terça-feira, 3 de março de 2015

A nossa vida é curta


1“Todos somos fracos desde o nascimento; a nossa vida é curta e muito agitada.
2 O ser humano é como a flor que se abre e logo murcha; como uma sombra ele passa e desaparece. 3 Nada somos; então por que nos dás atenção? E quem sou eu para que me leves ao tribunal? 4 O ser humano, que é impuro, nunca produz nada que seja puro.
5 Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver; isso está resolvido, e ninguém pode mudar. 6 Para de olhar para nós e deixa-nos em paz, até que o nosso dia chegue ao fim, como chega ao fim o dia de um trabalhador.
7“Para uma árvore há esperança; se for cortada, brota de novo e torna a viver.
8 Mesmo que as suas raízes envelheçam, e o seu toco morra na terra, 9 basta um pouco de água, e ela brota, soltando galhos como uma planta nova. 10 Mas, quando alguém morre, está acabado; depois de entregar a alma, para onde vai? 
11“Como lagoas que secam, como rios que deixam de correr, 12 assim, enquanto o céu existir, todos vamos morrer. Vamos dormir o sono da morte, para nunca mais levantar. Eu esperarei por melhores tempos 13 “Ah! Se tu me pusesses no mundo dos mortos e ali me escondesses até que a tua ira passasse e então marcasses um prazo para lembrares de mim!
14 Mas será que alguém tornará a viver depois de ter morrido? Eu, porém, esperarei por melhores tempos, até que as minhas lutas acabem. 
15 Então me chamarás, e eu responderei; e tu ficarás contente comigo, pois me criaste.
16 Cuidarás para que eu não erre, em vez de ficares espiando para me veres pecar.
17 Esquecerás os meus pecados e apagarás os meus erros. Tu acabas com a nossa esperança
18“Mas assim como as montanhas vão se desmoronando, e as rochas saem dos seus lugares; 19 e assim como as águas escavam as pedras, e as correntezas levam a terra, assim tu acabas com a esperança do ser humano. 20 Tu o derrotas, ele se vai para sempre, e mudas a sua aparência quando o despedes deste mundo. 21 Se os seus filhos recebem homenagens, ele não fica sabendo e, se caem na desgraça, ele não tem notícia. 22 Ele sente apenas as dores do seu próprio corpo e a agonia do seu espírito.”


Comentário:

Este capítulo encerra o discurso mais longo feito por Jó. Ele ainda está se dirigindo a Deus. Vemos aqui uma mistura de confiança e queixas. (mais uma vez, algumas passagens permitem mais de uma interpretação, ou atitude da parte de Jó). Desespero em meio a esperança. Rosas entre espinhos.

*Aprenda a excelência da consistência.

V. 1-2 Se lamentando da vida

Ligado com 13: 28, o rápido declínio da vida do homem na terra.

Não há chauvinismo aqui! Apenas realidade, vista de um ponto de vista sem Deus (como várias partes do livro de Eclesiastes). Talvez uma referência á Eva.

Veja o que o pecado produziu: V. 1

v. 1 Brevidade de vida (e morte). A vida nos tempos de Jó era mais curta do que a dos seus predecessores. Duas ilustrações, a flor e a sombra. Ambas logo desaparecem. Porém, isto é uma benção em seu disfarce devido a:

v. 2 Muita inquietação. Dentro e fora. Problemas na alma, no corpo, na família, na vizinhança e no mundo. Suscetível a mudanças – para o pior. Compare com o que Jacó disse em Gênesis 47: 9. Oh, o que o pecado tem feito!

- Nosso estado é temporário, fugaz. Portanto, não pense que é eterno (como faz a maioria dos inconversos). Tenha certeza da vida eterna, vida da alma voltada para Deus. Mantenha a perspectiva correta do tempo/eternidade.

- Nosso estado é de pecado. Portanto, não espere uma vida livre de problemas. Nós passamos por uma crise maior a cada seis mêses! V. 3-6 Humilhado diante de Deus v. 3 v. 4 “Sendo a vida tão curta e cheia de problemas, Tu ainda me privas de uma parte dela? Vais torná-la ainda mais curta e problemática? A vida não é má o suficientemente sem sermos acossados por Deus? Eu sei que não posso me igualar a Ti, ou comparecer num julgamento diante de Ti.” v. 5 v. 6 “Eu não teria chances num julgamento. Sou impuro. Eu sei disso. Eu nunca poderia passar por julgamento mais minucioso da Sua parte.” v. 7 v. 8 -6 “Já que meus dias estão contados por Ti, assim como toda a minha existência, desde o início até o fim, está em Suas mãos, deixe-me apenas sobreviver. Retire a Sua ira de mim, para que eu possa terminar os meus dias em paz...para que cumpra o meu “turno” e faça meu trabalho. (Deixe-me morrer uma vez só, não muitas!)”

Palavras humildes (embora outras emoções também brotaram!).

- Temos que ser humilhados devido ao nosso estado de impureza, v.4. Não nascemos limpos. Começamos num estado de impureza. Pecado original (isto é parte da natureza caída de todo descendente de Adão). Esta verdade deveria humilhar até mesmo aquele que se considera exteriormente mais “limpo”. (Minha própria experiência).

- Deus é soberano sobre o nosso tempo de vida, v.5 (comp. 7: 1). Somente Ele é que tem o direito de tirar nossa vida. Não há motivos para temermos os acidentes, doenças, guerras, etc. (A mídia gosta de nos manter apreensivos e preocupados.) Você é imortal aqui, até que Deus o queira! Compare cap. 2 e as testemunhas de Apoc. 11: 7.

