segunda-feira, 2 de março de 2015

Jó sabe por experiência


1 Jó tomou a palavra e disse:
2 “Então vós sois os tais, e convosco a Sabedoria vai morrer?
3 Mas também eu, como vós, tenho entendimento, e não sou inferior a vós; quem ignora aquilo que sabeis?
4 Quem é escarnecido, como eu, por seus amigos, invocará a Deus, e ele o ouvirá, pois é a integridade do justo que é escarnecida.
5 A lâmpada, desprezada pelos que estão seguros, está a serviço dos que têm os passos vacilantes.
6 Estão tranqüilas as tendas dos ladrões, e seguras, as dos que desafiam a Deus, dos que têm Deus na palma da mão.
7 Pergunta, por exemplo, aos asnos, e te ensinarão; às aves do céu, e te informarão;
8 volta-te para a terra e ela te instruirá, os peixes do mar te hão de esclarecer.
9 Quem não ignora, em todas estas coisas, que foi a mão do Senhor que fez tudo?
10 Em sua mão está a alma de todo ser vivo, o espírito de toda carne mortal.
11 O ouvido não distingue as palavras e o paladar não saboreia as iguarias?
12 A sabedoria não se encontra nos cabelos brancos? E a prudência, não está nos anciãos?
13 Ora, é em Deus que está a sabedoria e a força: ele tem o conselho e a inteligência.
14 DEUS DESFAZ A SABEDORIA HUMANA
Se ele destrói, ninguém poderá reconstruir; se ele aprisionar alguém, não haverá quem o solte;
15 se retiver as águas, virá a seca; se as soltar, inundarão a terra.
16 Nele está a força e a sabedoria, ele conhece quem engana e quem é enganado.
17 Manda embora os conselheiros sem nada, e leva os juízes à demência.
18 Desata o cinturão dos reis e amarra seus rins com uma corda.
19 Manda embora os sacerdotes sem nada, e abate os poderosos.
20 Troca as palavras dos que falam com segurança e tira o conhecimento dos anciãos.
21 Lança o desprezo sobre os nobres e afrouxa o cinturão dos violentos.
22 Descobre o que há de mais oculto nas trevas e traz à luz a sombra da morte.
23 Engrandece as nações e as arruina; se destruídas, restaura-as integralmente.
24 Tira o entendimento aos chefes do povo e os engana, deixando-os vaguear num deserto sem estradas.
25 E andarão às apalpadelas como nas trevas e não na luz, pois ele os faz vaguear como bêbados.

Comentário:

Aqui tem início a longa resposta de Jó para Zofar. Nestes três capítulos, Jó expõe de forma geral a sua posição, dizendo coisas muito úteis. Ele fala dos homens 12: 1-13, 19 (?), e então de Deus 13: 20- 14: 22 (note a mudança do plural para o singular.)

Jó confronta Zofar e os outros com sua própria posição: “Vocês pensam que eu sou ignorante, e que não sei nada a respeito de Deus, ficando facilmente abalado com suas profundas indagações? Bem, Eu posso discutir com o melhor de vocês. Deixe-me mostrar a vocês!” A Descrição de Jó sobre a soberania de Deus é, sem dúvida, maior do que aquela feita por Zofar no cap. 11, pois mostra uma visão mais profunda.

Introdução. V. 2-3

Há um pouquinho de sarcasmo aqui ao repreender o orgulho. “Você diz que eu sou um homem vão, como um jumento montês. Bem, caros companheiros, vocês se acham os representantes dos homens! Vocês tem o monopólio da sabedoria. Ela começa e termina com vocês. Na verdade, vocês estão se superestimando. Eu entendo tudo o que vocês disseram. De fato, qualquer um pode entender estes princípios tão simples – ex: justiça divina, plantar e colher.

- Há ocasião para se responder ao tolo em sua tolice. (Os três eram homens sábios, mas as provações de Jó trouxe a tona o pior deles! Um orgulho intelectual horroroso, etc.) Um terreno perigoso – caminhe com cuidado! – há um tempo em que não se deve responder ao tolo.

- Compare Elias no Carmelo zombando dos falsos profetas. Ou Paulo em I Coríntios 4: 10.

- Nenhum de nós pode dispensar a sabedoria! Somos tremendamente pequenos!! Mantenha uma opinião humilde sobre você mesmo. Filipenses 2: 3 cada um considere os outros superiores a si mesmo.

A descrição de Jó, v4-5

“Vocês dizem que sou um zombador (11: 3). Mas são vocês que zombam de mim! Vocês estão no alto e no seco – oram e Deus os ouve – estão tranqüilos. Podem rir e zombar por estarem seguros.”

- Se vocês estão seguros, não desprezem os que não estão. Os que estão em segurança, não deveriam zombar daqueles que estão em perigo. O forte não deve desprezar o fraco, mas antes, recebê-lo (Romanos 14: 1).

