segunda-feira, 23 de março de 2015

Mas Deus nos ensina por meio do sofrimento e usa a aflição para abrir os nossos olhos.


Quarta fala de Eliú
1 Eliú continuou a falar. Ele disse:
2 “Jó, tenha um pouco mais de paciência, pois ainda vou lhe mostrar que tenho outras coisas a dizer a favor de Deus.
3 Usarei os meus profundos conhecimentos para mostrar que Deus, o meu Criador, é justo.
4 Tudo o que vou dizer é verdade; quem está falando com você é realmente um sábio.
Deus protege e Deus castiga
5“Como Deus é poderoso! Ele não despreza ninguém. Deus sabe todas as coisas.
6 Ele não deixa que os maus continuem vivendo e sempre trata os pobres com justiça.
7 Deus protege os homens corretos, deixa que eles governem como reis e assim tenham uma alta posição para sempre.
8 Mas, se alguns são presos com correntes ou são amarrados com as cordas dos sofrimentos, 9 então Deus lhes mostra que isso é por causa do que fizeram, que é o castigo pelos seus pecados e pelo seu orgulho.
10 Deus faz com que escutem os seus avisos e manda que abandonem o pecado.
11 Se obedecem a Deus e o adoram, então têm paz e prosperidade até o fim da vida.
12 Mas, se não se importam com Deus, então morrem na ignorância, atravessam o rio e entram no mundo dos mortos.
13 “Aqueles que têm um coração perverso guardam raiva e, mesmo quando são castigados, não clamam pedindo socorro.
14 Desonram o seu corpo entre si e morrem em plena mocidade.
15 Mas Deus nos ensina por meio do sofrimento e usa a aflição para abrir os nossos olhos.
Você está sofrendo por causa da sua maldade
16 “Jó, Deus o livrou dos perigos e o deixou viver em segurança. À sua mesa sempre se comeu do bom e do melhor.
17 Mas você foi julgado e condenado e agora está recebendo o castigo que merece.
18 Cuidado, não aceite dinheiro para torcer a justiça, não deixe que as muitas riquezas o seduzam.
19 Não adianta nada gritar pedindo socorro; todo o seu poder não tem nenhum valor agora.
20 Não fique desejando que chegue a noite em que as nações serão destruídas.
21 Você está sofrendo por causa da sua maldade; cuidado, não se volte para ela!
Como é grande o poder de Deus!
22 “Como é grande o poder de Deus! Quem é capaz de governar tão bem como ele?
23 Ninguém pode dar ordens a Deus, nem acusá-lo de praticar o mal.
24 O mundo inteiro o louva pelo que ele faz, e você também não esqueça de louvá-lo.
25 Mesmo de longe todos nós vemos e admiramos o que Deus está fazendo.
26 Ele é grande demais para que o possamos conhecer; nós não podemos calcular quantos anos já viveu.
O poder e a majestade de Deus
27 “Deus faz com que a água da terra suba para um depósito e depois a transforma em gotas de chuva.
28 As nuvens derramam a água, que cai em aguaceiros sobre a terra.
29 Quem entende o movimento das nuvens ou o barulho dos trovões no céu, onde Deus mora?
30 Deus espalha relâmpagos em volta de si, mas o fundo do mar continua escuro.
31 É assim que Deus alimenta os povos e lhes dá comida à vontade.
32 Ele pega o raio com as mãos e manda que atinja o alvo.
33 O gado sente que a tempestade está perto, e o trovão avisa que ela vem aí.

Comentário:

Quarto e último discurso. Nenhuma citação refutada, como aconteceu anteriormente. Eliú visualiza um grande quadro: O propósito de Deus em Seus tratos com a humanidade. Ele tratou um pouco com isso no capítulo 33 (Deus nos aflige a fim de nos humilhar, ou nos manter longe do pecado e da destruição final.

Note que neste capítulo aparece três vezes a expressão “Eis que Deus”, V. 5, 22, 26, a qual aponta para Deus.

I. Introdução, v. 1-4.

v. 2 “Concluindo” – E segue-se um longo discurso (típico de um pregador! Mas há um interminável suprimento de verdades!). Note seu interesse para que a justiça de Deus seja provada, v. 3.

v. 3 – 4 Não é arrogância, mas uma firme convicção de que esta falando a verdade de Deus. “Minha contribuição é vital. Silenciar seria um crime! (Consciente de que estava sob inspiração? Compare com Paulo, etc.). A responsabilidade do pregador: “Isto precisa ser dito!”

II. As várias maneiras de Deus tratar com a humanidade, v. 5-15.

1. Deus exerce seu magnífico poder de maneira justa, v. 5-7.

v. 5 “Ele não despreza nem desdenha do humilde.”

v. 6 “Ele trata o ímpio com justiça. Ele também concede ao pobre um justo e correto tratamento.” Não faz acepção de pessoas. Equidade perfeita.

v. 7 “Como Governador Moral do Universo Ele recompensa o justo, e mantém os olhos sobre os reis que são justos. Ele está pessoalmente envolvido com os assuntos da terra.” Para alguns, isso soa igual ao que os três amigos disseram. Mas...

2. Deus tem o propósito de corrigir os homens a quem Ele aflige, v. 8-11.

Faltava esta perspectiva no discurso dos três, mas é vital para que haja um entendimento apropriado de todo o evento, de toda história humana, e da nossa própria vida e experiência.

v. 8 “Se Deus aflige o homem”...

v. 9 ...é para que enxerguem seus pecados e considerem seus caminhos..

v. 10 ...para que sejam corrigidos, disciplinados e voltem ao caminho reto.

v. 11 “Se isso ocorrer, Deus os recompensará com bênçãos e livramento das aflições.”

- Quando Deus expõe os seus pecados, Ele lhe faz um favor!

Este é o mesmo velho “evangelho da prosperidade”? Penso que não, pois ele mostra que Deus tem um propósito nas aflições, isto é: quando as aflições cumprirem o papel a que foram enviadas, então serão removidas por Deus.

Pergunta: “Mas e se Deus nunca remover as aflições?”

Resposta: Então temos que continuar a aprender com elas! Ele nos concederá paz interior para suportar a aflição, ou nos levará para o céu, onde finalmente ficaremos livres de todas as aflições.