- A oração é consistente com a predestinação, v. 5-6. Deus predestinou os meios e as causas secundárias! – uma das quais é a oração. (E por que orar se Ele não é absolutamente soberano?...melhor se preocupar, manipular, etc.!)

V. 7-12 Contrastes e comparações

Homem é diferente da árvore, v. 7-9. Como é difícil matar uma árvore! Exemplo do nosso próprio jardim aqui. A vida parece impossível de ser parada. Mas (v. 10) fala que o homem é diferente, pois ele morre rápido e facilmente. Ele evapora, declína, expira e se vai! Não brota novamente.

O homem é como as muitas águas, v. 11-12, que seca, desaparece e não retorna (Saber exatamente a que Jó se refere é um mistério. Talvez algum dos efeitos causados após um dilúvio, quando as águas se secam.) Assim é o homem: ele cai para não levantar nunca mais, ou despertar, até que os céus (usado para medir o tempo) não mais existam.

Porque isto é verdade...

V. 13-15 Espere pela morte

“Deixe-me me esconder, escapar dos problemas, na morte. O pecado arruinou e domina esta vida, embora a morte seja terrível, ela não poderia ser pior do que a vida que estou vivendo agora.”

Note como Jó se sente seguro com relação a morte. ocultasses....lembrasses.

v. 14a tremenda questão! Resposta: Não, não neste mundo (comp. Salmo 115: 17, 146: 4, etc.) Mas, sim no mundo vindouro (que Jó irá declarar mais tarde no cap. 19). Talvez alguma falta de informação sobre o “estado intermediário”?

v. 14b-15 Qual mudança? Aquela no final dos dias determinados (compare v.5), ex: a morte. (Mas alguns veêm aqui uma referência a ressurreição.) Jó está contente em esperar pelo tempo em que Deus o chame através da morte. “Estou pronto, a qualquer hora que Tu queiras!

Eu tenho demonstrado a minha ânsia pela morte, mas (em momentos de maior sanidade) reconheço a Sua soberania sobre a extensão da minha vida, portanto, eu espero.

Note a confiança de Jó de que ele é fruto do trabalho e do desejo de Deus (almejarias).

- Que conforto saber que somos o cumprimento do desejo de Deus. Assim como Jó, busquemos conforto nesta verdade. Aqui vemos Jó (como Davi) encorajando a sí mesmo no Senhor, seu Deus. Aqui temos a rosa entre espinhos neste capítulo.

(Jó é o seu próprio confortador, na ausência de amigos que o façam.)

- Almas agraciadas podem responder alegremente ao chamado da morte.” (Henry)

- Na sepultura, não há mais o efeito do pecado e nem da maldição de Deus sobre ele, até onde isto se relacione a alma do remido. Simplesmente entrar na sepultura, e tudo ficará bem! A batalha e a luta acontecem agora, somente nesta vida. Morra bem, pois tudo ficará bem.

V. 16-22 A Severidade de Deus

Mas agora! (rápida alteração de tom – assim como fazemos algumas vezes em nossas próprias orações!)

v. 16a “Tu me vigias de perto em cada movimento, motivo.”

v. 16b “Eu sei que Tu vês cada um dos meus pecados e falhas.

v. 17 O costume de costurar a bolsa de dinheiro a fim de proteger seu conteúdo, e também documentos importantes, como uma intimação judicial, processo. Henry faz as seguintes observações nestes dois versículos: “Deus realmente vê todos os nossos pecados, Ele enxerga o pecado do seu próprio povo, mas não é severo em contá-los um a um para nós, nem a lei está se esticando para nos alcançar, pois somos punidos muito aquém do que merecemos. Deus sela e amontoa, para o dia da manifestação da Sua ira, a transgreção do impenitente, mas os pecados do Seu povo, Ele desfaz como uma nuvem.”

v. 18 O que sou eu comparado a uma imensa montanha ou a rocha que Tu moves? Sou mutável, inconstante, frágil, a Sua disposição.”

v. 19 “Como a água com o tempo desgata a pedra e varre o solo, assim as tribulações, que se estendem por tão longo período, estão varrendo a minha vida. Minha esperança acabou com relação a esta vida.”

- As esperanças materiais do homem, sonhos, aspirações e ambições, são todas frustradas por Deus. Ele “destrói nossos planos e alegrias terrenas”, a fim de encontrarmos nosso tudo, nEle! (Newton) Ele nos faz esse favor!!

v. 20 “Tu retiras o homem da terra. Mostra-lhe a face da morte.”

v. 21 “Tu privas o homem de saber o que acontece aqui na terra após a sua morte.”

v. 22 “Até a morte, o corpo e a alma sofrerá dor e tristeza aqui.” Compare v. 1. Muita verdade, é claro. * Mas esteja certo de declarar isso de forma doce, não amarga.

Observe:

1. Nossa vida é, em ultima estância, medida pelos dias (v. 1, 5). Como nos obituários. Viva para Deus no presente. Não presuma do dia de amanhã com idéias românticas. Não deixe a obediência para o dia seguinte. (obediência vagarosa não é obediência.)

2. Deus conhece nossa estrutura!...nossa fragilidade. Salmo 103: 13-18. Ele é misericordioso. Cristo se simpatiza com a nossa dor (Que declaração!)

3. Não espere muito da caída e amaldiçoada terra. Encontre o seu prazer e propósito em Deus, na redenção, no céu, e na obediência.