- Rir e zombar pode causar mais dano do que a própria violência. Pense em Cristo: A violência da crucificação foi enorme, mas talvez a dor maior tenha vindo das zombarias. (Aqui Jó experimenta do cálice que Cristo bebeu sem deixar uma gota.) Também foi traído pelos amigos (Salmo 55: 12-14).

A Teologia bi-dimensional de Jó, v. 6-25.

Lembre-se de que a de seus amigos era unidimensional. Talvez haja ainda uma tri-dimensional, que Jó ainda não houvera visto (a saber: que estas provações eram uma prova do amor de Deus por ele, e para o bem dele). Mas, Jó se agarra aqui ao direito que Deus tem de afligir o justo nesta vida.

V. 6 “Olhe agora para os Sabeus e os Caldeus que estão desfrutando das minhas riquezas. Ninguém na terra pode alcançá-los. Eu não pude evitar que eles levassem meus bens. De onde eles obtiveram sua riquezas? No final das contas, Deus é quem deu tudo isso á eles!”

- Declaração importante: Jó está vencendo em sua posição! Deus é Deus. Ele está no controle de tudo. Ele tem propósitos que nós não podemos enxergar. “A fórmula simplista que vocês tem, de semear e imediatamente colher, não pode ser mantida.”

Henry: “Não podemos, portanto, julgar a piedade dos homens pela abundância do que possuem, nem o que eles têm nos seus corações, por aquilo que tem em suas mãos.”

V. 7-9 O testemunho da criação.

Pode ser entendido ao se falar:

De forma geral: “Toda criação testifica da autoridade do Criador.” Salmo 19.

De forma específica: “Entre os animais, vemos as inofensíveis pombas sendo devoradas pelos pássaros carnívoros.” Pequenos e engraçadinhos cachorrinhos, sendo devorados vivos, pelos pumas selvagens. A vida na terra simplesmente não é justa aos nossos padrões. Mas, isto é a mão do Senhor.

[Note v. 9, é a única vez que a palavra Jeová é usada pelo homem no livro de Jó.]

V. 10-12 O testemunho da humanidade.

“Todas as almas estão em suas mãos. Nosso fôlego vem dEle. Nossas faculdades de raciocínio, julgamento moral, padrão da verdade e sabedoria, não passam de dons de Deus. Nós mesmos somos provas óbvias de Deus. Ele sustenta, mantém, controla e dispõe de nós, segundo a Sua vontade.”

V. 13-15 “Todos estes pontos apontam para a fonte de sabedoria e entendimento: Deus.”

A seguir, há uma série de declarações apontando para a Providência Divina em todos os acontecimentos.

- v. 14 O poder de Deus sobre todos os acontecimentos, de acordo com Sua vontade.

- v. 15 O poder de Deus sobre o dilúvio.

- v. 16 Uma das colocações mais contundentes de Jó! Aqui há comida sólida - os homens deveriam alimentar-se dela! “Deus faz muito mais do que você imagina!”

- v. 17 Deus humilha os grandes homens, rebaixando-os.

- v. 18 Ele os inutiliza (pense em Nabucodonosor).

- v. 19 Novamente, Ele depõe os poderosos.

- v. 20-21 Deus humilha o “sábio” e o poderoso.

- v. 22 Deus sabe de tudo. Ninguém pode se esconder dEle. Ninguém pode ocultar um segredo de Deus. Citado em I Coríntios 4: 5 – Verdade profunda. Pense em Davi, Hamã, Acã e até mesmo Adão.

- v. 23-25 Deus tem o controle absoluto, de todas as nações, não estando tal controle somente com os homens. Eles são meros tolos, comparados com Deus, eles não têm noção do que Ele é capaz.

V. 25 Uma descrição apropriada da nossa nação hoje! Sega, bêbada e insana.

Resumo: “Eu posso argumentar também! Eu posso debater sobre a grandeza de Deus! Vocês não detém este monopólio!”

Observe:

1. Há conforto para o Cristão nos atributos de Deus. Nada é mais relevante.

2. O principal atributo que nos dá conforto é a Sua Soberania. Que travesseiro macio para inclinar nossas cabeças cansadas! Quantas vezes já tivemos provas disso! Descanse nAquele que ordena todas as coisas! “Ele pode fazer comigo o que bem entender.”

3. Deus nunca prometeu que o justo não seria afligido. Mas, “ainda que nos aflija, não nos deixa tão fracos que não possamos servi-Lo, nos permitindo permanecer em nossa carreira, até que tenhamos passado por tudo e vencido as tentações que temos que suportar neste mundo.” (Calvino)

4. De volta ao v. 16. Alguns negam esta verdade, pensando que isto faz de Deus o autor do pecado.

Calvino: “Você pode ver então, como eles são apenas bestas arrogantes, os quais não concordam que Deus seja Todo-Poderoso, a menos que eles possam sujeitá-Lo a suas próprias idéias e fantasias”. Mas nós entendemos as “causas secundárias”, os decretadas por Deus. Ele governa. Salmo 76: 10. Até mesmo Satanás, o pai dos mentirosos, está sob o domínio de Deus! I Reis 22: 22, II Tess. 2: 11. “Permitir” é na realidade, decretar!

