terça-feira, 17 de março de 2015

Nunca pense em Deus como seu inimigo!


1 “Mas agora homens mais moços do que eu zombam de mim.
Os pais deles não valem nada; eu não poria essa gente nem com os cachorros que cuidam do meu rebanho.
2 De que me serviria a força dos seus braços? São homens magros, 3 enfraquecidos de tanto passar fome e miséria. À noite, na solidão de lugares desertos, eles têm de roer raízes secas.
4 Pegam ervas e cascas de árvores e se alimentam de raízes que não servem para comer.
5 São expulsos do meio das pessoas, que os espantam, aos gritos, como se eles fossem ladrões.
6 Têm de morar em barrancos medonhos, em cavernas ou nas rochas.
7 Uivam no meio das moitas e se ajuntam debaixo dos espinheiros.
8 Raça inútil, gente sem nome, são enxotados do país.
9 “Mas agora essa gente vem e zomba de mim; para eles eu não passo de uma piada.
10 Sentem nojo de mim e se afastam e chegam até a me cuspir na cara.
11 Deus me enfraqueceu e me humilhou, e por isso, furiosos, eles se viram contra mim.
12 Essa raça de gente ruim me ataca, me faz correr e procura acabar comigo.
13 Eles não deixam que eu fuja, procuram me destruir, e ninguém os faz parar.
14 Entram por uma brecha da muralha e no meio das ruínas se jogam contra mim.
15 Eu fico apavorado. A minha honra foi como que varrida para longe pelo vento; a minha prosperidade passou como se fosse uma nuvem.
Tu me tratas com crueldade
16 “Agora já não tenho vontade de viver; o desespero tomou conta de mim.
17 De noite os ossos me doem muito; a dor que me atormenta não para.
18 Deus me agarrou pela garganta com tanta violência, que desarrumou a minha roupa.
19 Ele me atirou na lama; eu não valho mais do que o pó ou a cinza.
20 “Ó Deus, eu clamo pedindo a tua ajuda, e não me respondes; eu oro a ti, e não te importas comigo.
21 Tu me tratas com crueldade e me persegues com todo o teu poder.
22 Fazes com que o vento me carregue e numa tempestade violenta me jogas de um lado para outro.
23 Bem sei que me levarás à Terra da Morte, o lugar de encontro marcado para todos os vivos.
24 Por que atacas um homem arruinado, que não pode fazer nada, a não ser pedir piedade?
25 Por acaso, não chorei com as pessoas aflitas? Será que não tive pena dos pobres?
26 Eu esperava a felicidade, e veio a desgraça; eu aguardava a luz, e chegou a escuridão.
Eu peço ajuda
27 “O meu coração está agitado e não descansa; só tenho vivido dias de aflição.
28 Levo uma vida triste, como um dia sem sol; eu me levanto diante de todos e peço ajuda.
29 A minha voz é um gemido triste, como os uivos do lobo ou os gritos do avestruz.
30 A minha pele está ficando preta, e o meu corpo queima de febre.
31 Eu costumava ouvir a música alegre de liras e flautas, mas agora só escuto gente chorando e soluçando.


Comentário:

Agora, porém...Felicidade anterior versus tristeza do presente. Um capítulo de contraste. (*A vida é cheia de surpresas, com mudanças drásticas e inesperadas. “Eu voltaria atrás se eu pudesse”, é o que pensamos muitas vezes.)

1. “Meus atuais acusadores são aqueles que eram mais fracos”. V. 1-8.

A descrição parece se adaptar a um grupo maior do que simplesmente seus três amigos. Sem dúvida que se trata daqueles mesmos que o admiravam anteriormente (cap. 29).

Eles eram jovens, (v. 1)

Seus pais não eram dignos, v. 1. Eu não insultaria meus cachorros deixando que os tais tomassem conta deles!”

Mesmo quando eram maduros, estes homens não serviam de nenhum proveito, eram inúteis, v. 2.

v. 3 -7 Eles eram pessoas entregues a mendicância, párias, escórias da sociedade. (Corriam dos credores? V. 5) Viviam como animais! Henry Morris os considera como os verdadeiros homens das cavernas (não meio-macacos, mas homens que por alguma razão ficaram mental e fisicamente deteriorados, que foram espalhados após a Babel e viviam nas cavernas e etc.)

v. 8 Eram os de classe mais baixa da terra.

Eles eram os que riam, debochavam e escarneciam de Jó (v. 1). Por isso Jó então se sentia o menor dos menores!

Que contraste! Enquanto a honra dos príncipes era adicionada a sua dignidade, o deboche destes homens, tão inferiores, era adicionado a sua desgraça.

Henry: “As crianças aprendem cedo, quando vêem seus pais se comportando assim, a serem debochadas.”

II. O tratamento cruel da parte deles, v. 9-14.

“Eles debocham, ridicularizam e compõem músicas a meu respeito, para demonstrar seu total desprezo por mim,” v. 9. D. Thomas chama isso de cianeto (veneno mortal) verbal! Eles se regozijavam na queda de Jó. Eles esperavam que isso acontecesse. O invejavam secretamente o tempo todo.

- Nunca subestime o quão cruel um homem caído pode ser! Mesmo que ele não tire nenhum proveito da calamidade de outrem. Ficam felizes ao ver outros sofrerem. (Irracional, maligno e diabólico. Um dos ataques de Satanás.)

“Ao invés de me ajudarem, eles me insultam e ofendem,” v.10.

“Por verem que Deus se voltou contra mim, eles se acham no direito de acrescentar algo mais a isso,” v. 11. Crueldade irrestrita.

v. 12 “Eles tropeçam em mim para me destruir.”

v. 13 “Eles corrompem a minha reputação (ou colocam armadilhas para mim).” Será que essa foi a fonte de onde seus três amigos tiraram suas idéias?

v. 14 Eles são muitos.

- Nisso Jó se assemelha ao nosso Salvador: Desprezado e rejeitado pelos homens. Escarnecido. Vergonhosamente tratado. Cuspido. Publicamente humilhado. Coroado com espinhos.

- Os servos do Mestre não deveriam esperar um tratamento melhor. Se não somos continuamente abusados pelos homens maus, é somente pelo fato de Deus os restringir.

- Quando isso ocorrer, lembre-se de ser igual a Cristo! não revide. Compare a resposta de Davi a Simei (II Sam. 16: 3-13). Que graça! Que autocontrole! Considere isso como vindo de Deus.

- Ser desprezado por homens desprezíveis é na verdade um elogio!

III. “Eu me sinto miserável por dentro e por fora.” V. 15-19.

Por dentro: tortura da alma, v.15-16. Derrama-se = desmanchar em lágrimas.

Por fora: Corpo completamente debilitado, v. 17-19. Doente demais para dormir. Suas vestes são crostas de feridas que purgam e escamam. “Eu pareço mais com um monte de lama do que com qualquer outra coisa.”

- Precisamos nos lembrar da nossa fragilidade e fraqueza, pois nossa vida está por um fio. Esquecemos disso até que Deus nos lembre (via doença, incapacitação). Mas, Ele não está nos fazendo um favor neste caso?...em nos tornar mais interessados na eternidade?

IV. Jó se volta para Deus, v. 20-23.

“Tu não ouves minhas orações, v. 20.

“Tu estás contra mim”, v. 21-22. Peneirado como grão, v. 22.

“Tu tens determinado por fim a minha vida, v. 23.

