domingo, 6 de julho de 2014

Dourado Sentimento

Para meus sentimentos 
Basta teu coração liberto,
Gostos de afago, 
Mansa e macia voz,
Fusão de almas, 
Que unidas silenciam...
Faria do vento areia e serpente, 
Envolvendo todo corpo carente,
Nas palavras sem carícias, 
Devoradoras de sonhos, 
Não deixando mais desejos ausentes...
Queimaria no fogo toda erva daninha, 
Veneno e ferida,
Purificando em fonte límpida,
A mulher doce , fértil e divina...
Vem comigo transcender montanhas,
Sentir a umidade da terra,
Mesmo se com insegurança e dores,
Ver amanhecer em teu sorriso ,
Os mais formosos poemas e amores...
Respiro a perfeição dos teus contornos,
Ventre, seios e coxas,
Todo perfume e sabores. 
Meus olhos sensíveis à beleza,
Buscarão famintos os jardins 
Que margeiam tua cintura,
Ousando tocar com mãos ternuras, 
Pois o amor é frescor de flores novas,
Doce mel do fruto da figueira ,
Frenético destino e loucura,
É beijar-te noite inteira,
Por não saber te amar de outra maneira...

William José Carlos Marmonti

Encontro de duas almas predestinadas...



Preciso aprender a sorrir quando o mundo me diz não... quando um sonho é interrompido...
Por enquanto, tento apenas lidar com a dor e a saudade, tento fazer com que sejam ao menos suportável.... é uma dor que faz a alma sangrar... uma saudade daquilo que nem sequer vivi...inexplicavelmente preciso continuar.....

Rosa Soares

sábado, 5 de julho de 2014

A perfeita imperfeição


Não busque a perfeição. Esqueça. Ser perfeito deturparia nossa condição humana, naturalmente ambígua, e nos transformaria em seres arrogantes.
Somos contraditórios e tropeçamos em nossos limites com muita frequência, portanto, insisto: deixe de cobrar perfeição de si mesmo, seria um peso que, acredite, lhe sobrecarregaria.
Mas, preste atenção, isso não quer dizer que deve se conformar com o que sente que precisa mudar. Eu e você carregamos níveis de condicionamento, de formatação, de limites auto impostos que precisam, aos poucos, serem vencidos. Basta enxergar-se com honestidade para chegar a essa conclusão.
Então, como fazer? Em primeiro lugar pacificando-se consigo mesmo. O primeiro sintoma da felicidade é pacificar-se com o que consegue ser hoje. Sei que não é o ideal, nunca é. Mas aceitar-se como pode, aquietando a mente inquisidora, é o início de tudo.
É preciso a consciência de que a perfeição inclui a imperfeição. Especialmente pelo fato de que nenhum de nós sabe com clareza o que é luz e o que é trevas, o que é bom e o que é mau, o que é perfeito e o que é imperfeito. Julgamos saber, mas nosso juízo é absurdamente limitado aos condicionamentos que, sem perceber, vamos anexando a mente e transformando em verdade absoluta. A certeza de que sabemos é o sintoma mais claro de quão distantes estamos da verdade.
A busca pela perfeição é utópica a começar por nossas próprias distorções, sutis tantas vezes, tendenciosas o suficiente para transformar algo genuíno em soberba.
Você duvida? Basta observar a historia humana e concluir como lindas ideias viraram ferramenta de manipulação, como insights iluminados foram se transformando em grossas e pesadas correntes mentais, como tanta gente que iniciou um caminho com boas intenções, com tantas coisas interessantes para compartilhar, perdeu-se na própria luz, até não enxergar mais nada. Cegueira branca.
Portanto, aquiete-se com o que é. Ninguém é perfeito, mas podemos ser melhores. Cada um enxergue a si mesmo com isenção e projete sobre o que vê a luz da consciência. Com o tempo vamos aprendendo a nos pacificar, até que a paz seja a água que nos lava de toda pretensão de ser o que não somos.
Nossa beleza habita em nossa humanidade e nossa humanidade, contraditória, ambígua tantas vezes, é o caminho para aceitarmos em paz cada processo que nos leva à perfeita imperfeição. Pense nisso.