*Os eleitos não podem ser enganados! (Mateus 24: 24). Nós somos preservados, tentados, testados, humilhados, mas guardados no poder de Deus! “Deus não toleraria o pecado do enganador, nem a miséria do enganado, se não pudesse colocar limites a ambos, e glorificar a si mesmo através de ambos.” (Henry) Tudo para o bem Rom. 8: 28!!

Daniel A. Chamberlin

domingo, 1 de março de 2015

Qual é a queixa que vocês têm de mim?


26 O Senhor Deus diz:— Como o ladrão fica envergonhado quando é pego, assim o povo de Israel passará vergonha: todos vocês, os seus reis e príncipes, os seus sacerdotes e profetas. 27 Passarão vergonha todos aqueles que dizem a um pedaço de madeira: “Você é o meu pai”, e a uma pedra: “Você é a minha mãe”. Isso vai acontecer porque vocês me viraram as costas, em vez de virarem o rosto para o meu lado. No entanto, quando estão em dificuldades, vocês vêm me pedir que os salve. 28 Onde estão os deuses que vocês fizeram para vocês mesmos? Quando vocês estão em dificuldades, que eles os salvem, se é que podem. Judá, os seus deuses são tantos quantas as suas cidades. 29 Eu, o Senhor, pergunto:— Qual é a queixa que vocês têm de mim? Vocês todos se revoltaram contra mim. 30 Eu os castiguei, porém isso não adiantou nada; vocês não quiseram aprender a lição. Como um leão furioso, vocês mataram os seus próprios profetas. 31 Todos vocês, prestem muita atenção no que estou dizendo. Povo de Israel, será que eu tenho sido para vocês como um deserto, como uma terra perigosa? Então por que é que vocês dizem que vão fazer o que quiserem e que não voltarão mais para mim? 32 Por acaso, uma jovem esquece as suas joias? Ou uma noiva esquece o seu véu? Mas o meu povo esqueceu de mim por tantos dias, que nem dá para contar. 33 Vocês sabem muito bem como andar atrás dos amantes, e até as prostitutas podem aprender isso com vocês. 34 As roupas de vocês estão manchadas com o sangue de pobres e inocentes que nunca assaltaram as suas casas.— Mas, apesar de tudo isso, o meu povo diz: 35“Eu estou inocente. Certamente, o Senhor Deus não está mais irado comigo.” Mas eu, o Senhor, o castigarei porque você diz que não pecou. 36 Por que você muda assim para pior, sem mais nem menos? Como você ficou desiludido com a Assíria, também ficará desiludido com o Egito. 37 Você vai voltar também do Egito de cabeça baixa, envergonhado. Eu, o Senhor, rejeitei aqueles em quem você confia; você não vai ganhar nada ficando com eles.

Os crimes de Jó e a justiça de Deus


1 Zofar de Naamat tomou a palavra e disse:
2 “Como não dar resposta a quem está falando tanto? Ou alguém, só por falar muito, acaba tendo razão?
3 Tua vã linguagem calará os demais? Tendo zombado dos outros, não serás refutado por ninguém?
4 Disseste: ‘Meu discurso é puro’ e ‘Aos teus olhos, sou inocente!’
5 Oxalá Deus mesmo falasse contigo e abrisse os lábios para ti!
6 Quisesse ele revelar-te os segredos da Sabedoria e seus misteriosos desígnios! Então compreenderias que Deus exige, de ti, muito menos do que merece a tua iniqüidade.
7 Acaso compreenderás os vestígios de Deus e atingirás a perfeição do Poderoso?
8 Ele é mais alto do que o céu: que poderás fazer? É mais profundo que o abismo: que poderás conhecer?
9 A sua medida é mais longa que a da terra e mais larga do que o mar.
10 Se ele derruba, ou prende, ou aperta, quem poderá impedi-lo?
11 Pois conhece a presunção dos mortais: ao ver a maldade, portanto, não prestará atenção?
12 Até quem é tolo pode tornar-se prudente, embora, ao nascer, pareça um filhote de asno selvagem.
13 JÓ TEM DE SE CONVERTER
Se, pois, firmares teu coração e para Deus estenderes as tuas mãos;
14 se lançares para longe de ti a maldade que está na tua mão e não deixares alojar-se a injustiça em tua tenda,
15 então poderás levantar teu rosto sem mancha, estarás firme e nada temerás;
16 e esquecerás tuas desgraças ou delas te recordarás como de águas passadas.
17 À noite se levantará, sobre ti, uma luz como a do meio-dia e, ao te imaginares coberto de escuridão, surgirás como a estrela da manhã.
18 Estarás confiante, pela esperança que te será proposta e, mesmo no esconderijo, dormirás tranqüilo.
19 Repousarás e ninguém te amedrontará, e muitos procurarão o teu favor.
20 Quanto aos ímpios, os seus olhos desfalecerão,seu refúgio falhará, e sua esperança é o último suspiro.”