Jó está apenas descrevendo a aparência das coisas, ou ele está realmente amargurado? Difícil afirmar com certeza. (Com toda certeza ele irá se arrepender destas palavras.) Qualquer que seja o caso, ele não amaldiçoa a Deus. Um fundamento de esperança permanece (como veremos no v. 24).

Este tipo de pensamento é normal entre os santos quando passam pela fornalha da aflição do corpo ou da alma. *Não estranhe se Deus não responde rapidamente as orações e necessidades urgentes. O povo de Deus costuma pensar que O buscaram em vão. Mas, Ele certamente os ouve!... Ele tem um plano geral que engloba a presente calamidade, o sofrimento, a doença, o despontamento e a tragédia.

Deus estava contra Jó? Ele se esqueceu da Sua misericórdia? A providência externa aparentemente dá a entender isso. Deus está contra você? *Seja cuidadoso nestas ocasiões. Satanás sussurra: “Deus é seu inimigo”! Eu sou seu amigo!”

V. Um pensamento de conforto, v. 24.

“Deus não me perseguirá no túmulo. Pelo menos, quando eu for para lá, desfrutarei descanso...mesmo que meus inimigos continuem a clamar contra mim. Eu serei feliz então.”

- Se apegue a qualquer conforto ou esperança que a Bíblia ofereça (ou venha a mente)! Agarre-se a corda lançada a você e fique firme!

- A esperança a longo prazo deve nos encorajar, não importa quão obscuro seja o nosso vale.

VI. Um sofredor inocente, v. 25-31.

v. 25 Uma consciência pura é um conforto na morte. Compare Salmo 35: 13.

v. 26 Eventos inesperados. Ex: Não um julgamento por algum pecado específico.

v. 27 -32 Dor, doença e febre. Solitário quando em perigo (v. 29). Desfigurado (v. 30). Sem alegria (v.31).

Jó está perdido? Nunca! Através destas provações “Um caráter está emergindo em Jó. Ele nunca mais será o mesmo. Ele está aprendendo mais e mais a respeito de Deus e dos Seus caminhos. Aprendendo a confiar nEle, se inclinar à Ele, a clamar por Ele e a buscá-Lo na dor. Deus estabeleceu Jó como Seu campeão contra Satanás. Embora o campeão esteja sangrando pelos ferimentos da batalha, ele está vencendo.” (Thomas)

- Lembre-se: Satanás quer derrotar Deus através de você. Porém, Deus está derrotando Satanás através de você (enquanto você permanece em Cristo, o Vitorioso, a quem você está seguramente unido).

Observe:

1. Comparado com Jó (sem mencionar a Cristo), nossas provações são relativamente pequenas. Por que você reclama tão alto estando sob uma tão pequenina cruz?!

2. Nunca pense em Deus como seu inimigo! Jó sendo perfeito e reto foi tentado a isso, portanto, nós deveríamos esperar o mesmo. Use de todas as suas forças internas para manter pensamentos corretos a respeito de Deus em tempos de provação.


Daniel A. Chamberlin

segunda-feira, 16 de março de 2015

Eu, o Senhor, falei.


1 Este livro conta o que Jeremias disse e fez. Jeremias era filho de Hilquias, um dos sacerdotes da cidade de Anatote, no território da tribo de Benjamim. 2 Quando Josias, filho de Amom, estava no ano treze do seu reinado em Judá, o Senhor Deus falou com Jeremias. 3 E falou de novo quando Jeoaquim, filho de Josias, era rei. Depois disso, Deus falou com Jeremias muitas vezes, até o tempo em que o povo da cidade de Jerusalém foi levado como prisioneiro para fora da sua terra. Isso aconteceu no quinto mês do ano décimo primeiro do reinado de Zedequias, filho de Josias.
Deus chama Jeremias
4 O Senhor Deus me disse: 5— Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações. 6 Então eu disse:— Ó Senhor, meu Deus, eu não sei como falar, pois sou muito jovem. 7 Mas o Senhor respondeu:— Não diga que é muito jovem, mas vá e fale com as pessoas a quem eu o enviar e diga tudo o que eu mandar. 8 Não tenha medo de ninguém, pois eu estarei com você para protegê-lo. Sou eu, o Senhor, quem está falando. 9 Aí o Senhor estendeu a mão, tocou nos meus lábios e disse:— Veja! Eu estou lhe dando a mensagem que você deve anunciar. 10 Hoje, estou lhe dando poder sobre nações e reinos, poder para arrancar e derrubar, para destruir e arrasar, para construir e plantar. 11 O Senhor me perguntou:— O que é que você está vendo?— Um galho de amendoeira! — respondi. 12 O Senhor me disse:— Você está certo; eu também estou vigiando para que as minhas palavras se cumpram. 13 O Senhor falou comigo outra vez e perguntou:— O que mais você está vendo?Eu respondi:— Estou vendo no Norte uma panela fervendo e se derramando para o lado de cá. 14 Então o Senhor disse:— Do Norte, virá a destruição, que se derramará em cima de todos os que vivem nesta terra. 15 Eu vou chamar todas as nações do Norte. Os reis dessas nações chegarão aqui e colocarão o seu trono na frente dos portões de Jerusalém, em volta das suas muralhas e também em volta das outras cidades de Judá. 16 Vou castigar os seus moradores por causa da sua maldade. Eles me abandonaram, estão queimando incenso a outros deuses e adorando os ídolos que fizeram com as suas próprias mãos. 17 Jeremias, prepare-se para ir. Vá dizer a eles tudo o que eu mandar. Não tenha medo deles agora, pois, do contrário, eu farei com que você fique com mais medo ainda quando estiver no meio deles. 18-19 Escute, Jeremias! Todas as pessoas desta terra, isto é, os reis de Judá, as autoridades, os sacerdotes e o povo, vão ficar contra você. Mas hoje eu estou lhe dando forças para poder enfrentar essa gente. Você será como uma cidade cercada de muralhas, como um poste de ferro, como um muro de bronze. Eles não o derrotarão, pois eu estarei ao seu lado para protegê-lo. Eu, o Senhor, falei.

Minha consciência está limpa...


Deus iluminava o meu caminho
1 E Jó continuou a sua fala e disse:
2 “Ah! Se eu pudesse voltar meses atrás, para os dias em que Deus me protegia!
3 Naquele tempo, Deus iluminava o meu caminho, e com a sua luz eu podia andar na escuridão.
4 Naqueles dias, eu estava bem de vida, e a amizade de Deus era a proteção do meu lar.
5 O Todo-Poderoso estava comigo, e os meus filhos viviam ao meu redor.
6 Em casa sempre havia leite à vontade e também azeite, tirado das oliveiras plantadas entre as pedras.
7 Quando eu saía para a reunião do tribunal e me assentava entre os juízes, 8 os moços me viam e abriam passagem, e os idosos se punham de pé.
9 As pessoas mais importantes paravam de falar e ficavam em silêncio.
10 As autoridades se calavam; não diziam mais nada.
Eu era pai dos pobres
11 “Quem me ouvia falar me dava parabéns; os que me viam falavam bem de mim, 12 pois eu ajudava os pobres que pediam ajuda e cuidava dos órfãos que não tinham quem os protegesse.
13 Pessoas que estavam na miséria me abençoavam, e as viúvas se alegravam com o meu auxílio.
14 A minha justiça e a minha honestidade faziam parte de mim; eram como a roupa que eu uso todos os dias.
15 Eu era olhos para os cegos e pés para os aleijados.
16 Era pai dos pobres e defensor dos direitos dos estrangeiros.
17 Eu acabava com o poder dos exploradores e livrava das suas garras as vítimas.
Todas as pessoas me davam atenção
18 “Eu pensava assim: ‘Vou viver uma vida longa e morrer em casa, com todo o conforto.
19 Serei como uma árvore de raízes que chegam até a água, uma árvore que todas as noites é molhada pelo orvalho.
20 Todos só falarão bem de mim, e eu serei sempre vigoroso e forte.’
21 Todas as pessoas me davam atenção e em silêncio escutavam os meus conselhos.
22 Quando acabava de falar, ninguém discordava. As minhas palavras entravam na cabeça deles
como se fossem gotas de água na areia.
23 Todos as esperavam ansiosos, como se espera a chuva no tempo de calor.
24 Eu sorria para aqueles que tinham perdido a esperança; o meu rosto alegre lhes dava coragem.
25 Eu era como um chefe, decidindo o que eles deviam fazer; eu os dirigia como um rei à frente do seu exército e os consolava nas horas de aflição.