Considere: Em nossa rejeição ao cruel evangelho da prosperidade, que mantém a utopia atual, não devemos esquecer passagens como essas: Salmo 34: 7; Efésios 6: 1-3; I Timóteo 4: 8. Com toda certeza, o lugar mais seguro do mundo, está na obediência a Deus! Henry: “A piedade é o único caminho seguro para a prosperidade e o prazer.” É evidente que qualquer coisa que Deus nos dê é para o nosso bem, tendo como objetivo final, que a prosperidade da nossa alma seja mais desejável do que a prosperidade material, e quando chegarmos ao céu, então gozaremos a plenitude dessas promessas. Não importa o quanto os santos sejam afligidos, pois eles são mais felizes do que o mais feliz dos perdidos!

3. Mas, nem sempre prestamos atenção aos propósitos de Deus revelados nas aflições, alguns não dão a devida atenção ou tiram algum proveito, mas ficam mais duros, teimosos e orgulhosos, mostrando assim toda a sua hipocrisia, v. 12-14.

Eles permanecem ignorantes. Eles colhem ira. Eles não clamam a Deus com sinceridade. Eles são julgados e são punidos com os sodomitas!

4. Resumo, v.15. OBS:Somente Deus pode abrir os ouvidos do surdo! Graça Soberana ou nada além de pessoas espiritualmente mortas, insensíveis a voz de Deus e Suas obras de graça!

- Considere as várias maneiras como as aflições atingem as pessoas:

- Salvos são santificados.

- Pecadores deixados sem desculpas

- Precisamos olhar para Cristo em nossas provações. É Benéfico. “A cruz sem Cristo nunca ajudou a nenhum homem.” Que benefício as aflições tem feito a você?

III. Como isso se aplica a Jó, v. 16-17.

Um fascinante e importante princípio, o qual é aplicado pessoal e diretamente a Jó: “Se você tivesse sido paciente em meio a estas aflições, e não murmurado, como o ímpio faz, você já teria ficado livre delas!” O prolongamento das aflições era, no caso de Jó, o resultado de um discurso inapropriado, autojustificação, e defesa excessiva. “Jó, se você se humilhar, e defender a justiça de Deus mais do que a sua, então encontrará alívio.” Ele fez isso após Deus ter lhe falado!

Não é a mesma coisa que os outros três falaram. Eles rapidamente acusaram Jó de pecados desconhecidos. Eliú, porém, somente se concentra naquilo que Jó havia dito, e em suas atitudes durante as provações do presente.

Se o propósito das aflições é nos humilhar, então Deus não as removerá até que cumpram o seu propósito. Com toda certeza, livramento virá quando estivermos preparados para isso! (Eliú não sabia quais eram os propósitos de Deus nesta ocasião, nem nós em nossa experiência! Mas, devemos caminhar humildemente com Deus, tirando proveito das provações, a despeito dos seus propósitos ocultos.)

IV. Conselho saudável, v. 18-25.

v. 18 Uma admoestação aos santos, um aviso sobre as conseqüências do pecado. “Deus pode matá-lo. E então não haverá livramento terreno ou direito de defesa (que você considera tão importante!)...

v. 19 Deus não pode ser subornado.

v. 20 Não há lugar para se esconder. Ou, a morte pode não ser uma saída tão feliz como você pensa! Jó, não há lugar para presunção. Olhe cuidadosamente para o estado da sua alma!

v. 21 Não vá pelo caminho do pecado ao invés do caminho da aflição. É melhor sofrer do que pecar!”

- Ninguém está acima deste tipo de exortação. Henry: “Este foi um conselho amigável e necessário para Jó. Mesmo os bons homens tem a necessidade de manter-se no temor da ira de Deus. `Você é um homem sábio e bom, mas cuidado com a mão de Deus, pois o melhor e mais sábio dos homens, ainda assim, é merecedor do Seu castigo.`” Jó não era um hipócrita, mas ainda assim precisava ser alertado contra a hipocrisia!

- Todo pecado tem sua raiz no coração do crente! Avisos contra a apostasia e castigo são apropriados a todos nós.

v. 22 “Deus exalta a si mesmo, e tem como propósito o ensino através das provações.” Que professor!

v. 23 Ninguém dá a Deus uma missão. Sua obra é perfeita. Não podemos impedir Suas providências.

v. 24 – 25 Todos estão assistindo, sendo assim, glorifique a Deus em suas provações! Até as gerações futuras tirarão proveito do seu exemplo!”OBS:Não importa o que aconteça, adore a Deus. Testifique da Sua justiça!

Observe:

1. Paralelo: Eclesiastes 7: 14.

2. Todos os filhos de Deus são disciplinados. Isso prova que somos filhos! Hebreus 12: 6; Salmo 94: 12-13; Apoc. 3: 19, Prova Seu amor!

3. Deus aflige os cristãos para o bem deles. Castigo vs. correção. Ilustração de um juiz com um condenado na corte vs. com seu filho em casa: ambos recebem tratamento similar, mas com diferentes objetivos em vista!... Ele é justo nos dois casos!

Deus é justo, reto e correto em tudo o que faz!

OBS:Você tem tirado proveito das suas aflições? Tem aprendido sobre paciência, submissão, dependência e humildade? Você o está adorando? Orando? Sendo refinado?

4. Tenha bom ânimo. Calvino (referindo-se a I Cor. 11: 32): Portanto, devemos ter bom ânimo em meio as nossas provações, sabendo que Deus tem um propósito na nossa salvação, e faz o mesmo ao mostrar-se duro conosco. Pois, se quisermos que Ele sempre seja um Pai amoroso, tratando-nos sempre com brandura, iremos abusar da Sua bondade continuamente, forçando-O a nos mostrar Seu descontentamento, caso contrário, pereceríamos. Isto é o que de fato Eliú desejava dizer.”

#51 Jó 36: 26 - 37: 13

Eliú abordou dois pontos principais até aqui. (1) Deus é absolutamente soberano sobre tudo e todos. (2) Deus exerce Sua soberania de maneira sabia e bondosa. Ele tem proposto através das aflições que permite: propósitos de graça, assim como propósitos de julgamento. O sofrimento humano pode ter um propósito criativo, assim como um destrutivo. Como a dor do parto é rapidamente esquecida por causa do seu resultado! (Mas não é assim com a dor causada por pedras nos rins!)