Comentários
I. O primeiro discurso de Zofar (11:1-20)

A. Zofar começa seu discurso repreendendo asperamente Jó por sua impertinência (pelo menos como Zofar a vê) - ( vs. 1-6).

1. Ele se vale de diversas perguntas para sugerir que Jó não deve pensar que silenciou os outros com sua má vontade em aceitar os argumentos deles (vs. 1-3).

2. Zofar exprime seu desejo de que Deus na verdade confrontasse Jó. Ele acredita que Jó acharia que Deus realmente está castigando-o menos do que merece (vs. 4-6)!

B. Zofar ressalta a inescrutabilidade dos caminhos de Deus (vs. 7-12).

1. A sabedoria de Deus é muito elevada para o homem e seu poder é irresistível (vs. 7-10).

2. Deus é capaz de reconhecer o pecado nos homens mesmo se eles próprios forem incapazes de vê-lo. Para demonstrar a possibilidade de homens como Jó se tornarem sábios (talvez para seu próprio pecado?), Zofar sugere que tal evento é tão provável como um jegue dar nascimento a um homem (vs. 11-12).

C. Zofar termina seu discurso de modo semelhante a Elifaz e Bildade (vs. 13-20).

1. Ele admoesta Jó a se arrepender e fala das bênçãos disponíveis para Jó no arrependimento.

2. Zofar realmente descreve o arrependimento e seus frutos muito bem mesmo.
a. "Se dispuseres o coração..." (v. 13) - o arrependimento é literalmente uma mudança de vontade.
b. "...e estenderes as mãos para Deus" (v. 13) - talvez o primeiro fruto que o arrependimento produza seja a confissão do pecado diante de Deus e a busca do perdão.
c. "...se lançares para longe a iniquidade da tua mão e não permitires habitar na tua tenda a injustiça" (v. 14) - outra conseqüência do arrependimento é a reforma da conduta.

II. A réplica de Jó a Zofar e seus outros dois amigos (12:1 - 13:19)

A. Jó evidentemente começa sua réplica com uma boa dose de sarcasmo (vs. 1-12).

1. Ele observa que, ainda que eles possam pensar que são os únicos que têm alguma sabedoria, ele também sabe as coisas que eles sugeriram (vs. 1-3).

2. Ele, contudo, chama a atenção deles para a realidade de que a teoria deles não se ajusta aos fatos (vs. 4-6).
a. Aqueles que estão seguros têm tendência a agirem de modo condescendente para com o desafortunado, aquele que está sofrendo (vs. 5).
b. Conquanto Jó seja justo, seus amigos zombam dele e ainda "as tendas dos tiranos gozam paz" (12:6). O uso que Jó faz da palavra "seguro" no versículo 6 pode ser uma referência ao comentário de Zofar em 11:18.

3. Jó continua seu sarcasmo, observando que a sabedoria de seus amigos é possuída até pelos animais (vs. 7-12). Ele não parece estar depreciando a sabedoria dos amigos, mas antes sugere que eles não precisam ensinar-lhe o que é universalmente sabido.

B. Jó faz uma descrição do poder divino (vs. 13-25). Ainda que Jó afirme a sabedoria e a prudência de Deus, ele insiste nos atos destrutivos de Deus.

C. Os amigos de Jó são "médicos que não valem nada"; ele deseja falar com o Todo-Poderoso (13:1-19).

1. Lembrando de novo seus amigos que ele tem o mesmo conhecimento que eles possuem, ele os admoesta a ficarem calados (vs. 1-12).
a. Ele testifica que os argumentos deles não têm valor.
b. Ele os repreende por demonstrarem parcialidade em sua defesa dos atos de Deus e sugere que Deus os castigue por isso (vs. 7-11).
c. Os amigos têm mostrado parcialidade para com Deus, assumindo que Jó tinha pecado. Na opinião deles, Jó não poderia ser inocente e ainda sofrer; pois isto sugeriria que Deus era injusto ao afligir Jó. Como Jó, os amigos não parecem reconhecer a existência de Satanás e assim atribuem o sofrimento de Jó a atos de Deus. Ao assumirem a pecaminosidade de Jó, eles tinham respeitado a pessoa de Deus, enquanto se recusavam a aceitar a possível inocência de Jó!

2. Jó pretende defender seu caso diante de Deus sem se importar com as conseqüências (vs. 13-19).
a. Parece que Jó ainda está se dirigindo aos seus amigos, nesta parte.
b. Jó expressa sua confiança em que será justificado.

III. Jó fala a Deus (13:20 - 14:22)

A. Jó faz duas petições em preparação para a defesa de seu caso (vs. 20-22):

1. Uma pausa no seu sofrimento (vs. 21).

2. Que Deus se comunique com ele (vs. 22).

B. Jó pede a Deus que revele seus pecados e expressa perplexidade quanto ao motivo pelo qual Deus o está tratando como um inimigo (vs. 23-27).