Comentário:

Os três amigos não tinham nada a acrescentar (v.1), sendo assim, Jó prossegue com seu último discurso (parábola ou provérbio, sábio ditado), capítulo 29-31.

29. A felicidade anterior

30. A presente tristeza

31. A afirmação final da sua integridade

v. 2 Um resumo deste capítulo. Duas maneiras de interpretarmos as palavras de Jó:

1- Egoisticamente: memórias felizes do passado que somente ressaltam seu presente cinismo. Os “velhos e bons dias” quando tudo estava bem... “Eu gostaria de voltar a ser honrado, mimado, orgulhoso, vivendo sem preocupações e livre das provações.” Isto faria com que Jó se tornasse muito imaturo ou um completo hipócrita.

2- Espiritualmente: “A reputação de Deus foi honrada enquanto eu era uma importante figura pública. Eu vivia para a glória de Deus. Mas, agora eu sou humilhado e o nome de Deus é desprezado.” Isto é o que mais se harmoniza com o Jó do capítulo 1, um homem temente a Deus, que buscava a Deus, um gigante espiritual. (Note também 3: 25-26, não vivia de maneira descuidada).

- Você deseja tranqüilidade, prosperidade, saúde e honra?...Esteja certo de que seja para a glória de Deus e não para satisfazer o seu próprio consumismo.

- Recordar os dias mais felizes do passado pode ser um exercício perigoso, se temos um coração inclinado ao descontentamento. Mas, isso pode ser um bom exercício, se somos agradecidos pelo passado e confiamos em Deus para o presente e para o futuro.

I. Memórias de conforto pessoal, v. 2-6

v. 3 Proteção e direção divina. Até mesmo que Satanás reconhece isso (1: 10) uma cerca foi colocada ao redor de Jó.

v. 4 Jovem e desfrutando da intimidade com Deus, sentindo Sua presença.

v. 5 Deus estava perto, assim como seus filhos. Porém, agora todos se foram, os filhos morreram e Deus parece distante.

v. 6 Abundante Riqueza. “Eu tinha muitas bocas para minha comida e muita comida para minhas bocas” Henry

Note: Ele fala da presença e da preservação de Deus como algo do passado. Mas, será que Deus não estava mais preservando Jó?! *Não devemos negligenciar as coisas que Deus está fazendo no presente... mesmo que Ele nos faça andar mais por fé do que por vista. Seja agradecido pelo seu processo de maturidade, pois é um processo que nos tira do leite (desmamar) para o alimento sólido.

*Vamos fazer dEle o nosso tudo!

II. Honra pública, v.7-10

v. 7 Porta da cidade: um lugar onde os líderes da cidade se reuniam e tratavam de negócios oficiais.

v. 8 -10 Jó era respeitado por todos, alguns de forma mais reservada, enquanto outros, o cumprimentavam. Imagine o silêncio que se fazia enquanto Jó se dirigia para o seu assento. Mesmo quando jovem, ele era tratado com muita dignidade, respeito e seriedade.

III. Utilidade pública, v. 11-17

v. 11 Ouvinte atento. Reconhecido por sua sabedoria, discernimento e julgamento equilibrado. Aprovado por todos.

v. 12 – 16a O pobre, o órfão, o necessitado e a viúva que eram oprimidos, todos eram ouvidos e ajudados por Jó.

v. 14 Julgamento justo.

v. 16 b Um perito das causas judiciais.

v. 17 Jó era um bravo e corajoso jurista e juiz. Não se deixava intimidar e nem aceitava suborno. Fazia justiça mesmo correndo riscos pessoais.

Ponto: “Eu era útil para o bem público, um servidor público. Longe de oprimir o pobre (como vocês 3 afirmam), Eu me virava do avesso para ajudá-los. Toda cidade é testemunha da minha reputação. Mas, agora não presto para nada.”

- Seja útil nessa vida! Sirva a Deus servindo a outros. As oportunidades nem sempre serão as mesmas de agora. Servir a si mesmo é promover a própria derrota, o suicídio. Sirva a outros!

IV. Futuro brilhante, v. 18-20

v. 18 Espere por uma vida longa, uma velhice abençoada, morrendo na companhia de amigos e de conforto.

v. 19 Como uma árvore bem alta, madura e bem nutrida.

v. 20 Honra e forças renovados constantemente. Isto seria como o homem louco de Lucas 12? Só se Jó fosse o hipócrita que seus amigos afirmavam ser. Entretanto, sua confiança estava no Senhor e sua consciência era pura. Nenhuma confissão de pecado, por exemplo: “As minhas iniqüidades finalmente me encontraram.” Mas, ao invés disso; “Não há motivo para que eu seja provado, pois andava retamente.”

V. Poder público, v. 21-25

v. 21 – 22 Eu tinha a última palavra.

v. 23 Outros ficavam ansiosos para ouvir a minha opinião.

v. 24 “Se me comportava informalmente, isso não diminuía o respeito deles por mim.” Familiaridade não gerava desprezo, pois Jó era piedoso em suas atitudes.

v. 25 Uma mistura de líder forte e amigo compassivo. Sábio conselheiro.

Ponto: “Tudo isso era verdade! Eu não abusei do poder ou da prosperidade que possuía.
Minha consciência está limpa.”

Observe:

1. Reconheça Deus como a fonte de toda felicidade e utilidade, v. 2, assim como da adversidade. Submeta-se às Suas providências. Durham: “Aqueles que não suportam bem as aflições, nunca aprenderão a receber bem a prosperidade”.

2. Honre aqueles a quem a honra é devida por sua virtude e posição. Mais ainda, esforce-se para ser digno de honra por exaltar a Cristo através da obediência.

3. Mantenha uma consciência pura, para que quando a adversidade chegar, você possa honestamente dizer: “Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses passados...sem acrescentar: exceto por aquele pecado que ocultei cuidadosamente...”

4. Não meça a presença de Deus (favor) pelas providências externas. Caminhe pela fé, não por vista.

5. Esteja preparado para mudanças. Grandes reviravoltas na vida. Viúves, etc. Tranqüilidade terrena não dura muito, pois; ou ela irá murchar, ou nós murcharemos. Veja a citação de Calvino por Thomas.