Agora Eliú inicia a parte final do seu discurso, focado na grandeza de Deus nas coisas comuns, especialmente no clima e na atmosfera. Veremos Deus mesmo abordando temas similares.

Por que toda esta ênfase na criação, criaturas e Criador? Porque isso nos ajuda a manter a perspectiva correta de todas as coisas (que possamos ver isso ou não).

Note como as três divisões que se seguem começam com uma declaração sobre a nossa incapacidade de compreendermos a Deus, 26, 29, 37: 5. OBS:Não conseguimos compreender muitas coisas a respeito de Deus! (Fato que deveríamos estar conscientes!)

v. 26 Deus é grande (comp. V.5 e 22). Ele é eterno. Criaturas limitadas ao tempo não deveriam esperar compreender totalmente a Ele e as Suas obras. Henry: “Sabemos que Ele existe, mas não o que Ele é. Sabemos o que Ele não é, mas não o que Ele é. O conhecemos em parte, mas não perfeitamente.... Não compreendemos sua existência, pois Ele é infinito.” Portanto, não temos o direito de achar que Ele está errado, questionando Sua sabedoria. Ele está fora do nosso alcance! OBS:Tudo o que podemos fazer e nos submeter e confiar.

I. O ciclo da água, ou o que os cientistas chamam de ciclo hidrológico, v. 27-28

A benção da Chuva! Uma verdadeira maravilha. Deus suspende pequenas moléculas acima da terra, desafiando a gravidade (via corrente de ventos) até que formem largas gotas e caiam sobre a terra, beneficiando assim a humanidade. ....conforme o vapor sobe! Oh, o que a sabedoria Divina fez!

II. Trovoadas, 29 – 37: 4

v. 29 nuvens e trovões

v. 30 raios (tão brilhantes que iluminam até as profundezas escuras do oceano)

v. 31 dilúvio? Ambos os fins são mencionados: julgamento e provisão. OBS:Nossa vida é sustentada num delicado balanço: Muita chuva = dilúvio. Pouca chuva = seca, fome. Uma linha muito fina de misericórdia sustenta o nosso mundo.

v. 32 escuridão, semelhante à noite, provocada por uma severa tempestade. Não podemos controlar a luz do sol! (Temos um senso muito artificial de segurança em nossas casas bem construídas!)

v. 33 Trovões nos avisam que a tempestade está prestes a chegar. Vapor (ou condições atmosféricas) de alguma maneira alerta o gado (rebanhos, criação animal), que sai em busca de abrigo. Havia uma tempestade se aproximando? Talvez. Deus falou através de um redemoinho, 38: 1. Eliú levou tudo isso muito a sério, 37: 1-2. “Isso faz meu coração disparar neste exato momento! Jó, você deveria ouvir isso!” OBS:Não deveríamos falar de Deus e de Suas obras de maneira fria e superficial. Precisamos sentir a mensagem que pregamos! Não um mero exercício acadêmico. Uma fria profissão de fé (um ministério amaldiçoado!). Você não pode afetar a outros se não foi profundamente afetado em si mesmo. Você é movido lá no seu íntimo? Então, mova a outros.

v. 3 Deus envia as tempestades para onde desejar.

v. 4 Trovões é a Sua voz! Quando você ouvi-los, saiba que a chuva e o vento estão chegando.

VII. Geada, gelo e neve, 5-13

Mais exemplos sobre a nossa incapacidade de compreendermos a Deus:

v. 6 Deus determina se teremos neve, orvalho ou enchente. Que poder! Sua palavra é a Sua obra, falar e fazer são uma coisa só para Ele!

v. 7 Em tempos de “inclemente” (ausência de misericórdia) clima, o homem tem abreviar o seu trabalho e buscar abrigo para se proteger. No inverno, e quando tudo está congelado, o homem fica de mãos atadas. Deus tem um propósito nisso! Que conheçamos as suas obras!

- Tire proveito das ocasiões mais comuns. Pergunte: “O que posso aprender a respeito de Deus nesta situação?” Busque compreender pelo menos alguma coisa dAquele que é incompreensível!

- Quando não pudermos trabalhar, deveríamos meditar.

v. 8 Assim como os animais, busque abrigo.

v. 9 Ventos carregados de frio ou de calor saem ao Seu comando.

v. 10 Se o trovão é a Sua voz, a geada é o seu sopro. Ele faz com que largas quantidades de água se congelem.

v. 11 Ele esvazia as nuvens e as desfaz.

v. 12 Deus está no controle total dessas coisas! Ele está intimamente envolvido em governar o dia a dia deste mundo, dos planetas e do universo. OBS:Se maravilhe disso. Fique em paz em tudo o que Ele faz.

v. 13 Ele tem propósitos nas variações do clima. (1) Correção. Pense a respeito de Moisés que tremeu e temeu diante do Sinai. (2) Para manutenção da terra. (3) Misericórdia para com os homens ao lhe dar colheitas, comida e água.

Observe:

v. 1 Mantenha pensamentos sublimes sobre Deus. Aprenda com a criação. Contemple seu poder inescrutável na tempestade. (Falamos freqüentemente a respeito do tempo, mas raramente a respeito de Deus, que dirige todas as coisas, e é servido por elas.)

v. 2 Deus, como Criador, tem o direito de fazer o que quiser com a Sua criação. Se quisermos que Ele mude, e se adapte a nós, estaremos pedindo a Ele que abandone Sua deidade.

v. 3 Se nos submetemos a Deus nas mudanças climáticas, e tiramos proveito disso, por que não fazemos o mesmo quando as circunstâncias das nossas vidas mudam?!

domingo, 22 de março de 2015

O Senhor diz ao seu povo: “Eu, eu mesmo, lhes dou forças.