C. Jó comenta a brevidade da vida do homem (13:28 - 14:6).

1. Em vista da vida curta do homem, por que o julgamento de Deus é tão rigoroso?

2. Jó pede que Deus desvie dele seus olhos e permita que ele descanse no tempo que sobrou.

D. Jó observa a desesperança do homem (14:7-22).

1. Diferente da árvore que rebrota de suas raízes, mesmo depois de ter sido cortada, o homem morre e "não se levanta" (vs. 7-12)
a. À primeira vista, parece no versículo 12 que Jó não crê numa ressurreição dos mortos. Contudo, Jó está falando, possivelmente, da renovação de sua vida física, neste versículo. Jó está então dizendo que o homem não pode viver outra vida física (observe a ilustração da árvore) como a que ele perdeu, mas que ele não cessa de existir na morte.
b. Parece que Jó tem alguma esperança de uma ressurreição (v. 14).

2. Jó exprime seu desejo de que Deus escondesse-o na sepultura até um tempo em que sua ira passasse e ele voltasse a "lembrar-se" dele.

3. Jó termina seu discurso em desespero (vs. 18-22). Tão certo como a erosão acontece, Deus destrói a esperança do homem.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cansado de viver


1 Minha alma está cansada de viver. Soltarei contra mim mesmo o meu discurso, expressando toda a minha amargura.
2 Direi a Deus: Não me condenes! Faze-me, antes, saber, por que me julgas assim.
3 Por acaso, parece-te bom que me oprimas e me calunies, a mim, obra de tuas mãos e favoreças o desígnio dos perversos?
4 Acaso são de carne os teus olhos e vês as coisas como as vê o ser humano?
5 Acaso são como os de um mortal os teus dias e os teus anos, como as estações humanas,
6 para esquadrinhares a minha iniqüidade e investigares o meu pecado?
7 No entanto, sabes que eu nada fiz de mal, mas, por outro lado, ninguém pode livrar do teu alcance.
8 “SOU TUA CRIATURA, MAS QUAL FERA ME ESPREITAS”
As tuas mãos me fizeram, plasmando todo o meu ser inteiramente, e de súbito me fazes cair?
9 Lembra-te, por favor, que me fizeste como argila… e agora, me reduzes ao pó?
10 Acaso não me derramaste como leite, e me coalhaste como queijo?
11 De pele e carne me vestiste, de ossos e de nervos me teceste.
12 Vida e misericórdia me concedeste e teu cuidado guardou o meu espírito.
13 Embora escondas estas coisas no teu coração, sei que as andavas remoendo em tua mente:
14 Se eu pecar, estarás me observando e não consentirás que eu seja livre da minha iniqüidade.
15 Se eu fosse ímpio, ai de mim; se justo, não levantaria a cabeça, repleto que estou de aflição e miséria.
16 Se me deixo levar pelo orgulho, me prendes como ao filhote do leão e de novo te revelas admirável em mim.
17 Renovas contra mim tuas testemunhas e redobras tua ira contra mim, contra mim combatem teus castigos.
18 Por que então me tiraste do ventre materno? Oxalá tivesse eu morrido, para que olho algum me visse.
19 E eu teria sido como quem não existiu, transportado, já, do ventre ao túmulo.
20 Acaso a brevidade dos meus dias não acabará logo? Deixa, pois, que se alivie um pouco a minha dor!
21 Mas isto, antes que eu vá, sem volta, para a região das trevas e da sombra da morte,
22 a terra da escuridão e das trevas, onde só há sombra de morte e caos, e habita o horror sempiterno”.


Comentários:

Jó continua seu discurso (9:25 - 10:22)
A. Na última parte do capítulo 9, parece que Jó dirige seus comentários em parte a Deus e em parte a Bildade e seus outros dois amigos.

B. Tendo discutido o tratamento do homem em geral por Deus em 9:22-24, agora Jó se volta para o tratamento dele mesmo por Deus (vs. 25-31).
1. Usando as figuras de um corredor, navios velozes e uma águia, Jó descreve a brevidade da vida (vs. 25-26).
2. Ele fala da persistência de Deus em considerá-lo culpado e como resultado ele é incapaz de se alegrar (vs. 27-31).
3. Jó sente a necessidade de um terceiro participante para arbitrar a diferença entre ele e Deus (vs. 32-35). Parece que ele está antevendo a obra de Jesus Cristo como nosso mediador.

C. Sentindo que nada tem a perder, Jó fala a Deus diretamente, insistindo em saber porque Deus está "contendendo com ele" e então oferecendo as razões possíveis para o comportamento de Deus (10:1-7).
1. Ele pergunta se Deus tem algum prazer em oprimir sua própria criação (vs. 3).
2. Ele pergunta se Deus, como um homem, tem percepção limitada e, por isso, julgou-o injustamente (vs. 4).
3. Ele questiona se a duração da vida de Deus é tão curta como a de um homem, para que ele esteja com pressa de procurar o pecado de Jó antes que ele o tenha cometido (vs. 5-7).