4. V. 4 Na redenção, Deus faz aquilo que o homem não pode fazer. Ele pega um pecador impuro, e o torna um santo perfeito! Como? Ao tomar um cordeiro sem mancha e oferecê-lo em humilhação e morte. Permaneça com temor e tremor diante da Sua poderosa obra de redenção!

Daniel A. Chamberlin


Ainda que ele me mate nele confiarei



FORJADORES DE MENTIRAS
1 Tudo isto meus olhos viram e meus ouvidos ouviram, e compreendi tudo.
2 O que vós sabeis, também eu sei: não sou inferior a vós.
3 Contudo, quero falar ao Poderoso, com o próprio Deus quero disputar.
4 Quanto a vós, mostrarei que sois forjadores de mentira, todos vós sois curandeiros de nada.
5 Oxalá ao menos vos calásseis, para que isto vos fosse creditado como Sabedoria.
6 Ouvi, pois, a minha defesa e atentai para os argumentos de meus lábios.
7 Acaso é para defender a Deus que mentis, e em seu favor apresentais enganos?
8 Acaso tomais o seu partido e quereis defender em juízo a causa de Deus?
9 Não seria bom que ele vos examinasse? Ireis zombar dele, como se zomba de qualquer um?
10 Ele mesmo vos repreenderá, porque, às escondidas, sois parciais.
11 A majestade dele não vos perturbará e não cairá sobre vós o seu terror?
12 Vossas máximas são como provérbios de cinza, couraças de barro, as vossas couraças!
13 JÓ ARRISCA TUDO
Calai-vos um pouco, para que agora eu fale e venha sobre mim o que vier.
14 Por que eu morderia minha carne com os dentes e poria minha vida em minhas mãos?
15 Ainda que fosse matar-me, eu nele esperaria; apesar de tudo, na sua presença defende rei minha conduta.
16 Isto já seria a minha salvação, pois nenhum ímpio comparece diante dele.
17 Escutai, pois, minhas palavras, ouvi com vossos ouvidos o que vou expor.
18 Preparei meu julgamento, e sei que vou ser declarado inocente.
19 Quem é que vai disputar comigo? Só depois me calarei, e morrerei!
20 Apenas duas coisas não me faças, ó Deus, e então não me esconderei da tua presença:
21 afasta de mim a tua mão, e não me amedronte o teu terror.
22 Interpela-me, e eu te responderei, ou deixa-me falar, e tu me responderás.
23 São tão grandes assim minhas iniqüidades e meus pecados? Mostra-me os meus crimes e delitos!
24 Por que escondes tua face e me consideras teu inimigo?
25 Ages duramente contra uma folha que é levada pelo vento, e persegues uma palha ressequida.
26 Pois proferes contra mim sentenças amargas e me obrigas a assumir os pecados de minha juventude.
27 Prendeste meus pés ao cepo, vigiaste todos os meus caminhos e examinaste até minhas pegadas,


Comentário:

Jó atinge o limite mais elevado da sua fé e da sua confiança em Deus ao afirmar: “Ainda que ele me mate nele confiarei” (13:15). Que é como quem diz: mesmo depois de morto, continuarei a confiar. A fé de Jó é elevada até ao limite da eternidade. Lembra-nos os três jovens que, ao serem ameaçados de morte caso não adorassem a estátua de ouro, responderam que Deus os livraria, mas mesmo que não livrasse, a sua decisão era inalterável. (Daniel 3:16-18). Que exemplo! A fé não pode ser negociada. 
Jó expressa frontalmente a sua irritação e desilusão em relação aos amigos: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e todos vós, médicos que não valem nada. Tomara que vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria” (13:4-5). 


Ludgero Coelho

segunda-feira, 2 de março de 2015

Jó sabe por experiência


1 Jó tomou a palavra e disse:
2 “Então vós sois os tais, e convosco a Sabedoria vai morrer?
3 Mas também eu, como vós, tenho entendimento, e não sou inferior a vós; quem ignora aquilo que sabeis?
4 Quem é escarnecido, como eu, por seus amigos, invocará a Deus, e ele o ouvirá, pois é a integridade do justo que é escarnecida.
5 A lâmpada, desprezada pelos que estão seguros, está a serviço dos que têm os passos vacilantes.
6 Estão tranqüilas as tendas dos ladrões, e seguras, as dos que desafiam a Deus, dos que têm Deus na palma da mão.
7 Pergunta, por exemplo, aos asnos, e te ensinarão; às aves do céu, e te informarão;
8 volta-te para a terra e ela te instruirá, os peixes do mar te hão de esclarecer.
9 Quem não ignora, em todas estas coisas, que foi a mão do Senhor que fez tudo?
10 Em sua mão está a alma de todo ser vivo, o espírito de toda carne mortal.
11 O ouvido não distingue as palavras e o paladar não saboreia as iguarias?
12 A sabedoria não se encontra nos cabelos brancos? E a prudência, não está nos anciãos?
13 Ora, é em Deus que está a sabedoria e a força: ele tem o conselho e a inteligência.
14 DEUS DESFAZ A SABEDORIA HUMANA
Se ele destrói, ninguém poderá reconstruir; se ele aprisionar alguém, não haverá quem o solte;
15 se retiver as águas, virá a seca; se as soltar, inundarão a terra.
16 Nele está a força e a sabedoria, ele conhece quem engana e quem é enganado.
17 Manda embora os conselheiros sem nada, e leva os juízes à demência.
18 Desata o cinturão dos reis e amarra seus rins com uma corda.
19 Manda embora os sacerdotes sem nada, e abate os poderosos.
20 Troca as palavras dos que falam com segurança e tira o conhecimento dos anciãos.
21 Lança o desprezo sobre os nobres e afrouxa o cinturão dos violentos.
22 Descobre o que há de mais oculto nas trevas e traz à luz a sombra da morte.
23 Engrandece as nações e as arruina; se destruídas, restaura-as integralmente.
24 Tira o entendimento aos chefes do povo e os engana, deixando-os vaguear num deserto sem estradas.
25 E andarão às apalpadelas como nas trevas e não na luz, pois ele os faz vaguear como bêbados.