Flavio Siqueira

Always - Bon Jovi


Eu não existo sem você



Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você. Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!


Vinícius de Moraes

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A dimensão do essencial


Não coloque propósitos para seu crescimento espiritual, como se estivesse estipulando prazos e metas, como se precisasse atingir determinado estágio para sentir que “chegou lá” a tal ponto que, todos os dias, cobra de si mesmo alguma evolução.
Aquilo que muitas vezes consideramos objetivos a serem atingidos, deve ser consequência, não pode ser causa, motivação da busca. A gente busca sem perceber, sem fazer força, sem colocar angústia no caminho, sem tecer prazos ou metas. Tudo o que devemos fazer é caminhar, e caminhar com atenção.
Quando estou fixado em metas, elas serão minha referência, é por elas que vou aferir até que ponto estou “evoluindo” e isso sempre irá gerar decepção porque vida espiritual não se mede. Não há como medir o que é dentro, não se vê e nem sempre segue caminhos lineares de mensurabilidade.
É como se você plantasse uma árvore para se proteger do sol, e todos os dias sentasse ao lado dela, mesmo que fosse ainda apenas uma plantinha, lamentando que ontem estava do mesmo tamanho de hoje, portanto, não cresceu. Reclamará da árvore sem saber que ela cresceu sim, um pouco a cada dia, até que você desista de esperar e, lá na frente, seja surpreendido pela enorme e frutífera árvore.
Você pensa em suas tentativas, seus caminhos, os lugares onde passou, tentou, se esforçou, as filosofias, as religiões que acreditou serem os verdadeiros canais de evolução. Deixe-se me dizer: nenhum deles é. Absolutamente nenhum.
Tudo pode ser ferramenta, tudo pode ajudar, mas espiritualidade é algo que se vive para dentro, ainda que irradie para fora, ainda que promova vínculos, ainda que lhe possibilite exercitar o amor com o próximo, isso é ótimo, mas é consequência do que antes cresceu dentro.
Não projete sua busca em uma religião, por mais coerente que pareça. Não pense que será uma filosofia, um ritual, um livro ou o que quer que seja que substituirá a possibilidade de enxergar na vida, nas relações, na não linearidade do caminho, em você, dentro, onde ninguém vê. Essa busca cheia de angústia só irá causar dependência, jamais paz interior. Você já tem o que precisa, a paz que tanto quer já é, e de modo algum está vinculada a nada, absolutamente nada fora de você, é por isso que sente tanta dificuldade em encontrá-la.
Engraçado como, de maneira geral, sabemos que o dinheiro, o trabalho, o consumo, não nos trará paz, mas nunca pensamos em relação as religiões, filosofias ou afins. Essas não dão paz pela mesma razão que as outras não dão: estão fora de você, por que seria diferente?
Como encontrar seu caminho? Não se cobre, viva sua vida em paz, use o bom senso, sem culpa, sem angustia, apenas preste atenção no caminho, perceba os movimentos diários e insistentes da vida, de tudo, a terra toda apontando para o simples, está tudo a sua volta, perto, presente, vivo, cada detalhezinho do dia, cada brisa do cotidiano, cada som, cada dia, cada noite, cada silêncio, cada dor, cada alegria, cada conversa, cada momento construído para que você se enxergue, valorize o simples, observe, esteja realmente presente, ame, seja grato, perdoe a si mesmo.
Tudo o que passar disso pode ajudar sim, pode ser útil em algum momento, mas nunca estará na dimensão do essencial, portanto, não corrompa a busca, não inverta as coisas, não projete em nada aquilo que, com simplicidade, naturalmente é e nunca está restrito a grupos ou filosofias especificas.
O que realmente importa já vive em você, portanto, sua função é apenas aquietar-se e perceber.

Flavio Siqueira

Angel - Sarah Mclachlan