Daniel A. Chamberlin

domingo, 15 de março de 2015

Sabedoria...“Nós apenas ouvimos falar dela.”


Olhos abertos para tudo o que é precioso
1 Há minas de onde se tira a prata, há lugares onde se refina o ouro.
2 O ferro é tirado da terra, e das pedras se derrete o cobre.
3 Os mineiros levam luz para debaixo da terra; eles exploram lugares profundos e ali, na escuridão, procuram minérios.
4 Longe das cidades, em lugares por onde ninguém passa, eles abrem os poços das minas. E trabalham na solidão, pendurados e balançando de um lado para outro.
5 Por cima deles, a terra produz trigo e por baixo está toda rasgada e esmigalhada.
6 As suas pedras contêm safiras, e no seu pó se encontra ouro.
7 As águias não veem o caminho que desce para as minas, e os falcões também não o conhecem.
8 Os leões e outros animais ferozes nunca descem por esse caminho.
9 Os homens cavam as rochas mais duras e cortam as montanhas até o chão.
10 Eles furam túneis nas pedras, com olhos abertos para tudo o que é precioso.
11 Eles cavam até chegar às nascentes dos rios e trazem para a luz o que estava escondido.
O valor da sabedoria
12 Mas onde pode ser achada a sabedoria? Em que lugar está a inteligência?
13 Os seres humanos não conhecem o valor da sabedoria e não a encontram neste mundo.
14 O Oceano afirma: “Aqui não está”, e o Mar diz: “Aqui também não.”
15 Ela não pode ser comprada com ouro, nem trocada por prata.
16 Não se compra a sabedoria com o ouro mais puro, nem com pedras preciosas, como a ágata ou a safira.
17 Ela vale mais do que o ouro ou o vidro; não se pode trocá-la por joias de ouro puro.
18 Do coral e do cristal nem se fala; a sabedoria é mais valiosa do que as pérolas.
19 O topázio da Etiópia não se compara com ela; e ela não pode ser comprada com o ouro mais puro.
Só Deus sabe onde está a sabedoria
20 De onde vem, então, a sabedoria? Em que lugar está a inteligência?
21 Nenhum ser vivo pode vê-la, nem mesmo as aves que voam no céu.
22 Até a Destruição e a Morte dizem: “Nós apenas ouvimos falar dela.”
23 Só Deus conhece o caminho; só ele sabe onde está a sabedoria 24 porque a sua vista alcança os lugares mais distantes do mundo; ele vê tudo o que acontece aqui na terra.
25 Quando Deus regulou a força dos ventos e marcou o tamanho do mar; 26 quando decidiu onde a chuva devia cair e por onde a tempestade devia passar; 27 foi então que ele viu a sabedoria, e a examinou, e aprovou.
28 E ele disse aos seres humanos: “Para ser sábio, é preciso temer o Senhor; para ter compreensão, é necessário afastar-se do mal.”

Comentário:

Aqui temos o melhor de Jó. Alguns o vêem apenas fazendo uma pausa, em virtude do debate estar tão acirrado, para se focar em Deus. Mas, eu vejo Jó tratando da questão da aparente injustiça de Deus, ao tratar dos homens de maneira diferente (Ex: alguns ímpios prosperam nesta vida, enquanto alguns justos sofrem). Jó chega tão perto de uma resposta, quanto um finito mortal pode chegar. Deus tem sábios propósitos que estão além da nossa capacidade de compreensão. Algumas coisas são mantidas em segredo, não nos sendo reveladas nesta vida. Green: “Há um mistério envolvendo a administração divina que é totalmente impenetrável ao entendimento humano.”

Grandes questões no v. 12 e 20. Grandes respostas no v. 23.

I. A sabedoria humana na busca por tesouros, v. 1-11.
Jó evidentemente está se referindo a tecnologia da sua época, que escavava até aos veios mais profundos da terra, em busca dos metais preciosos como a prata e o ouro, v. 1; ferro e cobre v. 2; safira, v.6.
v. 3 Dentro dos túneis das minas havia necessidade de luz artificial (já conhecida naquela época então). Eram lugares tão perigosos quanto hoje em dia o são.
v. 4 As águas subterrâneas não eram um empecilho para os homens. Eles arrumavam um meio de drená-las.
v. 5 Método de se colocar fogo no túnel. Quando as pedras estavam quentes, jogava-se água nelas, fazendo com que se rachassem e assim fossem retiradas.
v. 7 Os mineradores chegavam a lugares onde ave alguma havia chegado (v. 8) nem animal algum havia pisado.
v. 9 Cavando debaixo das montanhas.
v. 10 Sistema de drenagem para limpar as minas.
v. 11 Sistema de segurança para evitar que a mina fosse inundada.
Que diligência e genialidade! Superava-se cada obstáculo. Que sucesso!

II. A inabilidade do homem na busca dos tesouros de Deus, v. 12-22.
v. 12 Você pode cavar fundo o suficiente para encontrar a sabedoria e o conhecimento? Henry: “As cavernas da terra podem ser descobertas, mas não os conselhos do céu. Os homens podem mais facilmente vencer as dificuldades que encontram na busca de tesouros terrenos, do que aquelas que encontram para obter sabedoria divina. Eles sofrem muito mais para aprender como viver neste mundo, do que como viver para sempre num mundo melhor.” Nossa habilidade versus nossa inabilidade. Nenhum esforço na procura das coisas profundas de Deus. Nossa tolice em trabalhar muito pelo ouro e pouco pela graça e glória.
v. 13 e 15 Sabedoria e conhecimento não estão à venda, não podem ser comprados.
v. 14 Não podem ser descobertos, nem “tropeçamos” sobre eles.
v. 16 -19 O valor imensurável da sabedoria de Deus.
v. 20 A grande pergunta é repetida novamente.
v. 21 Ninguém no mundo pode encontrá-la.
v. 22 As almas dos que morreram podem começar a ter um vislumbre dela.

III. A sabedoria de Deus oculta e a revelada, v. 23-28.
1. Ele mantém alguns segredos consigo mesmo! v. 23. Toda sabedoria e entendimento pertencem a Ele.
v. 24 -27 Exemplos da grande sabedoria de Deus: pesar o vento e a água; controlar o ciclo hidrológico, o relâmpago e trovão. De acordo com Morris, “O fato de o ar possuir um peso, é um fato provado cientificamente apenas cerca de 300 anos atrás.”... Mas, Deus revelou isso a Jó! Deus colocou a quantidade exata de ar e água para que a terra pudesse sustentar a vida. (Aqui há sabedoria além do nosso alcance! Nossa sabedoria na escavação de uma mina é apenas um pálido reflexo da sabedoria do nosso Criador.)
v. 27 “Quando Deus determinou estas coisas, em Seu conselho celestial, Ele também determinou como agiria em tudo aquilo que diz respeito à vida do homem, que é o assunto que nós quatro temos debatido esse tempo todo.”
2. As coisas que nos foram reveladas: v. 28, Temer a Deus e apartar-se do mal. Estas duas coisas são especialmente mencionadas a respeito de Jó no capítulo 1: 1 e 8, e no capítulo 2: 3. “Esta tem sido a minha posição o tempo todo!...Caminhar na luz que eu tenho, e deixar tudo mais para os sábios propósitos de Deus. Mas, vocês três têm tirado conclusões apressadas a respeito de coisas que desconhecem.”