Comentário:

Aqui tem início a longa resposta de Jó para Zofar. Nestes três capítulos, Jó expõe de forma geral a sua posição, dizendo coisas muito úteis. Ele fala dos homens 12: 1-13, 19 (?), e então de Deus 13: 20- 14: 22 (note a mudança do plural para o singular.)

Jó confronta Zofar e os outros com sua própria posição: “Vocês pensam que eu sou ignorante, e que não sei nada a respeito de Deus, ficando facilmente abalado com suas profundas indagações? Bem, Eu posso discutir com o melhor de vocês. Deixe-me mostrar a vocês!” A Descrição de Jó sobre a soberania de Deus é, sem dúvida, maior do que aquela feita por Zofar no cap. 11, pois mostra uma visão mais profunda.

Introdução. V. 2-3

Há um pouquinho de sarcasmo aqui ao repreender o orgulho. “Você diz que eu sou um homem vão, como um jumento montês. Bem, caros companheiros, vocês se acham os representantes dos homens! Vocês tem o monopólio da sabedoria. Ela começa e termina com vocês. Na verdade, vocês estão se superestimando. Eu entendo tudo o que vocês disseram. De fato, qualquer um pode entender estes princípios tão simples – ex: justiça divina, plantar e colher.

- Há ocasião para se responder ao tolo em sua tolice. (Os três eram homens sábios, mas as provações de Jó trouxe a tona o pior deles! Um orgulho intelectual horroroso, etc.) Um terreno perigoso – caminhe com cuidado! – há um tempo em que não se deve responder ao tolo.

- Compare Elias no Carmelo zombando dos falsos profetas. Ou Paulo em I Coríntios 4: 10.

- Nenhum de nós pode dispensar a sabedoria! Somos tremendamente pequenos!! Mantenha uma opinião humilde sobre você mesmo. Filipenses 2: 3 cada um considere os outros superiores a si mesmo.

A descrição de Jó, v4-5

“Vocês dizem que sou um zombador (11: 3). Mas são vocês que zombam de mim! Vocês estão no alto e no seco – oram e Deus os ouve – estão tranqüilos. Podem rir e zombar por estarem seguros.”

- Se vocês estão seguros, não desprezem os que não estão. Os que estão em segurança, não deveriam zombar daqueles que estão em perigo. O forte não deve desprezar o fraco, mas antes, recebê-lo (Romanos 14: 1).

- Rir e zombar pode causar mais dano do que a própria violência. Pense em Cristo: A violência da crucificação foi enorme, mas talvez a dor maior tenha vindo das zombarias. (Aqui Jó experimenta do cálice que Cristo bebeu sem deixar uma gota.) Também foi traído pelos amigos (Salmo 55: 12-14).

A Teologia bi-dimensional de Jó, v. 6-25.

Lembre-se de que a de seus amigos era unidimensional. Talvez haja ainda uma tri-dimensional, que Jó ainda não houvera visto (a saber: que estas provações eram uma prova do amor de Deus por ele, e para o bem dele). Mas, Jó se agarra aqui ao direito que Deus tem de afligir o justo nesta vida.

V. 6 “Olhe agora para os Sabeus e os Caldeus que estão desfrutando das minhas riquezas. Ninguém na terra pode alcançá-los. Eu não pude evitar que eles levassem meus bens. De onde eles obtiveram sua riquezas? No final das contas, Deus é quem deu tudo isso á eles!”

- Declaração importante: Jó está vencendo em sua posição! Deus é Deus. Ele está no controle de tudo. Ele tem propósitos que nós não podemos enxergar. “A fórmula simplista que vocês tem, de semear e imediatamente colher, não pode ser mantida.”

Henry: “Não podemos, portanto, julgar a piedade dos homens pela abundância do que possuem, nem o que eles têm nos seus corações, por aquilo que tem em suas mãos.”

V. 7-9 O testemunho da criação.

Pode ser entendido ao se falar:

De forma geral: “Toda criação testifica da autoridade do Criador.” Salmo 19.

De forma específica: “Entre os animais, vemos as inofensíveis pombas sendo devoradas pelos pássaros carnívoros.” Pequenos e engraçadinhos cachorrinhos, sendo devorados vivos, pelos pumas selvagens. A vida na terra simplesmente não é justa aos nossos padrões. Mas, isto é a mão do Senhor.

[Note v. 9, é a única vez que a palavra Jeová é usada pelo homem no livro de Jó.]

V. 10-12 O testemunho da humanidade.

“Todas as almas estão em suas mãos. Nosso fôlego vem dEle. Nossas faculdades de raciocínio, julgamento moral, padrão da verdade e sabedoria, não passam de dons de Deus. Nós mesmos somos provas óbvias de Deus. Ele sustenta, mantém, controla e dispõe de nós, segundo a Sua vontade.”

V. 13-15 “Todos estes pontos apontam para a fonte de sabedoria e entendimento: Deus.”

A seguir, há uma série de declarações apontando para a Providência Divina em todos os acontecimentos.

- v. 14 O poder de Deus sobre todos os acontecimentos, de acordo com Sua vontade.