1 O Senhor Deus diz: “Escutem, os que procuram a salvação, os que pedem a minha ajuda!
Lembrem da rocha da qual foram cortados, da pedreira de onde foram tirados.
2 Pensem no seu antepassado Abraão e em Sara, de quem vocês são descendentes. Abraão não tinha filhos quando eu o chamei, mas eu o abençoei e lhe dei muitos descendentes.
3 Eu, o Senhor, terei compaixão de Jerusalém e de todas as suas casas que estão em ruínas.
Eu farei com que as suas terras secas virem um jardim, como o jardim que plantei na região do Éden.
Ali haverá alegria e felicidade, haverá música e cânticos de louvor a mim.
4 “Escute, meu povo, dê atenção ao que eu vou dizer: Vou dar as minhas leis às nações, e os meus mandamentos serão uma luz para os povos.
5 Virei logo salvá-los; está chegando o dia da minha vitória, e eu governarei todos os povos.
Nações distantes esperam por mim e confiam em mim para protegê-las.
6 Olhem para o céu, lá em cima, olhem para a terra, aqui embaixo. O céu desaparecerá como fumaça,
a terra ficará gasta como uma roupa velha, e os seus moradores morrerão como se fossem moscas.
Mas a minha vitória será total, o meu poder durará para sempre.
7 “Escutem, vocês que sabem o que é direito, que têm a minha lei no seu coração!
Não fiquem com medo quando forem ofendidos, não se aborreçam quando os outros zombarem de vocês.
8 Pois eles desaparecerão como uma roupa de lã destruída pelas traças. Mas a minha vitória será total, o meu poder durará para sempre.”
9 Acorda, ó Senhor, acorda! Salva-nos com o teu grande poder, como fizeste antigamente, no tempo dos nossos antepassados. Tu cortaste Raabe em pedaços, tu mataste aquele monstro do mar.
10 Tu fizeste o mar secar, secaste as águas profundas; no meio do mar, abriste um caminho para que por ele passasse o povo que salvaste.
11 Aqueles a quem o Senhor salvar voltarão para casa, voltarão cantando para Jerusalém e ali viverão felizes para sempre. A alegria e a felicidade os acompanharão, e não haverá mais tristeza nem choro.
12 O Senhor diz ao seu povo: “Eu, eu mesmo, lhes dou forças. Então, por que vocês têm medo de pessoas, de seres mortais que não duram mais do que a palha?
13 Por que esquecem o Senhor, o seu Criador, aquele que estendeu o céu e firmou a terra? Por que estão sempre com medo de inimigos cruéis, que os perseguem e estão prontos para destruí-los?
Que pode fazer a fúria deles contra vocês?
14 Logo os prisioneiros serão postos em liberdade; eles não morrerão, nem passarão fome.
15“Eu, o Senhor, sou o Deus de vocês. Eu agito o mar e faço as suas ondas rugirem. O meu nome é Senhor, o Todo-Poderoso.
16 Eu dei a vocês os meus ensinamentos e com a minha mão eu os protejo. Eu, que estendi o céu e firmei a terra, digo aos moradores de Jerusalém:
‘Vocês são o meu povo.’ ” O sofrimento de Jerusalém vai terminar
17 Acorde, Jerusalém, acorde e levante-se! O Senhor fez com que você bebesse o vinho da sua ira;
você bebeu tudo e ficou bêbada. 
18 De todos os seus filhos,de todos aqueles que você criou, não houve um só que pegasse você pela mão e que a ajudasse a andar.
19 Você sofreu duas desgraças: a sua terra foi arrasada pelos inimigos, e a guerra e a fome mataram os seus moradores. Quem tem pena de você? Quem procura consolá-la?
20 Os seus moradores desmaiam de fome e estão caídos nas esquinas das ruas; são como carneiros selvagens presos nas redes dos caçadores. Eles caíram por causa da ira do Senhor, por causa do castigo do seu Deus.
21 Pobre Jerusalém! Você está bêbada, mas não por ter bebido vinho.
22 Agora, escute o que diz o seu Senhor e Deus, aquele que vai defender a causa do seu povo.
O Senhor diz: “Agora estou tirando das suas mãos o copo cheio da minha ira, o copo que fez você ficar bêbada.Você nunca mais beberá dele.
23 Darei esse copo aos seus inimigos, aos que lhe disseram: ‘Deite-se no chão, que vamos pisar em cima de você.’ Você se deitou, e eles a pisaram, como se você fosse o pó da rua.”

Quando alguém apontar os nossos erros, tome isso como sendo de Deus.



Terceira fala de Eliú

1 Em seguida Eliú disse:
2 “Jó, você não tem o direito de dizer que para Deus você é inocente 
3 e também não pode perguntar assim: ‘Ó Deus, será que te sentes mal com o meu pecado? E que vantagem tenho se não pecar?’
4 Pois eu vou responder a você e também aos seus amigos. Suas faltas não prejudicam a Deus, mas os outros
5 “Olhe para o céu e veja como as nuvens estão muito acima de você.
6 Se você peca, isso não atinge a Deus lá no alto; as suas faltas, por muitas que sejam, não vão prejudicar a Deus.
7 Se você faz o bem, não está ajudando a Deus; ele não precisa de nada que é seu.
8 São os outros que sofrem por causa dos pecados que você comete; e também são eles que são ajudados quando você pratica o bem.
9 “Os homens, quando são perseguidos por todos os lados, gemem e gritam, pedindo que alguém os livre das mãos dos poderosos; 
10 porém não voltam para Deus, o seu Criador, que dá forças nas horas mais escuras.
11 Eles não voltam para Deus, que os torna sábios, mais sábios do que as aves e os animais.
12 Eles gritam por socorro, mas Deus não responde porque são orgulhosos e maus.
13 Mas é falso dizer que Deus não ouve ou que o Todo-Poderoso não vê.
Você não sabe o que está dizendo
14 “Jó, você diz que não pode ver a Deus; mas espere com paciência, pois a sua causa está com ele.
15 Você pensa que Deus não castiga, que ele não presta muita atenção no pecado.
16 Não adianta nada continuar o seu discurso; você fala muito, porém não sabe o que está dizendo.”

Comentário

Havendo dado a Jó (e aos outros) oportunidade para responder, corrigir, etc., Eliú continua, v.1. Seu interesse, em todo o seu discurso, é o de ajudar Jó em sua longa jornada, ao defender a justiça de Deus em Seus tratos com Jó. OBS: Esta é a marca de um verdadeiro pregador: buscar sempre o bem das almas, mantendo e sustentando a honra, dignidade e a glória de Deus.

