domingo, 3 de agosto de 2014

Sabedoria

  “A verdadeira sabedoria é um processo interior, indiscernível e não mensurável. Muitas vezes a própria pessoa não tem consciência do que realmente sabe. É por isso que a caminhada na Terra deve ser um processo de entrega, simplicidade e percepção focada em tudo o que é simples e puro. Ninguém precisa ir além disso porque é na simplicidade que as maiores verdades se encontram. O que passar disso pode servir de divertimento intelectual, mas não será nada além. Felizes os que sabem expressar sua sabedoria com palavras, mas esse não é maior do que aquele que não sabe nem ler, mas expressa em sua simplicidade, na caminhada, no sorriso, no olhar, no jeito simples de ver a vida e servir ao próximo. Nada supera isso.”

Flavio Siqueira

sábado, 2 de agosto de 2014

Em cada coisa


    Em cada dia, cada partida, cada chegada, cada encontro, cada porta na cara, cada “não”, cada dor, cada curva, cada diagnóstico, cada dificuldade, cada trauma, choque, encurralamento, desilusão, separação. Cada adeus, cada olá, cada mudança de percurso repentina, sem aviso, sem espera, de surpresa, cada novo cenário que recomeça com o nascer do sol, e aqueles que desaparecem com a chegada da lua, em tudo, acredite; há uma outra chance entre tantas que você sequer vê porque reclama demais, sem perceber como tudo converge em uma única direção: te fazer se calar, se enxergar e se curar. A cura vive em você.

Fabio Siqueira

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Frases lindas e marcantes...


O Silencio é o Argumento



Existem momentos que o silêncio é o melhor argumento,
Existem palavras que não precisam ser ditas, mas sentidas,
Tipo o amor, tipo a dor na alma, tipo o sentimento que não pode florescer,
Tipo a vida sonhada, tipo a vida desejada, tipo o sonho alcançado,
Mas sou humano quase o tempo todo, quase sempre, quase vida.
Quase a nossa despedida que não deseja ser sentida,
Na minha simplicidade espero apenas a felicidade, apenas um momento me serve,
Mas que não seja breve, pois amor é eterno enquanto almejado,
Amor tão esperado, apenas amor retribuído, apenas a sua sinceridade, apenas você.

Jorge Mello

quarta-feira, 30 de julho de 2014

"...É curioso como não sei dizer quem sou


"...É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo...
Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar.
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre"


Clarice Lispector

terça-feira, 29 de julho de 2014

Depois do por do sol

Depois que eu vi o sol nascendo pela primeira vez, ele nasceu em mim.
Quando se pôs, não sabia se iria voltar, mas algo dentro não apagou.
Veio a lua. Ela chegou. Algo novo, outra luz, branda, suave. Eu não sabia que refletia o sol e, quando foi embora, entendi que daqui de onde vejo, nada é definitivo.
Vi que a terra nasce todos os dias e morre em cada segundo. Nem as cores, nem os sons, os tons, nem as caras, nem as vozes, os uivos, os barulhos, os passos viram pegadas, as luzes viram sombras e depois se vão, nem o que eu vejo, nem o que penso. Tudo o que nasce e depois se põe. Tudo que brilha vira reflexo, depois apaga. Tudo o que é, deixa de ser. Vai.
O tempo que nasce e põe suas mãos sobre as coisas que vão, carregando-as para além do horizonte que não vejo. Eu só vejo o sol se por. Eu não vejo.
Reflexos. Combinações de cores, intensidades diminuem, alteram-se perspectivas, ciclos que terminam. Nada é definitivo. Nada é como parece. Só parece o que aparece no meu campo de visão. Eu não vejo.
E o tempo que me leva para depois do sol. No horizonte que se apaga, na luz que diminui, na sombra, densa, voraz, na escuridão que vira abismo, sem brilho, sem teto, sem chão, sem nada, vazio até que a noite termine. Nada é como parece.
Depois que eu vi o sol nascendo pela primeira vez, ele nasceu em mim.
Quando se pôs, não sabia se iria voltar, mas algo dentro não apagou.
Veio a lua. Ela chegou. Algo novo, outra luz, branda, suave. Eu não sabia que refletia o sol e, quando foi embora, entendi que daqui de onde vejo nada é definitivo.
Não é. Até que renasça no universo que sou, nas paisagens que me habitam, na luz que sai do olhar, no tempo que vira um instante, o único que há, o único que sou. Agora vejo. E o que vejo me basta. E o que me basta, me cala. E o que me cala me pacifica. E o que me pacifica não precisa mais de explicações. Silêncio. Agora vejo.

Flavio Siqueira