas de consumidores de
ilusões; entretanto, não descem as escadarias para ouvir e falar,
segundo a revelação – viva, sobre a batuta do Cristo Ressuscitado; não
aceita ser parte desse seguir, desse ir atrás, desse ir após e partilhar
e participar do compartilhar.
Não bastassem todos os
malefícios do catequismo, há ainda o ímpeto e as histerias coletivas das
multidões, pelo qual cada um se amolda a uma aparente imagem de fé, mas
tudo não passa de um ajuntamento de esperanças e verdades arruinadas.
Tanto no catequismo quanto na multidão, ninguém se compromete e muito
menos assume o compromisso pelo próximo, pela vida e por si mesmo, num
elo contínuo do amor a si mesmo, ao próximo e ao Criador.
Destarte, deveríamos perguntar:
- Sigo o discipulado?
- Sou adepto do catequismo ou da multidão?
Negar seria uma temeridade, o discipulado nos invade e faz com que a
salvação venha para fora, justificados e remidos, aceitos e incluídos
nos itinerários do Cristo Ressuscitado, por onde toda e qualquer
existência falida pode ser livre.
É bem verdade, o discipulado
desintegra os altares dos predestinados, dos escolhidos, dos melhores e
dos piores, dos bons e dos maus, dos justos e dos prevaricadores.
Indiscutivelmente, o discipulado tem os olhos para a convivência
prática e simples da vida, do café na padaria, da tarde de sábado, do
boliche, dos parabéns para você, do abraço, do alento, do bom dia, das
lembranças concretas e por ai vai.
Vamos além, o discipulado vai ao outro e propõe ser próximo, amigo, companheiro e irmão.
Por fim, somos discípulos, ministros catequizadores de ideologias teocráticas, enfileirados na multidão de conformados?