D. Desconsiderando as duas últimas perguntas, Jó continua seu discurso seguindo a primeira possibilidade (vs. 8-22).
1. Ele recorda a Deus que ele é criatura de Deus (vs. 8-12).
2. E ainda Deus parece determinado a destruir Jó em qualquer circunstância, um rumo aparentemente inconsistente com seu cuidado em criar Jó (vs. 13-17).
3. Novamente Jó expressa seu desejo de ter morrido ao nascer. Desde que Deus não permitiu isso e seus dias restantes são poucos, Jó pede a Deus que o deixe em paz (vs. 18-22).
4. Conquanto Jó não tenha se afastado de Deus, ele está obviamente lutando com sua fé. Quão agradecido Jó deve ter estado mais tarde porque Deus não atentou para suas palavras e o "deixou em paz" como ele tinha pedido!


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Não adianta disputar com Deus



1 Respondendo-lhe, disse Jó:
2 “Sei muito bem que é assim: Como poderia alguém prevalecer diante de Deus?
3 Se quisesse disputar com ele, a mil razões eu não teria uma para responder.
4 Ele é sábio de coração e de força poderosa; quem já o enfrentou e ficou ileso?
5 Ele desloca as montanhas sem que elas percebam, e as derruba em sua ira.
6 Ele abala a terra em suas bases e suas colunas vacilam.
7 Ele manda ao sol que não se levante e guarda sob chave as estrelas.
8 Sozinho desdobra os céus, e caminha sobre as ondas do mar.
9 É ele quem faz a Ursa e o Órion, as Plêiades e as constelações do Sul.
10 Faz prodígios insondáveis, maravilhas que não se podem contar!
11 Se passa junto de mim, não o vejo e, quando se afasta, não percebo.
12 Se de repente irrompe, quem ousa impedi-lo? Quem pode dizer-lhe: ‘Que estás fazendo?’
13 Deus não refreia sua cólera; ao seu poder se curvam os aliados do monstro do mar.
14 Quem sou eu para replicar-lhe, para dirigir-me a ele com palavras escolhidas?
15 Ainda que eu tivesse razão, eu não poderia replicar; pelo contrário, pediria misericórdia ao meu Juiz.
16 Mesmo se me ouvisse, ao clamar por ele, não creio que daria atenção à minha voz.
17 Pois ele me esmagaria como num redemoinho e, sem motivo, multiplicaria minhas feridas.
18 Ele não permite que meu espírito descanse e me farta de amarguras.
19 Se alguém procura a força, ele é o mais vigoroso; se procura o direito, quem o traria ao tribunal?
20 Se eu quiser justificar-me, minha boca me condenará; se mostrar que sou inocente, ele me convencerá de culpa.
21 DEUS ESTÁ ACIMA DO DIREITO?
Será que sou íntegro? Nem eu sei. Aliás, desprezo a minha vida.
22 Uma só coisa é o que eu disse: ele extermina tanto o inocente como o ímpio.
23 Se uma calamidade mata de repente, ele se ri da aflição dos inocentes.
24 A terra está entregue às mãos do ímpio e ele cobre o rosto dos seus juízes: se não é ele, quem será?
25 Meus dias correram mais rápidos que um atleta; fugiram e não viram a felicidade.
26 Deslizaram como barcos de papiro, como a águia que se abate sobre a presa.
27 Se digo: Vou esquecer minha tristeza, mudar a expressão de meu rosto e mostrar-me alegre,
28 tenho medo de todas as minhas dores, sabendo que não me absolverás.
29 Se, pois, mesmo assim, continuo sendo culpado, para que me afadiguei em vão?
30 Ainda que eu me lavasse com águas de neve e com soda purificasse minhas mãos,
31 tu, porém, me afundarias na imundície e minhas roupas teriam nojo de mim.
32 Pois não estou respondendo a alguém que seja mortal como eu; ele não é um ser humano, a quem eu possa processar.
33 Não existe quem possa ser árbitro entre os dois, nem quem imponha sua mão sobre nós ambos.
34 Que ele retire de mim a vara e o seu pavor não me atemorize:
35 então, eu falaria sem ter medo dele! Mas tal não acontece: não sou mais eu.

Cometário:

3 Jó clama por um árbitro: um mediador com autoridade entre Deus e o homem. (9:33) Jesus é esse árbitro que compreende as duas partes em conflito: Deus e o homem. ( I Tim. 2:5) 4 Jó expressa frontalmente a sua irritação e desilusão em relação aos amigos: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e todos vós, médicos que não valem nada. Tomara que vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria” (13:4-5). “Todos vós sois consoladores molestos” (16:1). O fundamentalismo teológico, aliado à falta de empatia e à tentativa de racionalizar, só pode resultar em ineficácia no aconselhamento. Bom seria que tivessem permanecido em silêncio, respeitando a dor que era muito grande (2:13).