I. Há algum proveito em servir a Deus? V. 1-8

1. O que Jó disse: v. 2-3

v. 2 Jó nunca disse estas palavras ao pé da letra. Isso leva alguns a acusarem Eliú de grave pecado de tolice, comparando a sua colocação ao que os três amigos disseram. Porém, Deus interpreta da mesma maneira aquilo que Jó havia dito, 40: 8! - Porventura também tornarás tu vão o meu juízo, ou tu me condenarás, para te justificares? Portanto, Eliú interpreta de forma precisa o sentido das palavras de Jó. Ver cap. 32: 2 - E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o Buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus.Não era apenas um grande mal-entendido ou uma interpretação equivocada das palavras de Jó que Eliú infelizmente não percebeu. (ver cap. 9: 17; 10: 2-3; 27: 2.)

v. 3 Já levantado em 34: 9. Por que levantar este assunto novamente? Porque Eliú não ouviu da parte de Jó a resposta que desejava, ex: se humilhar, arrepender, confessar. Isso obriga a que Deus mesmo traga a Jó a este ponto! Jó sabia que esta era a maneira como o ímpio pensa e fala (21: 15). Entretanto, ele dá a entender o mesmo em 9: 22; 10: 15. “Qual o proveito em servir a Deus?”

- Às vezes não percebemos o quanto as nossas palavras se assemelham as palavras dos ímpios. Quantas vezes nós reclamamos que o tempo está muito quente, muito frio, seco demais, úmido demais, etc. Nós condenamos a teologia anã do livre arbítrio, que não reconhece que Deus exerce controle sobre tudo, mas nos preocupamos e tememos, duvidando de tal controle! Nós condenamos outros naquilo que aprovamos ou naquilo que nos desculpamos .

- Novamente, Asafe questionou se ele havia purificado o seu coração em vão (Salmo 73: 13). Nenhum de nós está livre de pensar da mesma maneira em meio a severas provações. Mas, desperte antes de verbalizar isso! (v.15). O ponto que Eliú deve responder: Deveríamos esperar “lucro” neste mundo? Podemos fazer mais para Deus, do que Ele faz por nós, servi-lo melhor do que Ele nos serve? Deus pode ficar nos devendo alguma coisa pelo serviço que prestamos a Ele? Podemos ser mais justos do que Ele?

2. A resposta de Eliú, v. 4-8

v. 4 “Aqui vai a minha resposta”

v. 5 “Aprenda com a criação. Pare e olhe. O que você vê? Nuvens...olhe acima delas! Pois Deus é mais alto do que elas!” A mesma observação feita em 33: 12 – A inquestionável soberania de Deus.

v. 6 “Seu pecado não afeta Deus, sem diminui a Sua essência e glória.”

v. 7 “Suas boas obras não podem acrescentar, aprimorar ou aperfeiçoar a Deus.”

v. 8 “Não é assim com o homem, pois nossas ações afetam e influenciam a outros para o bem ou para o mal.”

Ponto: Deus é perfeito e imutável. Embora o pecado seja cometido contra Ele, pois é contra a Sua lei e honra, isso não afeta o Seu Ser. Ele não pode ser perturbado, diminuído, derrotado ou destronado! Nem podemos acrescentar nada a Sua perfeição (de outra forma, Ele não seria perfeito). Deus não precisa de nada (Atos 17: 25; Salmo 50: 12). Isso significa que nós não podemos obrigar Deus a fazer nada. Ele não nos deve nada como recompensa pela nossa obediência. (Nenhuma recompensa pode ser contada como graça, Romanos 4!) Ele não deve nada aos homens. (Se Ele propõe ou promete algo bom para nós, Sua obrigação é para consigo mesmo e não para conosco.) Porém, nós é que somos devedores! Se estamos fora do inferno, é por causa do Seu favor imerecido! Permaneça humilde diante deste grande Deus!

II. Por que Deus não ouve o clamor dos necessitados? V. 9-13

v. 9 Lembrando Jó em suas citações em 24: 12 e talvez 19: 7. “Por que Deus não ouve o clamor dos necessitados e oprimidos?”

v. 10 “Porque evidentemente eles não clamam a Deus. Eles não reconhecem Deus como Criador. Ou, eles não são gratos a Deus pelas Suas misericórdias (sons na noite), até mesmo por nos fazer homens, e não animais selvagens, v. 11”

v. 12 “Ou se eles oram, nada recebem por causa do seu orgulho. Eles não estão na verdade orando. Estão pedindo mal (Tiago 4). Não é uma oração sincera e submissa. É muito mais uma ordem, se não uma maldição!”

v. 13 “Jó, Deus não ouve este tipo de oração.”

- Ore com humildade, sinceridade, arrependimento e coração submisso. Qualquer coisa menos do que isso é tomar o seu nome em vão. Reconheça-o como sábio Criador, que lhe cerca com misericórdias que você tende a negligenciar. Seja agradecido por não ser um animal (Bunyan chegou a invejá-los).

- Muitos clamam a Deus na adversidade. Isto não prova que somos participantes da graça. O verdadeiro teste da nossa condição espiritual é se clamamos a Deus em tempos de prosperidade, lembrando-se dEle o tempo todo.

- Se Deus não responde as nossas orações como desejamos, esteja certo de que Ele tem um bom motivo para isso! O propósito das nossas aflições é (entre outras coisas) nos humilhar. (Até mesmo Jó precisava ser refinado na graça, totalmente aparte do que Deus estava provando a Satanás.) Se as nossas aflições não tem nos humilhado o suficiente, então Deus não ouvirá as nossas orações para removê-las. Porém, nós deveríamos agradecê-Lo por permitir que elas permaneçam, até que seu trabalho se complete.

v. 14 a de 9: 11; 23: 3, 8-9, 14-16. Jó sabia que ao partir desta vida, nós veremos a Deus no último dia (19: 6), mas talvez não até lá. Sem esperança imediata.

v. 14 b “Mas Deus é um Deus de julgamento e justiça. Ele está fazendo o que é justo!... Há esperança, Jó...você O verá, e a Sua justiça será completamente revelada!”

v. 15 “Mas Jó, pelo fato de você não ter aprendido tudo o que deveria das aflições, Deus continua a te visitar com elas. A despeito da grandeza de Deus, você ainda é um tanto teimoso e estúpido.

v. 16 “Portanto, Jó falou estas palavras e eu estou discutindo-as.”