Observe:

1. A sabedoria é louvada no livro de Provérbios. O Novo Testamento nos ensina a orar para adquiri-la. A vida sem sabedoria dada por Deus é vaidade (carece de sentido ou valor-Eclesiastes). O temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Provérbios 1: 7; 9: 10; Salmo 111: 10). *Conhecer a Deus é essencial para que tenhamos um conhecimento apropriado de todas as outras coisas.
2. A despeito de toda a nossa habilidade e conhecimento, não sabemos nada a respeito dos grandes temas da vida, a menos que Deus nos ilumine e nos esclareça. “Quem é você?”
Há uma historinha a respeito do famoso filósofo do pessimismo, Arthur Schopenhauer (1788 - 1860), que estava assentado meio maltrapilho num parque de Frankfurt, e um guarda do parque, que o confundiu com um mendigo ou vagabundo, lhe perguntou: Quem é você? Ao que o filósofo exclamou: Como eu gostaria de saber!
*Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência! (Colossenses 2: 3), o qual para nós foi feito por Deus sabedoria (I Coríntios 1: 30). Ele é o alicerce inabalável, a âncora firme em meio a um mar de mudanças, incertezas e relatividades. Ele é o absoluto.
3. Não precisamos saber como Deus governa o mundo, mas devemos saber como Ele nos governa! Conhecimento especulativo versus conhecimento prático. O conhecimento proveitoso é aquele que nos ensina como devemos viver. Teme a Deus como uma criança teme aos seus amados pais. Fuja do mal. Confie. Seja humilde. Permaneça em tremor.
4. Quando a providência de Deus for dolorosa, misteriosa e incompreensível para nós, a atitude mais segura é nos ocuparmos na prática dos deveres santos, ao invés de nos bisbilhotarmos em Seus propósitos secretos. (E não se preocupe, ou se irrite!) Romanos 8: 28; 11: 33.

Daniel A. Chamberlin


Insistirei na minha inocência


Resposta de Jó
Insistirei na minha inocência
1 E Jó continuou em sua fala e disse: 
2“Juro por Deus, pelo Todo-Poderoso, que não quer me fazer justiça e que enche de amargura o meu coração, 3 juro que, enquanto ele me der forças para respirar, 4 os meus lábios nunca dirão coisas más, e a minha língua não contará mentiras.
5 Nunca direi que vocês têm razão de me acusar; enquanto viver, insistirei na minha inocência.
6 Fico firme e não desisto de dizer que estou certo, pois a minha consciência nunca me acusou.
Que meus inimigos sejam castigados
7 “Que todos os que são contra mim, os que são meus inimigos, sejam castigados como os maus, como os perversos!
8 Que esperança terão os ateus quando Deus lhes tirar a vida?
9 Quando estiverem em dificuldades, ele não ouvirá os seus gritos, 10 pois Deus não é a alegria deles,
e eles nunca fizeram orações ao Todo-Poderoso.
11 “Vou ensinar a vocês como é grande o poder de Deus, vou explicar os planos do Todo-Poderoso.
12 Não, não é preciso, pois vocês todos já viram isso. Então por que é que ficam aí dizendo bobagens?”
Quarta fala de Zofar
Deus castiga os maus
13 “Vou dizer como Deus, o Todo-Poderoso, castiga os homens maus e violentos.
14 As suas crianças passarão fome, e os seus filhos, mesmo que sejam muitos, morrerão na guerra;
15 os que ficarem vivos morrerão de doença, e as suas viúvas não chorarão por eles.
16 “O perverso pode ajuntar prata aos montes, pode ter muita roupa, muita mesmo, 17 mas algum dia uma pessoa direita usará essas roupas, e um homem honesto ficará com a prata. 
18 A casa que o homem mau constrói dura tão pouco tempo como uma teia de aranha ou como a cabana de um vigia numa plantação.
19 O homem mau vai rico para a cama, mas é pela última vez, pois, quando acorda, a sua riqueza já se foi.
20 O terror o arrasará como se fosse uma enchente, e de noite a tempestade o jogará longe.
21 O vento violento do Leste o arrancará da sua casa, 22 soprando contra ele sem piedade, enquanto ele faz tudo para escapar.
23 Ele corre, e o vento assobia e o apavora com o seu poder destruidor.”

Comentário:

Talvez a nossa expectativa fosse a de ouvir Zofar falar aqui. Ao invés disso, provavelmente após uma pausa, e o silêncio de Zofar, Jó continua a expor aquilo que pensa. (Capítulos 27-28 um discurso.)

Revisão: Satanás está confiante que Jó irá blasfemar de Deus. Satanás quer derrotar Deus através de Jó. Muita coisa está em risco. (* Nós levamos a sério a nossa própria experiência? Há muito mais em risco do que podemos imaginar!)

O último e grande ataque de Satanás: 3 amigos que esmagam Jó com a teologia rasa do evangelho da prosperidade. O falso dilema deles: “Se Deus está certo; Jó está errado, ou se Jó está certo; Deus está errado!” A posição de Jó: “Deve haver uma maneira de provar que tanto Deus, quanto eu, estamos certos. Não consigo enxergá-la, mas eu sei que estou certo!” (Por causa disso seus amigos o consideravam como um blasfemo.)

V. 1 discurso ou parábola, não no sentido de comparação ou similitude, mas instrução moral, seu argumento por completo, freqüentemente traduzido como provérbio.

I. Jó afirma sua integridade, v. 2-6.

1. Ele faz uso de um juramento para reforçar a certeza e a seriedade do que está prestes a dizer, v. 2a.

Ele alarga seu discurso sobre Deus v. 2b. “Aquele que recusou ser o juiz da minha causa e reteve Sua justiça. Este Deus Poderoso amargurou a minha alma e me afligiu.” Mais tarde estas palavras irão perseguir Jó (Cap. 34). Em meio a um grande sofrimento, ele exagera o caso, mas não blasfema de Deus.

- Não falemos apressadamente ou em autopiedade. Quantas vezes agimos assim na tentativa de nos justificar, mesmo que isto signifique lançar uma sombra de dúvidas no caráter de Deus! Tome cuidado com isso!

- Não devemos estar contentes apenas pelo fato de não blasfemarmos contra Deus, mas devemos estar certos que O honramos em tudo o que falamos.

- Deus é justo, porém, Seu método de justiça nem sempre é totalmente claro para a nossa visão deturpada. Devemos ser prontos a honrar Sua justiça e censurar a nossa incapacidade de vê-la ou medi-la.

2. “Estou resolvido e determinado a falar a verdade.” V. 3-4. Longe de blasfemar de Deus, Jó continua confiando e obedecendo a Ele com um coração puro. Ele reconhece sua própria fragilidade e dependência de Deus, v. 3. “Enquanto Deus me der vida...” ex: pela sua graça e capacidade.

- Nossos melhores planos e determinações estão sujeitos a que Deus nos preserve física e espiritualmente com vida.

3. “Concordar com vocês seria violar a minha consciência, o qual eu não ouso fazer. Eu devo manter a minha integridade.” V.5-6.

“Continuarei a confiar em Deus, haja o que houver. Mesmo que o céu desabe.”

- Devemos permanecer pacientemente no caminho da obediência, mesmo que não saibamos aonde isso nos levará. Ver Thomas p. 207.