- v. 15 O poder de Deus sobre o dilúvio.

- v. 16 Uma das colocações mais contundentes de Jó! Aqui há comida sólida - os homens deveriam alimentar-se dela! “Deus faz muito mais do que você imagina!”

- v. 17 Deus humilha os grandes homens, rebaixando-os.

- v. 18 Ele os inutiliza (pense em Nabucodonosor).

- v. 19 Novamente, Ele depõe os poderosos.

- v. 20-21 Deus humilha o “sábio” e o poderoso.

- v. 22 Deus sabe de tudo. Ninguém pode se esconder dEle. Ninguém pode ocultar um segredo de Deus. Citado em I Coríntios 4: 5 – Verdade profunda. Pense em Davi, Hamã, Acã e até mesmo Adão.

- v. 23-25 Deus tem o controle absoluto, de todas as nações, não estando tal controle somente com os homens. Eles são meros tolos, comparados com Deus, eles não têm noção do que Ele é capaz.

V. 25 Uma descrição apropriada da nossa nação hoje! Sega, bêbada e insana.

Resumo: “Eu posso argumentar também! Eu posso debater sobre a grandeza de Deus! Vocês não detém este monopólio!”

Observe:

1. Há conforto para o Cristão nos atributos de Deus. Nada é mais relevante.

2. O principal atributo que nos dá conforto é a Sua Soberania. Que travesseiro macio para inclinar nossas cabeças cansadas! Quantas vezes já tivemos provas disso! Descanse nAquele que ordena todas as coisas! “Ele pode fazer comigo o que bem entender.”

3. Deus nunca prometeu que o justo não seria afligido. Mas, “ainda que nos aflija, não nos deixa tão fracos que não possamos servi-Lo, nos permitindo permanecer em nossa carreira, até que tenhamos passado por tudo e vencido as tentações que temos que suportar neste mundo.” (Calvino)

4. De volta ao v. 16. Alguns negam esta verdade, pensando que isto faz de Deus o autor do pecado.

Calvino: “Você pode ver então, como eles são apenas bestas arrogantes, os quais não concordam que Deus seja Todo-Poderoso, a menos que eles possam sujeitá-Lo a suas próprias idéias e fantasias”. Mas nós entendemos as “causas secundárias”, os decretadas por Deus. Ele governa. Salmo 76: 10. Até mesmo Satanás, o pai dos mentirosos, está sob o domínio de Deus! I Reis 22: 22, II Tess. 2: 11. “Permitir” é na realidade, decretar!

*Os eleitos não podem ser enganados! (Mateus 24: 24). Nós somos preservados, tentados, testados, humilhados, mas guardados no poder de Deus! “Deus não toleraria o pecado do enganador, nem a miséria do enganado, se não pudesse colocar limites a ambos, e glorificar a si mesmo através de ambos.” (Henry) Tudo para o bem Rom. 8: 28!!

Daniel A. Chamberlin

domingo, 1 de março de 2015

Qual é a queixa que vocês têm de mim?


26 O Senhor Deus diz:— Como o ladrão fica envergonhado quando é pego, assim o povo de Israel passará vergonha: todos vocês, os seus reis e príncipes, os seus sacerdotes e profetas. 27 Passarão vergonha todos aqueles que dizem a um pedaço de madeira: “Você é o meu pai”, e a uma pedra: “Você é a minha mãe”. Isso vai acontecer porque vocês me viraram as costas, em vez de virarem o rosto para o meu lado. No entanto, quando estão em dificuldades, vocês vêm me pedir que os salve. 28 Onde estão os deuses que vocês fizeram para vocês mesmos? Quando vocês estão em dificuldades, que eles os salvem, se é que podem. Judá, os seus deuses são tantos quantas as suas cidades. 29 Eu, o Senhor, pergunto:— Qual é a queixa que vocês têm de mim? Vocês todos se revoltaram contra mim. 30 Eu os castiguei, porém isso não adiantou nada; vocês não quiseram aprender a lição. Como um leão furioso, vocês mataram os seus próprios profetas. 31 Todos vocês, prestem muita atenção no que estou dizendo. Povo de Israel, será que eu tenho sido para vocês como um deserto, como uma terra perigosa? Então por que é que vocês dizem que vão fazer o que quiserem e que não voltarão mais para mim? 32 Por acaso, uma jovem esquece as suas joias? Ou uma noiva esquece o seu véu? Mas o meu povo esqueceu de mim por tantos dias, que nem dá para contar. 33 Vocês sabem muito bem como andar atrás dos amantes, e até as prostitutas podem aprender isso com vocês. 34 As roupas de vocês estão manchadas com o sangue de pobres e inocentes que nunca assaltaram as suas casas.— Mas, apesar de tudo isso, o meu povo diz: 35“Eu estou inocente. Certamente, o Senhor Deus não está mais irado comigo.” Mas eu, o Senhor, o castigarei porque você diz que não pecou. 36 Por que você muda assim para pior, sem mais nem menos? Como você ficou desiludido com a Assíria, também ficará desiludido com o Egito. 37 Você vai voltar também do Egito de cabeça baixa, envergonhado. Eu, o Senhor, rejeitei aqueles em quem você confia; você não vai ganhar nada ficando com eles.