- O tempo apropriado para as visitas de Deus se faz de acordo com Sua vontade. Algumas vezes ele nos visita com aflições, outras com conforto.

- Seja paciente sob a vara de Deus. Confie nEle. O Pai Celestial sabe o que é melhor. O dia do julgamento revelará Sua perfeita justiça em tudo o que foi feito. Aguarde pacientemente a vinda do Senhor (II Tess. 3: 5). Henry: É totalmente vão para nós, apelar para Deus ou nos justificar, se não procuramos entender a causa das nossas aflições, como também é vão orarmos por alívio, se não confiamos em Deus, pois todo homem que não confia em Deus não pense que receberá do Senhor alguma coisa (Tiago 1: 7).

Conclusão:

- Quando alguém apontar os nossos erros, tome isso como sendo de Deus. Considere isso como um ato de misericórdia. Receba isso calma e pacientemente. (Como é comum nos eriçar e partirmos para o ataque, apontarmos as faltas do outro, ou nossos pontos positivos, ou minimizarmos o erro!)


sábado, 21 de março de 2015

Suas mãos não me atinge, mas seus pensamentos sim...


21 O Senhor, o Rei de Israel, diz: “Deuses das nações, venham apresentar a sua causa e fazer a sua defesa.
22 Venham e nos digam o que vai acontecer; expliquem também as profecias que vocês fizeram no passado, para que nós fiquemos sabendo se elas se cumpriram. Ou então digam o que vai acontecer no futuro, e assim nós poderemos ver se vai dar certo.
23 Anunciem as coisas que vão acontecer daqui em diante a fim de provar que vocês são deuses de fato. Façam o que quiserem, seja bom ou seja mau, para que fiquemos com medo e cheios de pavor.
24 Mas vocês não são nada! Vocês não podem fazer nada! Eu detesto aqueles que os adoram!
25“Fui eu que chamei um homem que mora no Oriente; ele confia em mim e vem do Norte para atacar os seus inimigos. Ele pisa em cima de reis como se fossem lama; ele os trata como um oleiro que amassa o barro com os pés. 
26 Será que algum de vocês anunciou que isso ia acontecer, para que nós ficássemos sabendo?
Algum deus falou disso no passado para que nós disséssemos: ‘Ele tinha razão’? Nenhuma imagem anunciou nada a respeito disso, nenhuma nos avisou; não ouvimos vocês dizerem nem uma só palavra.
27 Pois eu anunciei isso a Sião desde o começo, eu mandei um mensageiro espalhar essas boas notícias em Jerusalém.
28 Eu procuro os deuses, mas nenhum deles aparece; nenhum deles pode dar explicações ou responder às perguntas que faço.
29 Eles não são nada! Eles não podem fazer nada! Essas imagens são coisas sem vida e sem valor.”

Eu te acuso e te lanço tudo em face.


 Fala o Senhor, o Deus dos deuses, ele convoca a terra do nascer ao pôr-do-sol.
2 De Sião, beleza perfeita, Deus brilha,
3 chega o nosso Deus e não se calará. Diante dele há um fogo devorador, e ao seu redor, tempestade furiosa.
4 Chama do alto os céus e a terra, pois vai julgar seu povo:
5 “Congregai à minha frente meus fiéis, que celebraram comigo a aliança no sacrifício!”
6 E os céus anunciam a sua justiça, pois Deus vai julgar.
7 “Ouve, meu povo, deixa-me falar, Israel, vou testemunhar contra ti: Eu sou Deus, o teu Deus.
8 Não vou censurar-te por teus sacrifícios, pois teus holocaustos estão sempre à minha frente.
9 Não aceito bezerros de tua casa nem cabritos de teus rebanhos.
10 Pois são minhas todas as feras da floresta, e também os animais dos montes, aos milhares;
11 conheço todas as aves do céu e possuo tudo o que se move nos campos.
12 Se eu tivesse fome, não iria falar contigo, pois é meu todo o universo e o que nele existe.
13 Por acaso comerei carne de touros ou beberei sangue de cabritos?
14 Oferece a Deus o sacrifício de louvor e cumpre tuas promessas ao Altíssimo.
15 Invoca-me no dia da angústia, e eu te livrarei e tu me honrarás.”
16 Porém ao ímpio Deus diz: “Por que te preocupas em repetir meus preceitos e recitar minha aliança com a boca,
17 sendo que odeias a disciplina e desprezas minhas palavras?
18 Quando vês um ladrão, andas com ele, e tomas parte com os adúlteros.
19 Abres a boca para o mal, e tua língua trama a falsidade.
20 Sentado falas contra o teu irmão, cobres de calúnia o filho de tua mãe.
21 É isto que fizeste, e eu me calaria? Pensas que eu sou como tu? Eu te acuso e te lanço tudo em face.
22 Compreendei isto, vós que vos esqueceis de Deus! para que eu não vos castigue, sem que ninguém vos possa livrar!
23 Quem me oferece o sacrifício de louvor, me honra, e a quem caminha retamente farei experimentar a salvação de Deus”.