- É errado confessarmos quando não somos culpados, admitir o que não fizemos só para mantermos a paz, etc. Isso viola nossa consciência, enfraquece nossa posição e ajuda a causa do inimigo. (Se a sua consciência está clara, não ouça ou aceite os argumentos de Satanás.)

II. “A hipocrisia não é vantajosa”, v. 7-10.

7. “Eu estou do lado do justo.” (Implica: “Vocês 3 estão do outro lado!)

Uma imprecação (pedindo julgamento sobre os inimigos). Considere:

- Nosso interesse deve ser a glória de Deus e não simplesmente o nosso próprio nome, ou tranqüilidade. Sem vingança pessoal.

- Não podemos orar “Venha o Teu reino” sem lembrarmos que o reino das trevas será destruído.

- No julgamento final, é exatamente isso o que ocorrerá com aqueles que não se arrependeram.

V. 8-10 Uma série de questões mostrando a tolice da hipocrisia.

- O hipócrita não tem esperança, v. 8. Comp. o rico e tolo de Lucas 12.

- A oração do hipócrita não é ouvida, v. 9. Comp. As virgens de Mateus 25.

- O hipócrita não tem prazer verdadeiro em Deus, v. 10. Portanto, ele não ora, a não ser por propósitos egoístas.

A posição de Jó: “Eu sou tão contrário aos malfeitores como vocês são. Eu seria um tolo se fosse culpado daquilo que vocês me acusam. Deus é a minha única esperança!”

- Deleitar-se em Deus e na oração são marcas de um coração verdadeiro. Em que você se deleita?

Durham: “Ter acesso a Deus em oração é uma condição mais feliz do que toda prosperidade...”

Henry: “Todos nós deveríamos escolher a condição de um mendigo do que a de um fora da lei, a de um escravo num navio, ou qualquer coisa do tipo, do que a condição de ímpio, apesar da muita pompa e prosperidade externa que possam oferecer. ...A razão dos hipócritas não permanecerem na fé, é o fato deles não terem prazer nisso.”

- Quando estiver com problemas, não deixe a comunhão com Deus. Ser provado, e ainda permanecer adorando a Deus, é a marca de um coração sincero, não a de um hipócrita.

III. O fim miserável do ímpio, v. 11-23.

v. 11 *Esteja disposto a aprender com um pobre e doente professor!

v. 12 “Isto é razoável, e vocês sabem disso. Vocês continuam errando com seus argumentos vazios!” (Note o plural aqui: ele está falando aos três.)

1. Deus castigará o ímpio nos seus filhos, v. 13-15.

2. Deus castigará o ímpio com a sua própria prosperidade, v. 16-18

v. 17 Compare com Provérbios 13: 22 e 28: 8.

v. 18 A traça faz a sua casa nas roupas somente para ser sacudida para fora delas. Um pastor ou viajante estende a sua tenda, mas ela é apenas temporária.

3. Deus castigará o ímpio na sua própria pessoa, v. 19-23.

v. 19 Não encontra descanso, de tão preocupado com suas riquezas. Sua vida passa rapidamente, como num piscar de olhos. Henry: “Dinheiro é como adubo, não serve para nada se não for espalhado.”

v. 22 Não escapa da morte

v. 23 Boa despedida! É triste ser esquecido, mas é mais triste ainda ser desprezado na morte.

Ponto: Deus fará justiça no final! (*...sendo assim, não duvide de que Ele seja justo neste momento!) Este foi o argumento de Jó o tempo todo.

Pergunta de alguns: Por que Jó parece concordar com o que os três haviam dito anteriormente? Será que eles estavam chegando a um denominador comum?

A. Penso que Jó estava alertando-os! “Seria melhor vocês ouvirem os seus próprios conselhos. Tomem do seu próprio remédio. Ouçam o seu próprio sermão! Vocês estão no alto e a seco agora, mas isso nem sempre será assim, especialmente após a morte!” Jó é corajoso em tomar a ofensiva aqui. Sua fé foi abalada, mas permanecia intacta. Ele era tão confiante em Deus, que podia falar assim.

Muitos que agora se acham em conforto, serão afligidos na eternidade. Muitos que agora são afligidos, serão confortados na eternidade. Com esta verdade em mente, caminhe confiando em Deus pela fé, mesmo que o seu mundo desabe! Mantenha a perspectiva. Continue olhando para Cristo e confiando nEle.

#41 Louvando a sabedoria de Deus

Daniel A. Chamberlin

sábado, 14 de março de 2015

Por que é que vocês mesmos não decidem qual é a maneira certa de agir?