Ludgero Coelho



Um quebra-cabeça sem todas as peças

1 Tomando a palavra por sua vez, Bildade de Suás falou:
2 “Até quando dirás tais coisas? Tuas palavras parecem um furacão!
3 Acaso Deus passa por cima do direito ou o Poderoso perverte aquilo que é justo?
4 Se teus filhos pecaram contra ele, ele os entregou às conseqüências da iniqüidade que cometeram.
5 Tu, porém, se de manhã cedo te levantares para Deus, se suplicares o Poderoso
6 e se caminhares com pureza e retidão, ele imediatamente despertará em teu favor e restaurará a tua legítima propriedade.
7 Desta forma, o que possuías antes parecerá pouca coisa, em comparação com as tuas posses multiplicadas no futuro. “Somos de ontem…”
8 Interroga a geração passada e investiga com cuidado a memória dos antigos.
9 Pois somos de ontem e nada sabemos, e nossos dias sobre a terra são como a sombra.
10 pois eles, os antigos, vão te ensinar e te falar, e do seu próprio coração vão extrair estas palavras:
11 Pode o papiro vicejar sem a umidade ou o caniço crescer sem água?
12 Estando ainda em flor, e sem que alguém o colha, seca antes de todas as ervas.
13 São assim os caminhos de todos os que se esquecem de Deus, pois a esperança do ímpio se frustrará.
14 Sua esperança é como um fio tênue; como teia de aranha, a sua confiança.
15 Ao se apoiar sobre a sua casa, ela não agüentará; mesmo se lhe puser estacas, ela não ficará de pé.
16 Parece cheio de seiva antes de vir o sol e seus brotos irrompem no seu jardim.
17 Suas raízes se entrelaçam sobre as rochas e no meio das pedras persiste.
18 Mas, se o arrancam do seu lugar, este o renega, dizendo: ‘Não te conheço’.
19 Assim termina sua alegre história: outros brotarão do mesmo chão.
20 De fato, Deus não rejeita quem é íntegro, como tampouco não estende a mão aos malvados.
21 Um dia a tua boca se encherá de riso e os teus lábios, de alegria.
22 Quanto aos que te odeiam, se cobrirão de vergonha, pois a tenda dos ímpios não ficará em pé”.


Comentários:

O primeiro amigo – Elifaz
“Se alguém tentar falar contigo, ficarás enfadado? Quem, todavia, poderá conter as palavras?” (Jó 4. 2-6).

(01) A fala inicial de Jó, conforme cap. 3, foi um desabafo. Ele não estava cobrando explicações dos seus amigos. Ele não espera também que seus amigos possam ter alguma explicação para o seu sofrimento. Mas os seus amigos sentem que tem obrigação de responder o desabafo de Jó.
(02) Elifaz, o mais velho, é o primeiro a falar. Ele deseja ser o mais gentil possível. Ele fala respeitosamente. Pede que Jó não fique zangado com o que ele vai falar.
(03) Elifaz reconhece em Jó um homem religioso, mas repreende Jó porque não mostra a mesma calma que Jó recomendara às pessoas que aconselhava (“chegando a tua vez, tu te enfadas; sendo tu atingido, te perturbas…”)
(04) Em seguida esse amigo de Jó fala sobre a desgraça dos ímpios e as alegrias dos justos. Afirma a Jó que se ele esperar em DEUS verá a tempestade passar e o sol tornará a brilhar.
(05) Elifaz diz que talvez DEUS esteja repreendendo Jó por causa de alguma falha. Se for assim Jó deve controlar seu ímpeto. Deverá arrepender-se dos seus erros e assim será restaurado, curado, liberto.

O que faltou para Jó e seus amigos
(01) Jó diz a Bildade que de nada adianta apelar para a insignificância humana. Ele começa a exaltar a soberania de DEUS. Jó diz que o Senhor é tão grande quanto Bildade afirmou e mais ainda (Jó 26. 11-14).

(02) Jó diz ainda que não discorda inteiramente de seus amigos. Diz que a “Doutrina da Retribuição” (aqui se faz aqui se paga) não se aplica a todos os casos. Para o patriarca dizer que os maus nunca serão punidos seria fazer uma declaração falha (Jó 27. 13-17).

(03) Para o patriarca no nosso mundo coexistem, lado a lado, justiça e injustiça, lógica e absurdo, castigo e impunidade. Há ocasiões em que o Senhor cura e outras em que Ele não cura. Algumas vezes o Senhor livra e em outras vezes não livra (Jó 26. 10-14).

(04) A grande dificuldade de Jó e de seus 3 amigos é que eles tentavam resolver um problema para o qual lhes faltavam elementos . Um quebra-cabeça sem todas as peças. De que peças os 4 não possuíam?

Faltavam para Jó e seus amigos informações sobre Satanás. Eles desconheciam o fato de que existe uma força maligna operando no mundo. Eles atribuíam a DEUS tudo o que não tive uma explicação humana. Não devemos atribuir a DEUS iniciativas que não são dEle. O livre arbítrio significa que podem ocorrer coisas que DEUS não aprova. Mas Ele sempre pode usar isso.
Faltavam para Jó e seus amigos informações sobre a vida além túmulo. Eles acreditavam que a justiça de DEUS terminava do lado de cá do túmulo. Jó conseguiu expandir essa visão, numa fé admirável. Ele tem vislumbres da eternidade. Seus amigos não.
Faltavam para Jó e seus amigos informações sobre o ministério do Senhor Jesus. A morte de Jesus Cristo no Calvário para salvar a humanidade deu uma nova visão sobre a dor e o sofrimento. A morte de Jesus na cruz nos faz enxergar a profundidade do amor de DEUS. Também a morte de Jesus nos mostra que DEUS pode extrair bênçãos dos acontecimentos trágicos.
Conhecemos o que Jó e seus amigos não conhecem. Mas ainda não temos todos os detalhes. Existem coisas que não entendemos e outras que nos serão reveladas na Glória (1 Coríntios 13.12).