Deus é justo e poderoso

1 Eliú disse mais:
2 “Vocês que são sábios e instruídos, escutem o que vou dizer.
3 Assim como os ouvidos julgam o valor das palavras, e o paladar prova os alimentos, 4 assim nós agora vamos examinar o caso e resolvê-lo do jeito que nos parecer melhor.
Deus não é injusto com ninguém
5 “Jó está dizendo que é inocente e que Deus não quer lhe fazer justiça.
6 E pergunta: ‘Como é que eu poderia mentir, dizendo que estou errado? Sofro de uma doença que não tem cura, embora não tenha cometido nenhum pecado.’
7 “Neste mundo não há ninguém como Jó, para quem é tão fácil zombar de Deus como beber um copo de água.
8 Ele anda com homens maus e se ajunta com gente que não presta.
9 E diz assim: ‘Não adianta nada procurar agradar a Deus.’
10 “Agora, vocês que têm juízo, me escutem. Será que Deus faria alguma coisa errada?
Será que o Todo-Poderoso cometeria uma injustiça?
11 Ele nos paga de acordo com o que fazemos e dá a cada um o que merece.
12 Na verdade, o Deus Todo-Poderoso não faz o mal e não é injusto com ninguém.
13 Quem entregou o poder a Deus? Quem o fez governador do Universo?
14 Se Deus quisesse, poderia fazer voltar para si o fôlego, a respiração da gente; 15 então todas as pessoas morreriam juntas, no mesmo instante, e voltariam de novo para o pó.
Deus é justo e poderoso
16“Agora, Jó, se você é sábio, escute e preste atenção no que vou dizer.
17 Se Deus odiasse a justiça, não poderia governar o mundo. Será que você quer condenar aquele que é justo e poderoso?
18 Deus condena os reis e as autoridades quando são maus, quando não prestam.
19 Ele não mostra preferência pelas pessoas que estão no poder, nem favorece os ricos em prejuízo dos pobres, pois todos foram criados por ele.
20 A morte pode vir de repente, no meio da noite. A pessoa tem um ataque e morre.
Deus não precisa de ajuda para matar os poderosos.
21 Pois ele sabe tudo o que fazemos e vê todos os passos que damos.
22 Não existe nenhum lugar, por mais escuro que seja, onde um pecador possa se esconder de Deus.
23 Deus não precisa marcar um dia para que uma pessoa se apresente a fim de ser julgada por ele.
24 Ele não necessita de examinar a vida dos poderosos para acabar com eles e dar a outros o seu lugar.
25 Pois Deus conhece o que eles fazem; de noite ele os derruba e esmaga.
26 Em público, na frente de todos, Deus os castiga como se fossem criminosos 27 porque eles se afastaram dele e não quiseram obedecer a nenhum dos seus mandamentos.
28 Eles fizeram com que os gritos dos pobres e explorados subissem até Deus, e ele os escutou.
29 “Mas, se Deus se calar, ninguém poderá condená-lo. Se ele esconder o rosto, as pessoas e as nações ficarão sem defesa 30 e nada poderão fazer para evitar que homens maus as governem e explorem.
Você resolveu parar de praticar o mal?
31 “Jó, será que você já reconheceu diante de Deus que você sofreu por causa dos seus pecados
e que prometeu que não vai pecar mais?
32 Será que você pediu a Deus que lhe mostrasse as suas faltas e resolveu parar de praticar o mal?
33 Se você não aceita o que Deus faz, como espera que ele faça o que você quer?
Você é quem precisa responder, e não eu; diga-nos o que está pensando.
34 “As pessoas sábias e sensatas que me estão escutando certamente dirão assim:
35‘Jó não sabe o que está falando; o que ele diz não faz sentido.
36 É só examinar bem as suas palavras, e a gente vê que ele responde como um perverso.
37 Jó é pecador, um pecador rebelde. Na nossa presença, zomba de Deus e não para de falar contra ele.’ ”


Comentário:

Jó não tinha nada à responder quanto ao primeiro discurso de Eliú. Como deveríamos interpretar o silêncio de Jó? Ele ficou frustrado com Eliú...não valendo apena gastar seu fôlego com ele? Eu prefiro pensar que ele considerou a colocação Eliú como pendendo para o lado mais equilibrado, do que realmente ter ido “longe demais.” OBS:Após vencer um argumento, silenciando (freqüentemente alienando) nossos críticos, nós muitas vezes não acabamos percebendo, numa reflexão mais silenciosa, que falamos demasiadamente, ou apressadamente, exagerando assim a situação? Vamos trabalhar para domarmos nossa língua.
Agora, temos o segundo discurso de Eliú.
Note a repetição do apelo para ser ouvido nos versículos 2, 10, 16 e 34.
Note Eliú falando aos quatro, aos três e simplesmente a Jó.

I. Introdução, v. 1-4.
Falando aos quatro. Demonstra respeito aos anciãos.
- Nem todos que discordam de nós são tolos! Desejo de ser ouvido por ter uma contribuição significativa. Não era a autoimportância ou o ego inchado, mas uma responsabilidade recebida do Senhor, numa missão de Deus. Um desejo genuíno de que a verdade e a justiça prevaleçam.
- Devemos sempre procurar ajudar os dois lados.

II. Aonde Jó foi muito longe, v. 5-6, 9.
v. 5 (declaração feita em 27: 2 e 6)
v. 6 (declaração feita em 16: 16-17). Jó: “Eu deveria mentir e me incriminar falsamente!” Essa provação não veio por haver alguma transgressão em mim!”Verdade! Embora ele tenha sido mais zeloso ao se defender, do que assumir uma posição mais humilde e se submeter à providência de Deus.
v. 9 (declaração feita em 9: 22 e 24: 1). “Deus age de forma arbitrária (ex: mais por capricho do que por princípio). Ele não tem consideração nenhuma por nenhum homem.” Somos levados a pensar que é vão servir a Deus! Jó sabia que esta era a maneira como o ímpio pensava (21: 15), mas ele mesmo chega bem perto desse pensamento! OBS:Os santos são tentados a pensar assim, Salmo 73: 13-14.
Mesmo que ele não pensasse de maneira similar ao ímpio, ele tinha que admitir que isso poderia ser interpretado assim, e é por isso que Eliú tem o direito de chamar a sua atenção neste ponto.