Os crimes de Jó e a justiça de Deus


1 Zofar de Naamat tomou a palavra e disse:
2 “Como não dar resposta a quem está falando tanto? Ou alguém, só por falar muito, acaba tendo razão?
3 Tua vã linguagem calará os demais? Tendo zombado dos outros, não serás refutado por ninguém?
4 Disseste: ‘Meu discurso é puro’ e ‘Aos teus olhos, sou inocente!’
5 Oxalá Deus mesmo falasse contigo e abrisse os lábios para ti!
6 Quisesse ele revelar-te os segredos da Sabedoria e seus misteriosos desígnios! Então compreenderias que Deus exige, de ti, muito menos do que merece a tua iniqüidade.
7 Acaso compreenderás os vestígios de Deus e atingirás a perfeição do Poderoso?
8 Ele é mais alto do que o céu: que poderás fazer? É mais profundo que o abismo: que poderás conhecer?
9 A sua medida é mais longa que a da terra e mais larga do que o mar.
10 Se ele derruba, ou prende, ou aperta, quem poderá impedi-lo?
11 Pois conhece a presunção dos mortais: ao ver a maldade, portanto, não prestará atenção?
12 Até quem é tolo pode tornar-se prudente, embora, ao nascer, pareça um filhote de asno selvagem.
13 JÓ TEM DE SE CONVERTER
Se, pois, firmares teu coração e para Deus estenderes as tuas mãos;
14 se lançares para longe de ti a maldade que está na tua mão e não deixares alojar-se a injustiça em tua tenda,
15 então poderás levantar teu rosto sem mancha, estarás firme e nada temerás;
16 e esquecerás tuas desgraças ou delas te recordarás como de águas passadas.
17 À noite se levantará, sobre ti, uma luz como a do meio-dia e, ao te imaginares coberto de escuridão, surgirás como a estrela da manhã.
18 Estarás confiante, pela esperança que te será proposta e, mesmo no esconderijo, dormirás tranqüilo.
19 Repousarás e ninguém te amedrontará, e muitos procurarão o teu favor.
20 Quanto aos ímpios, os seus olhos desfalecerão,seu refúgio falhará, e sua esperança é o último suspiro.”


Comentários
I. O primeiro discurso de Zofar (11:1-20)

A. Zofar começa seu discurso repreendendo asperamente Jó por sua impertinência (pelo menos como Zofar a vê) - ( vs. 1-6).

1. Ele se vale de diversas perguntas para sugerir que Jó não deve pensar que silenciou os outros com sua má vontade em aceitar os argumentos deles (vs. 1-3).

2. Zofar exprime seu desejo de que Deus na verdade confrontasse Jó. Ele acredita que Jó acharia que Deus realmente está castigando-o menos do que merece (vs. 4-6)!

B. Zofar ressalta a inescrutabilidade dos caminhos de Deus (vs. 7-12).

1. A sabedoria de Deus é muito elevada para o homem e seu poder é irresistível (vs. 7-10).

2. Deus é capaz de reconhecer o pecado nos homens mesmo se eles próprios forem incapazes de vê-lo. Para demonstrar a possibilidade de homens como Jó se tornarem sábios (talvez para seu próprio pecado?), Zofar sugere que tal evento é tão provável como um jegue dar nascimento a um homem (vs. 11-12).

C. Zofar termina seu discurso de modo semelhante a Elifaz e Bildade (vs. 13-20).

1. Ele admoesta Jó a se arrepender e fala das bênçãos disponíveis para Jó no arrependimento.

2. Zofar realmente descreve o arrependimento e seus frutos muito bem mesmo.
a. "Se dispuseres o coração..." (v. 13) - o arrependimento é literalmente uma mudança de vontade.
b. "...e estenderes as mãos para Deus" (v. 13) - talvez o primeiro fruto que o arrependimento produza seja a confissão do pecado diante de Deus e a busca do perdão.
c. "...se lançares para longe a iniquidade da tua mão e não permitires habitar na tua tenda a injustiça" (v. 14) - outra conseqüência do arrependimento é a reforma da conduta.

II. A réplica de Jó a Zofar e seus outros dois amigos (12:1 - 13:19)

A. Jó evidentemente começa sua réplica com uma boa dose de sarcasmo (vs. 1-12).

1. Ele observa que, ainda que eles possam pensar que são os únicos que têm alguma sabedoria, ele também sabe as coisas que eles sugeriram (vs. 1-3).

2. Ele, contudo, chama a atenção deles para a realidade de que a teoria deles não se ajusta aos fatos (vs. 4-6).
a. Aqueles que estão seguros têm tendência a agirem de modo condescendente para com o desafortunado, aquele que está sofrendo (vs. 5).
b. Conquanto Jó seja justo, seus amigos zombam dele e ainda "as tendas dos tiranos gozam paz" (12:6). O uso que Jó faz da palavra "seguro" no versículo 6 pode ser uma referência ao comentário de Zofar em 11:18.

3. Jó continua seu sarcasmo, observando que a sabedoria de seus amigos é possuída até pelos animais (vs. 7-12). Ele não parece estar depreciando a sabedoria dos amigos, mas antes sugere que eles não precisam ensinar-lhe o que é universalmente sabido.

B. Jó faz uma descrição do poder divino (vs. 13-25). Ainda que Jó afirme a sabedoria e a prudência de Deus, ele insiste nos atos destrutivos de Deus.