O que faltou aos amigos de Jó? FÉ. Os sofrimentos de Jó o estavam levando para mais perto de DEUS.


Ezequias Costa

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A vida é uma escravidão?


1 Não é acaso uma luta a vida do homem sobre a terra? Seus dias não são como os de um assalariado?
2 Como o escravo suspira pela sombra, como o assalariado aguarda o pagamento,
3 assim tive por ganho meses de decepção, e o que computei foram noites de sofrimento.
4 Apenas me deito, digo: Quando irei levantar-me? E então, espero novamente a tarde e me encho de sofrimentos até ao anoitecer.
5 Meu corpo cobre-se de pus e de feridas, a pele rompe-se e supura.
6 Meus dias correm mais rápido que a lançadeira e se consomem, tendo acabado o fio.
7 Lembra-te de que minha vida é apenas vento, e meus olhos não voltarão a ver a felicidade!
8 O olhar de quem me via, não mais me verá; teus olhos vão procurar-me, e não estarei mais aí.
9 Como a nuvem se desfaz e passa, assim quem desce ao mundo dos mortos, dali jamais subirá:
10 não voltará jamais à sua casa, sua morada não mais o verá.
11 Por isso, não vou controlar minha língua; com o espírito angustiado falarei, com a alma amargurada me queixarei.
12 ACASO SOU UM MONSTRO?
Acaso sou eu o mar ou um monstro marinho, para que me mantenhas sob custódia?
13 Se eu disser: ‘Meu leito me consolará, e minha cama aliviará a minha queixa’,
14 então me assustas com sonhos e me aterrorizas com pesadelos.
15 Por isso, minha alma preferiria a forca e meus ossos, a morte.
16 Perdi a esperança; absolutamente, não quero mais viver. Tem pena de mim, pois um sopro são meus dias!
17 Afinal, que é o ser humano, para lhe dares tanta importância? por que se ocupa dele teu coração?
18 Já pela manhã o vigias e a cada momento o pões à prova.
19 Até quando não tirarás os olhos de mim, e não me deixas nem engolir a saliva?
20 Se pequei, o que foi que te fiz, ó espião da humanidade? Por que me tomas por alvo, a ponto de eu tornar-me um peso para mim mesmo?
21 Por que não tiras o meu pecado e não retiras a minha iniqüidade? Olha, vou agora adormecer no pó; se me procurares pela manhã, já não existirei”.

Comentário devocional:

 Jó diz que assim como um servo que trabalha ao sol anseia pela noite de descanso, o sono da morte é precedido por meses e anos de trabalho e noites de cansaço (verso 3).

Parece que não há esperança de recuperação para Jó (v. 6). Com a proximidade da morte, a vida é  apenas um sopro que se vai, seus olhos talvez nunca mais vejam o bem novamente (v. 7). Ele afirma que a pessoa que morre não assumirá novamente a sua vida (v. 8). Esta pessoa nunca mais retornará à sua casa (v. 9,10). 

 Jó se recusa a se calar e insiste em falar de sua angústia e amargura (v. 11). À noite, dores nos ossos e sonhos vem assustá-lo (versos 13-16). Ele não quer viver para sempre sofrendo desta maneira (v. 16). Ele odeia a vida; os “seus dias são sem sentido” (NVI).

Jó sabe que Deus vigia de perto a todos os homens e se pergunta se a continuação do seu sofrimento significa que ele está pecando contra aquEle que lhe guarda, embora ele não tenha conhecimento de qualquer pecado em sua vida (v. 20). 

 Jó tem a impressão de que está sendo alvo de castigos divinos e deseja que Deus lhe conceda uma visão do porquê ele sofre em uma situação próxima da morte e o perdoe por qualquer transgressão. Ele sente que, se ele morresse e fosse sepultado, nem Deus, nem ninguém,  o poderiam encontrar, pois deixaria de existir (v. 21). 

Apesar disso, como ficará claro ao longo do livro, Jó percebe que Deus conhece exatamente como cada ser humano é formado  e  pode recriar o que deixou de existir.

 Querido Deus, sabemos que tudo o que sofremos acontece como consequência das ações de Satanás e que, abraçados a Ti, encontraremos um propósito mais elevado para o nosso sofrimento. Não há alegria de contemplar a dor, mas ela mostra o maldade de Satanás sobre nossa espécie. Nós oramos que, aconteça o que acontecer, permaneças sempre conosco. Amém.

 Koot van Wyk

Kyungpook National University


Sangju, Coreia do Sul