III. Respondendo á Jó, v. 7-8, 10-33.
1. “Jó era muito rápido para falar. Ele estava determinado a falar mesmo às custas de Deus. Estas declarações eram equivalentes a zombar de Deus”, v. 7-8.
2. “Deus é justo”, v. 10-15.
v. 10 “Deus está longe do injusto. Se Ele fosse arbitrário em Seus tratos, isso seria injusto.”
v. 11 “Deus opera sob princípios de justiça, levando em conta Sua perspectiva eterna.”
v. 12 “Deus é justo em tudo que faz. Ele nunca é injusto com nenhum homem.”
v. 13 “Ele é absolutamente Soberano. Ele não responde a ninguém. Ninguém está acima dEle. Ninguém outorgou á Ele a autoridade de governar.”
v. 14 – 15. “Nossa vida está em Suas mãos. Se Ele está determinado a destruir um homem, Ele tem poder e direito para tanto. Tudo o que Ele tem a fazer, é nos fazer parar de respirar!”
- Se Deus exercesse justiça no sentido estrito, algum de nós continuaria a respirar?! Agradeça a Deus por satisfazer totalmente a Sua justiça ao castigar a Cristo em nosso lugar!
3. Dirigindo-se a Jó separadamente: “Porque Deus é justo e merece o máximo respeito”, v. 16-30.
v. 17 “Comparado com o perfeito amor da justiça de Deus, o melhor do amor do homem pela justiça, é odiá-la! Jó, você quer ser Deus? Você pensa que pode governar melhor do que Deus?
v. 18 – 22 “Você não falaria de um rei de forma tão descuidada quanto falou de Deus! Você não levantaria nenhuma dúvida sobre o caráter de um rei”. V. 19 “Deus merece um respeito ainda maior; Ele não faz acepção de pessoas; Ele fez os reis, ricos, pobres e etc.” (Jó tinha sido ambos, rico e pobre!) V. 20 “Estes reis estão a Sua disposição. Ele pode abater qualquer homem a qualquer momento, e ainda assim ser justo”. V. 21 “Deus é perfeito em conhecimento. Nada escapa dEle.”
v. 23 “Ninguém pode acusar Deus por ser tratado pior do que mereceria. Jó, Deus não errou com você!” Um conceito chave! OBS:Salmo 103: 10 - Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades. Qualquer homem que esteja fora do inferno pode dizer isso! (E o inferno em si mesmo não é mais do que merecemos.) Não importa quão dura seja a nossa provação, Deus sempre estará nos tratando melhor do que merecemos.
v. 24 - 28 “Ninguém é tão poderoso que poderá escapar de ter que tratar com a justiça de Deus”.
v. 29 – 30 “A vontade de Deus permanece. Não há mudanças nEle e nem em Seus decretos de propósitos. Ele governa da maneira que mais lhe agrada”. Henry: “A rejeição do mundo não deve perturbar aqueles a quem Deus acalma com Seu sorriso. ...O sorriso do mundo não pode acalmar aqueles a quem Deus rejeita.”

Objeção: Tudo isso soa muito semelhante ao que os três amigos falaram! “Não há nenhum conforto para Jó.”

Resposta: O silencio de Jó (e a exclusão de Eliú por Deus no cap. 42) indica que ele ouviu alguma coisa distinta por parte de Eliú. Henry: “Jó não somente suportou tudo isso pacientemente, como também o recebeu gentilmente, pois viu que as intenções de Eliú eram boas, embora seus outros amigos o tivessem acusado, sua consciência o absolvia. Eliú o acusava, com aquilo no qual, provavelmente, seu próprio coração, agora sob reflexão, começou a lhe pesar.” Green: “Na boca de Eliú era diferente. Não havia censura oculta, nem insinuações, distorções ou falsas conclusões.” Eliú simplesmente defendia a justiça de Deus, mostrando aonde Jó tinha insistido demasiadamente em sua inocência.

4. O que Jó deveria ter dito, v. 31-33.

v. 31 “Eu mereço tudo isso (e muito pior!). Eu mereço uma repreensão pela minha forma de falar inapropriada.”
v. 32 “Mostra-me os meus pecados ocultos! Este orgulho oculto que eu mesmo desconhecia e que deve ser desarraigado!” Outro versículo chave. Que contribuição de Eliú! OBS:Salmo 19: 12 - Quem pode entender os seus erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. Um espírito humilde, pronto a se arrepender de qualquer erro é apropriado a todo pecador remido!
v. 33 “Deus deveria fazer a tua vontade, Jó? Não, Ele fará a dEle, que é a melhor, quer você goste ou não! E não eu [ex: não sou o seu juiz. Não pretendo ocupar o trono de Deus quanto ao seu caso. Ele fará aquilo que lhe agrada, e não o que agrada a você e a mim!].” OBS:Quando não puder entender a Providência, submeta-se a ela!Confie na sabedoria de Deus. Faça o melhor uso dela (como Jó fez em 1: 21; 2: 10, quando ele não pecou com seus lábios). Henry: “Se alguns são punidos, a mais ou a menos do que pensamos que deveriam, ao invés de questionarmos a Deus, nós deveríamos considerar tal fato como algo secreto e conhecido apenas de Deus.”
v. 33 b Outra oportunidade e convite para que Jó falasse.

IV. Encerrando as declarações, v. 34-37.

v. 34 – 35 “Qualquer um que queira corrigir o que eu estou dizendo, é bem-vindo. Não vou abandonar Jó tão facilmente.”
v. 36 “Eu quero que este caso seja resolvido e não fique cercado pela incerteza. Isso precisa ter um fim, até onde podemos chegar.”
v. 37 “Ele não pode ficar sem uma resposta, para que não venha a dizer coisas piores do que já o fez até aqui!... e caia no pecado de presunção.” (O propósito gracioso de Deus em enviar Eliú: Evitar que Jó caísse em um pecado mais sério, nesta fase de grandes tribulações, angústia, dor e doença.)

Resumo: “Deus tem um bom propósito. E Ele não tem que desvendar este propósito a nós” (Capítulo 33). “Mas Ele é, sem sombra de dúvidas, justo em tudo o que faz (Capítulo 34). (Deus não tem que revelar o desafio Satânico para Jó para que ele tire proveito de toda a prova!)

Observações adicionais:
- Não dê as pessoas a impressão de que a soberania de Deus significa que Ele pode tratar indevidamente com a impunidade. (Pois, nosso senso de certo e errado nem sempre é igual ao dEle!)...que a graça soberana é arbitrária...que Calvinismo é fatalismo! Deus é justo em tudo o que faz.

- Defenda Deus a todo custo! Green: “Se um conflito surge entre Deus e suas criaturas, a quem Ele não tem nenhuma tentação de ferir, nem qualquer intenção de prejudicá-los, a certeza inegável e absoluta é; que Ele está certo e eles errados, mesmo que não consigam enxergar isso.”

Daniel A. Chamberlin