C. Os amigos de Jó são "médicos que não valem nada"; ele deseja falar com o Todo-Poderoso (13:1-19).

1. Lembrando de novo seus amigos que ele tem o mesmo conhecimento que eles possuem, ele os admoesta a ficarem calados (vs. 1-12).
a. Ele testifica que os argumentos deles não têm valor.
b. Ele os repreende por demonstrarem parcialidade em sua defesa dos atos de Deus e sugere que Deus os castigue por isso (vs. 7-11).
c. Os amigos têm mostrado parcialidade para com Deus, assumindo que Jó tinha pecado. Na opinião deles, Jó não poderia ser inocente e ainda sofrer; pois isto sugeriria que Deus era injusto ao afligir Jó. Como Jó, os amigos não parecem reconhecer a existência de Satanás e assim atribuem o sofrimento de Jó a atos de Deus. Ao assumirem a pecaminosidade de Jó, eles tinham respeitado a pessoa de Deus, enquanto se recusavam a aceitar a possível inocência de Jó!

2. Jó pretende defender seu caso diante de Deus sem se importar com as conseqüências (vs. 13-19).
a. Parece que Jó ainda está se dirigindo aos seus amigos, nesta parte.
b. Jó expressa sua confiança em que será justificado.

III. Jó fala a Deus (13:20 - 14:22)

A. Jó faz duas petições em preparação para a defesa de seu caso (vs. 20-22):

1. Uma pausa no seu sofrimento (vs. 21).

2. Que Deus se comunique com ele (vs. 22).

B. Jó pede a Deus que revele seus pecados e expressa perplexidade quanto ao motivo pelo qual Deus o está tratando como um inimigo (vs. 23-27).

C. Jó comenta a brevidade da vida do homem (13:28 - 14:6).

1. Em vista da vida curta do homem, por que o julgamento de Deus é tão rigoroso?

2. Jó pede que Deus desvie dele seus olhos e permita que ele descanse no tempo que sobrou.

D. Jó observa a desesperança do homem (14:7-22).

1. Diferente da árvore que rebrota de suas raízes, mesmo depois de ter sido cortada, o homem morre e "não se levanta" (vs. 7-12)
a. À primeira vista, parece no versículo 12 que Jó não crê numa ressurreição dos mortos. Contudo, Jó está falando, possivelmente, da renovação de sua vida física, neste versículo. Jó está então dizendo que o homem não pode viver outra vida física (observe a ilustração da árvore) como a que ele perdeu, mas que ele não cessa de existir na morte.
b. Parece que Jó tem alguma esperança de uma ressurreição (v. 14).

2. Jó exprime seu desejo de que Deus escondesse-o na sepultura até um tempo em que sua ira passasse e ele voltasse a "lembrar-se" dele.

3. Jó termina seu discurso em desespero (vs. 18-22). Tão certo como a erosão acontece, Deus destrói a esperança do homem.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cansado de viver


1 Minha alma está cansada de viver. Soltarei contra mim mesmo o meu discurso, expressando toda a minha amargura.
2 Direi a Deus: Não me condenes! Faze-me, antes, saber, por que me julgas assim.
3 Por acaso, parece-te bom que me oprimas e me calunies, a mim, obra de tuas mãos e favoreças o desígnio dos perversos?
4 Acaso são de carne os teus olhos e vês as coisas como as vê o ser humano?
5 Acaso são como os de um mortal os teus dias e os teus anos, como as estações humanas,
6 para esquadrinhares a minha iniqüidade e investigares o meu pecado?
7 No entanto, sabes que eu nada fiz de mal, mas, por outro lado, ninguém pode livrar do teu alcance.
8 “SOU TUA CRIATURA, MAS QUAL FERA ME ESPREITAS”
As tuas mãos me fizeram, plasmando todo o meu ser inteiramente, e de súbito me fazes cair?
9 Lembra-te, por favor, que me fizeste como argila… e agora, me reduzes ao pó?
10 Acaso não me derramaste como leite, e me coalhaste como queijo?
11 De pele e carne me vestiste, de ossos e de nervos me teceste.
12 Vida e misericórdia me concedeste e teu cuidado guardou o meu espírito.
13 Embora escondas estas coisas no teu coração, sei que as andavas remoendo em tua mente:
14 Se eu pecar, estarás me observando e não consentirás que eu seja livre da minha iniqüidade.
15 Se eu fosse ímpio, ai de mim; se justo, não levantaria a cabeça, repleto que estou de aflição e miséria.
16 Se me deixo levar pelo orgulho, me prendes como ao filhote do leão e de novo te revelas admirável em mim.
17 Renovas contra mim tuas testemunhas e redobras tua ira contra mim, contra mim combatem teus castigos.
18 Por que então me tiraste do ventre materno? Oxalá tivesse eu morrido, para que olho algum me visse.
19 E eu teria sido como quem não existiu, transportado, já, do ventre ao túmulo.
20 Acaso a brevidade dos meus dias não acabará logo? Deixa, pois, que se alivie um pouco a minha dor!
21 Mas isto, antes que eu vá, sem volta, para a região das trevas e da sombra da morte,
22 a terra da escuridão e das trevas, onde só há sombra de morte e caos, e habita o horror sempiterno”.


Comentários:

Jó continua seu discurso (9:25 - 10:22)
A. Na última parte do capítulo 9, parece que Jó dirige seus comentários em parte a Deus e em parte a Bildade e seus outros dois amigos.

B. Tendo discutido o tratamento do homem em geral por Deus em 9:22-24, agora Jó se volta para o tratamento dele mesmo por Deus (vs. 25-31).
1. Usando as figuras de um corredor, navios velozes e uma águia, Jó descreve a brevidade da vida (vs. 25-26).
2. Ele fala da persistência de Deus em considerá-lo culpado e como resultado ele é incapaz de se alegrar (vs. 27-31).
3. Jó sente a necessidade de um terceiro participante para arbitrar a diferença entre ele e Deus (vs. 32-35). Parece que ele está antevendo a obra de Jesus Cristo como nosso mediador.