A respeito da falsidade
1 Milhares de pessoas se ajuntaram, de tal maneira que umas pisavam as outras. Então Jesus disse primeiro aos discípulos:— Cuidado com o fermento dos fariseus, isto é, com a falsidade deles. 2 Tudo o que está coberto vai ser descoberto, e o que está escondido será conhecido. 3 Assim tudo o que vocês disserem na escuridão será ouvido na luz do dia. E tudo o que disserem em segredo, dentro de um quarto fechado, será anunciado abertamente.
De quem devemos ter medo
4 Jesus continuou:— Eu afirmo a vocês, meus amigos: não tenham medo daqueles que matam o corpo, mas depois não podem fazer mais nada. 5 Vou mostrar a vocês de quem devem ter medo: tenham medo de Deus, que, depois de matar o corpo, tem poder para jogar a pessoa no inferno. Sim, repito: tenham medo de Deus. 6 — Por acaso não é verdade que cinco passarinhos são vendidos por algumas moedinhas? No entanto Deus não esquece nenhum deles. 7 Até os fios dos cabelos de vocês estão todos contados. Não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos!
Confessar e negar a Cristo
8 Jesus disse ainda:— Eu digo a vocês que, se alguém afirmar publicamente que é meu, então o Filho do Homem também afirmará, diante dos anjos de Deus, que essa pessoa é dele. 9 Mas aquele que disser publicamente que não é meu, o Filho do Homem também dirá diante dos anjos de Deus que essa pessoa não é dele. 10 — Quem falar contra o Filho do Homem será perdoado, porém quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado. 11 — Quando levarem vocês para serem julgados nas sinagogas ou diante dos governadores e autoridades, não fiquem preocupados, pensando como vão se defender ou o que vão dizer. 12 Pois naquela hora o Espírito Santo lhes ensinará o que devem dizer.
O rico sem juízo
13 Um homem que estava no meio da multidão disse a Jesus:— Mestre, mande o meu irmão repartir comigo a herança que o nosso pai nos deixou. 14 Jesus disse:— Homem, quem me deu o direito de julgar ou de repartir propriedades entre vocês? 15 E continuou, dizendo a todos:— Prestem atenção! Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas. 16 Então Jesus contou a seguinte parábola:— As terras de um homem rico deram uma grande colheita. 17 Então ele começou a pensar: “Eu não tenho lugar para guardar toda esta colheita. O que é que vou fazer? 18 Ah! Já sei! — disse para si mesmo. — Vou derrubar os meus depósitos de cereais e construir outros maiores ainda. Neles guardarei todas as minhas colheitas junto com tudo o que tenho. 19 Então direi a mim mesmo: ‘Homem feliz! Você tem tudo de bom que precisa para muitos anos. Agora descanse, coma, beba e alegre-se.’ ” 20 Mas Deus lhe disse: “Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?” 21 Jesus concluiu:— Isso é o que acontece com aqueles que juntam riquezas para si mesmos, mas para Deus não são ricos.
Confiança em Deus
22 Então Jesus disse aos seus discípulos:— É por isso que eu digo a vocês: não se preocupem com a comida que precisam para viver nem com a roupa que precisam para se vestir. 23 Pois a vida é mais importante do que a comida, e o corpo é mais importante do que as roupas. 24 Vejam os corvos: não semeiam, não colhem, não têm despensas nem depósitos, mas Deus dá de comer a eles. Será que vocês não valem muito mais do que os pássaros? 25 Qual de vocês pode encompridar a sua vida, por mais que se preocupe com isso? 26 Portanto, se vocês não podem conseguir uma coisa assim tão pequena, por que se preocupam com as outras? 27 Vejam como crescem as flores do campo: elas não trabalham, nem fazem roupas para si mesmas. Mas eu afirmo a vocês que nem mesmo Salomão, sendo tão rico, usava roupas tão bonitas como uma dessas flores. 28 É Deus quem veste a erva do campo, que hoje está aqui e amanhã desaparece, queimada no forno. Então é claro que ele vestirá também vocês, que têm uma fé tão pequena! 29 Portanto, não fiquem aflitos, procurando sempre o que comer ou o que beber. 30 Pois os pagãos deste mundo é que estão sempre procurando todas essas coisas. O Pai de vocês sabe que vocês precisam de tudo isso. 31 Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus, e Deus lhes dará todas essas coisas.
Riquezas no céu
32 Jesus continuou:— Meu pequeno rebanho, não tenha medo! Pois o Pai tem prazer em dar o Reino a vocês. 33 Vendam tudo o que vocês têm e deem o dinheiro aos pobres. Arranjem bolsas que não se estragam e guardem as suas riquezas no céu, onde elas nunca se acabarão; porque lá os ladrões não podem roubá-las, e as traças não podem destruí-las. 34 Pois onde estiverem as suas riquezas, aí estará o coração de vocês.
Os empregados alertas
35 E Jesus disse ainda:— Fiquem preparados para tudo: estejam com a roupa bem presa com o cinto e conservem as lamparinas acesas. 36 Sejam como os empregados que esperam pelo patrão, que vai voltar da festa de casamento. Logo que ele bate na porta, os empregados vão abrir. 37 Felizes aqueles empregados que o patrão encontra acordados e preparados! Eu afirmo a vocês que isto é verdade: o próprio patrão se preparará para servi-los, mandará que se sentem à mesa e ele mesmo os servirá. 38 Eles serão felizes se o patrão os encontrar alertas, mesmo que chegue à meia-noite ou até mais tarde. 39 Lembrem disto: se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão viria, não o deixaria arrombar a sua casa. 40 Vocês, também, fiquem alertas, porque o Filho do Homem vai chegar quando não estiverem esperando.
O empregado fiel e o empregado infiel
41 Então Pedro perguntou:— Senhor, essa parábola é só para nós ou é para todos? 42O Senhor respondeu:— Quem é, então, o empregado fiel e inteligente? É aquele que o patrão encarrega de tomar conta da casa e de dar comida na hora certa aos outros empregados. 43 Feliz aquele empregado que estiver fazendo isso quando o patrão chegar! 44 Eu afirmo a vocês que, de fato, o patrão vai colocá-lo como encarregado de toda a sua propriedade. 45 Mas imaginem o que acontecerá se aquele empregado pensar que o seu patrão está demorando muito para voltar. E imaginem que esse empregado comece a bater nos outros empregados e empregadas e a comer e a beber até ficar bêbado. 46 Então o patrão voltará no dia em que o empregado menos espera e na hora que ele não sabe. Aí o patrão mandará cortar o empregado em pedaços e o condenará a ir para o lugar aonde os desobedientes vão. 47 — O empregado que sabe qual é a vontade do patrão, mas não se prepara e não faz o que ele quer, será castigado com muitas chicotadas. 48 Mas o empregado que não sabe o que o patrão quer e faz alguma coisa que merece castigo, esse empregado será castigado com poucas chicotadas. Assim será pedido muito de quem recebe muito; e, daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido.
Divisão por causa de Jesus
49 Jesus continuou:— Eu vim para pôr fogo na terra e como eu gostaria que ele já estivesse aceso! 50 Tenho de receber um batismo e como estou aflito até que isso aconteça! 51 Vocês pensam que eu vim trazer paz ao mundo? Pois eu afirmo a vocês que não vim trazer paz, mas divisão. 52 Porque daqui em diante uma família de cinco pessoas ficará dividida: três contra duas e duas contra três. 53 Os pais vão ficar contra os filhos, e os filhos, contra os pais. As mães vão ficar contra as filhas, e as filhas, contra as mães. As sogras vão ficar contra as noras, e as noras, contra as sogras.
Os sinais dos tempos
54 Jesus disse também ao povo:— Quando vocês veem uma nuvem subindo no oeste, dizem logo: “Vai chover.” E, de fato, chove. 55 E, quando sentem o vento sul soprando, dizem: “Vai fazer calor.” E faz mesmo. 56 Hipócritas! Vocês sabem explicar os sinais da terra e do céu. Então por que não sabem explicar o que querem dizer os sinais desta época?
A paz com o inimigo
57 E Jesus terminou, dizendo:— Por que é que vocês mesmos não decidem qual é a maneira certa de agir? 58 Se alguém fizer uma acusação contra você e levá-lo ao tribunal, faça o possível para resolver a questão enquanto ainda está no caminho com essa pessoa. Isso para que ela não o leve ao juiz, o juiz o entregue ao guarda, e o guarda ponha você na cadeia. 59 Eu lhe afirmo que você não sairá dali enquanto não pagar a multa toda.

Quem pode compreender a verdadeira grandeza do seu poder?”


Jó critica Bildade
1 Então Jó em resposta disse: 
2 “Bildade, eu estou fraco, sem forças; como você me ajuda e me consola!…
3 Como você é bom para dar conselhos e gastar a sua sabedoria com um ignorante como eu!
4 Quem foi que o ajudou a dizer essas palavras? Quem o inspirou a falar assim?” 
Continuação da terceira fala de Bildade
A grandeza do poder de Deus
5 “Os mortos tremem de medo nas águas debaixo da terra.
6 Para Deus o mundo dos mortos é aberto; não há cobertura que o impeça de ver o que lá acontece.
7 Deus estendeu o céu sobre o vazio e suspendeu a terra por cima do nada.
8 Ele prende a água nas nuvens, e elas não se rasgam com o seu peso.
9 Ele cobre a cara da lua cheia, estendendo sobre ela uma nuvem.
10 Deus separou a luz da escuridão por meio de um círculo desenhado no mar.
11 Quando ele ameaça as colunas que sustentam o céu, elas se assustam e tremem de medo.
12 Com o seu poder, Deus dominou o Mar; com a sua inteligência, derrotou o monstro Raabe.
13 Com o seu sopro, Deus limpou o céu e, com a sua mão, matou a Serpente fugitiva.
14 Mas essas coisas são apenas uma amostra, um eco bem fraco do que Deus é capaz de fazer.
Quem pode compreender a verdadeira grandeza do seu poder?”


Comentário:

O discurso de Jó nestes capítulos encerra o último dos três ciclos. Lembremo-nos que Bildade falou muitas verdades a respeito de Deus no capítulo 25, ou seja; Seu poder e autoridade, e também sobre a impureza e brevidade do homem. Mas, vimos que ele não demonstrou nenhuma simpatia para com Jó, nem esperança de justificação alguma para ninguém.

Henry observa: “Tudo o que bom e verdadeiro nem sempre é adequado e apropriado. Para alguém que se encontrava humilhado, abatido e angustiado de espírito, como Jó, ele (Bildade) deveria ter pregado a respeito da graça e da misericórdia de Deus, ao invés da Sua grandeza e majestade, para que colocasse diante de Jó as consolações, ao invés do terror do Todo-Poderoso. Cristo sabe como falar de maneira apropriada ao cansado (Isaías 50: 4), e os seus ministros deveriam manejar bem a palavra da verdade, e não entristecer aqueles a quem Deus não entristeceu, como fez Bildade.”

Bem que Jó poderia ter respondido com sarcasmo, como o fez no começo da sua resposta!

I. Jó ironiza de Bildade, v. 2-4.

“Muitíssimo obrigado, Bildade! Você realmente me ajudou, me confortou e me livrou. Você acaba de resolver todos os problemas!”

Na realidade, “Você não me ajudou em nada, nem me trouxe conforto e nem fez alguma contribuição positiva para toda essa discussão!” (v. 2-3)

É impressionante como um homem que estava tão doente e ferido quanto Jó, ainda estivesse em pleno uso de suas faculdades, utilizando-se do artifício do sarcasmo e da ironia. Deus é quem o sustentava.

V. 4a “Você pensou que estivesse ensinando alguém totalmente ignorante.”

V. 4b A cutucada mais profunda de todas: Implicava em que Deus não o havia enviado para dizer tudo aquilo, mas algum outro espírito (ex: o dele mesmo ou um espírito mau!). Será que Jó começara a ter a perspectiva do envolvimento de Satanás?

Como isso deve ter esvaziado a Bildade! O orgulho intelectual murchou.

Deus sabe como nos humilhar. O orgulho deve ser reprimido! (Será que Bildade estava demonstrando seu conhecimento de Deus para receber louvor e reconhecimento dos homens? Vamos ser cuidadosos! Deus pode nos humilhar também.)

II. Os poderosos feitos de Deus, v. 5-13.

Uma das passagens mais extraordinárias de toda a Bíblia a respeito das grandes obras de Deus, em toda natureza e na humanidade. É difícil saber exatamente o que Jó tinha em mente em algumas frases (ou saber se Jó possuía um conhecimento científico preciso daquilo que estava dizendo!), mas o panorama geral é claro: “Bildade, você não falou nada daquilo que eu já não soubesse. Todavia, deixe-me adicionar mais algumas coisas àquilo que você falou a respeito da majestade de Deus!” (Similar ao que Jó fez no capítulo 12-13, superando a sabedoria de Zofar.) Note: Jó somente fez isso quando provocado e forçado, a fim de humilhar o intelecto orgulhoso. Barnes aponta para a superioridade da sabedoria de Jó sobre Bildade assim: Bildade via a supremacia de Deus sobre todo o céu, enquanto Jó diz que Sua supremacia atinge os mortos, aqueles que estão debaixo da terra. Jó começa com a parte mais baixa, subindo até as estrelas.

V. 5 Talvez uma referência as almas dos que morreram no dilúvio.

V. 6 Deus vê o sheol (partes mais baixas da terra, para onde vão os espíritos dos homens). O abadom não está oculto aos olhos de Deus, Seu domínio estende-se às partes mais baixas do inferno (Apoc. 14: 10. Como Jonathan Edwards pregou: Tanto o justo quanto o injusto passarão a eternidade na imediata presença de Deus, pois Ele será o céu para um, e o inferno para o outro.

V. 7 O vazio = sem forma e vazia como em Gênesis 1: 2. Deus cobre o céu como uma cortina, o estende como uma tenda para habitar nele (Isaías 40: 22, Salmo 104: 2). (Henry Morris vê aqui uma grande base científica com relação ao eixo da terra.)

Suspende a terra sobre o nada. Globo terrestre suspenso no ar.

Henry: “A arte do homem não é capaz de sustentar uma pena sobre o nada, entretanto, a sabedoria divina sustenta toda a terra desta maneira.” Ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder (Hebreus 1: 3).

V. 8 Ciclo hidrológico. Como se Deus armazenasse a umidade e depois a despejasse gota por gota (ao invés de um “aguaceiro”). O homem não pode produzir chuva a partir disso!

V. 9 Como se a atmosfera e as nuvens ocultassem a Deus (que é invisível, é claro).

V. 10 Ele circunda, cerca as águas. Evidentemente se refere ao concerto que Deus fez com a terra após o dilúvio, Gênesis 8: 21, 9: 15.

V. 11 As colunas pode ser uma referência a altura das montanhas, que tremem quando troveja.

V. 12 Controle sobre as grandes extensões de água que amedrontam os homens. Criação ou dilúvio? A soberba pode ser uma referência a algum lendário monstro marinho ou um grande dinossauro.

V. 13 Agora num nível que os homens podem observar: o céu enfeitado de estrelas. A serpente enroscadiça pode ser uma referência a alguma constelação. (Barnes argumenta que seria a constelação do dragão, a que Virgil se refere.)

III. O ponto de todo este discurso, v. 14.

Contemple a grandeza, glória e majestade de Deus!...Mas, isto é apenas a ponta do iceberg! “Apenas comecei a falar um pouquinho! Estou apenas dando a você aquilo que representa um sussurro de Deus, imagine o que seria o Seu trovejar?!”

Há mais a respeito de Deus do que podemos conceber. Não podemos nos aprofundar em Seu ilimitado poder e sabedoria. Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos (Jó 36: 26). Durhan: Deus não pode ser estudado corretamente até que seja considerado incompreensível.

Henry: “desespero para encontrar o fundo, nós devemos nos sentar a beira e adorar o profundo. Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! (Romanos 8: 33). No presente estado em que nos encontramos, temos ouvido e conhecido somente uma pequena parte de Deus. Ele é infinito e incompreensível, e nosso entendimento e capacidades são fracos e rasos. O conhecimento completo da glória divina está reservado a um estado futuro.”

Devemos reconhecer a nossa ignorância. Wm. Cunningham (on eternal sunship): “De um lado, devemos tomar cuidado para que a nossa sabedoria não esteja acima das escrituras, mas, por outro lado, devemos nos guardar de não colocar de lado, ou ignorar qualquer coisa que realmente tenha sido revelado sobre este ponto.” Vá até onde a revelação vai, mas não a ultrapasse.

Há muitas coisas a respeito de Deus, Seus propósitos e métodos que não entendemos. (É certo que Jó conhecia a Deus melhor do que Bildade e, portanto, era mais humilde diante de Deus. O conhecimento de Deus fez de você uma pessoa mais humilde? Você imagina que por ser um calvinista não tem mais nada a aprender? Aqueles que melhor conhecem a Deus, são aqueles que sabem que tem muito mais para aprender.)

Jó relembra: “Eu ainda não consigo entender o que Deus está fazendo comigo! Tenho estado debaixo dos Seus trovões e não O entendo!”

O valor da criação: Mostrar a nossa pequenez. Deixar-nos pasmados diante do grande Criador – Seu poder, sabedoria, majestade e bondade. Nossa dependência, fragilidade e fraqueza. Portanto, submeta-se a Deus em tudo!

Daniel A. Chamberlin