C. Sentindo que nada tem a perder, Jó fala a Deus diretamente, insistindo em saber porque Deus está "contendendo com ele" e então oferecendo as razões possíveis para o comportamento de Deus (10:1-7).
1. Ele pergunta se Deus tem algum prazer em oprimir sua própria criação (vs. 3).
2. Ele pergunta se Deus, como um homem, tem percepção limitada e, por isso, julgou-o injustamente (vs. 4).
3. Ele questiona se a duração da vida de Deus é tão curta como a de um homem, para que ele esteja com pressa de procurar o pecado de Jó antes que ele o tenha cometido (vs. 5-7).

D. Desconsiderando as duas últimas perguntas, Jó continua seu discurso seguindo a primeira possibilidade (vs. 8-22).
1. Ele recorda a Deus que ele é criatura de Deus (vs. 8-12).
2. E ainda Deus parece determinado a destruir Jó em qualquer circunstância, um rumo aparentemente inconsistente com seu cuidado em criar Jó (vs. 13-17).
3. Novamente Jó expressa seu desejo de ter morrido ao nascer. Desde que Deus não permitiu isso e seus dias restantes são poucos, Jó pede a Deus que o deixe em paz (vs. 18-22).
4. Conquanto Jó não tenha se afastado de Deus, ele está obviamente lutando com sua fé. Quão agradecido Jó deve ter estado mais tarde porque Deus não atentou para suas palavras e o "deixou em paz" como ele tinha pedido!


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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Não adianta disputar com Deus



1 Respondendo-lhe, disse Jó:
2 “Sei muito bem que é assim: Como poderia alguém prevalecer diante de Deus?
3 Se quisesse disputar com ele, a mil razões eu não teria uma para responder.
4 Ele é sábio de coração e de força poderosa; quem já o enfrentou e ficou ileso?
5 Ele desloca as montanhas sem que elas percebam, e as derruba em sua ira.
6 Ele abala a terra em suas bases e suas colunas vacilam.
7 Ele manda ao sol que não se levante e guarda sob chave as estrelas.
8 Sozinho desdobra os céus, e caminha sobre as ondas do mar.
9 É ele quem faz a Ursa e o Órion, as Plêiades e as constelações do Sul.
10 Faz prodígios insondáveis, maravilhas que não se podem contar!
11 Se passa junto de mim, não o vejo e, quando se afasta, não percebo.
12 Se de repente irrompe, quem ousa impedi-lo? Quem pode dizer-lhe: ‘Que estás fazendo?’
13 Deus não refreia sua cólera; ao seu poder se curvam os aliados do monstro do mar.
14 Quem sou eu para replicar-lhe, para dirigir-me a ele com palavras escolhidas?
15 Ainda que eu tivesse razão, eu não poderia replicar; pelo contrário, pediria misericórdia ao meu Juiz.
16 Mesmo se me ouvisse, ao clamar por ele, não creio que daria atenção à minha voz.
17 Pois ele me esmagaria como num redemoinho e, sem motivo, multiplicaria minhas feridas.
18 Ele não permite que meu espírito descanse e me farta de amarguras.
19 Se alguém procura a força, ele é o mais vigoroso; se procura o direito, quem o traria ao tribunal?
20 Se eu quiser justificar-me, minha boca me condenará; se mostrar que sou inocente, ele me convencerá de culpa.
21 DEUS ESTÁ ACIMA DO DIREITO?
Será que sou íntegro? Nem eu sei. Aliás, desprezo a minha vida.
22 Uma só coisa é o que eu disse: ele extermina tanto o inocente como o ímpio.
23 Se uma calamidade mata de repente, ele se ri da aflição dos inocentes.
24 A terra está entregue às mãos do ímpio e ele cobre o rosto dos seus juízes: se não é ele, quem será?
25 Meus dias correram mais rápidos que um atleta; fugiram e não viram a felicidade.
26 Deslizaram como barcos de papiro, como a águia que se abate sobre a presa.
27 Se digo: Vou esquecer minha tristeza, mudar a expressão de meu rosto e mostrar-me alegre,
28 tenho medo de todas as minhas dores, sabendo que não me absolverás.
29 Se, pois, mesmo assim, continuo sendo culpado, para que me afadiguei em vão?
30 Ainda que eu me lavasse com águas de neve e com soda purificasse minhas mãos,
31 tu, porém, me afundarias na imundície e minhas roupas teriam nojo de mim.
32 Pois não estou respondendo a alguém que seja mortal como eu; ele não é um ser humano, a quem eu possa processar.
33 Não existe quem possa ser árbitro entre os dois, nem quem imponha sua mão sobre nós ambos.
34 Que ele retire de mim a vara e o seu pavor não me atemorize:
35 então, eu falaria sem ter medo dele! Mas tal não acontece: não sou mais eu.

Cometário:

3 Jó clama por um árbitro: um mediador com autoridade entre Deus e o homem. (9:33) Jesus é esse árbitro que compreende as duas partes em conflito: Deus e o homem. ( I Tim. 2:5) 4 Jó expressa frontalmente a sua irritação e desilusão em relação aos amigos: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e todos vós, médicos que não valem nada. Tomara que vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria” (13:4-5). “Todos vós sois consoladores molestos” (16:1). O fundamentalismo teológico, aliado à falta de empatia e à tentativa de racionalizar, só pode resultar em ineficácia no aconselhamento. Bom seria que tivessem permanecido em silêncio, respeitando a dor que era muito grande (2:13).

Ludgero Coelho