segunda-feira, 9 de março de 2015

Mais Alto



Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!

Florbela Espanca

Deus, o Rei poderoso


1 O Senhor Deus é Rei: os povos tremem. Ele está sentado no seu trono, que fica sobre os querubins; a terra estremece.
2 O Senhor é poderoso em Jerusalém; ele governa todos os povos.
3 Que todos o louvem por causa da sua grandeza e porque ele merece profundo respeito. O Senhor Deus é santo.
4 Ó poderoso Rei, tu amas a justiça; tu a trouxeste ao povo de Israel, fazendo com que houvesse julgamentos justos e honestos.
5 Louvem o Senhor, nosso Deus, e se ajoelhem diante do seu trono. O Senhor Deus é santo.
6 Moisés e Arão foram sacerdotes de Deus, e Samuel orava a ele; eles clamavam a Deus, o Senhor,
e ele respondia.
7 Da coluna de nuvem, ele falava aos israelitas; eles obedeciam às leis e aos mandamentos que ele lhes tinha dado.
8 Ó Senhor, nosso Deus, tu respondeste ao teu povo; tu mostraste que és Deus que perdoa, mas também que castiga as pessoas pelos seus pecados.
9 Louvem o Senhor, nosso Deus, e o adorem no seu monte santo.
Pois o Senhor, nosso Deus, é santo.

Determine viver hoje de tal maneira, que não leve você a se lamentar de ter vivido em vão!


Não me queixo de nenhum ser humano
1 Então em resposta Jó disse: 2 “O melhor consolo que vocês me podem dar é escutar com atenção as minhas palavras.
3 Tenham paciência enquanto falo; depois que eu terminar, vocês podem zombar de mim.
4 Não é de nenhum ser humano que me queixo e é por isso que estou tão impaciente.
5 Se vocês olharem para mim, porão a mão na boca, assustados.
6 Quando penso no que aconteceu, fico perturbado, e o meu corpo todo treme.

Os maus cantam e se divertem
7 “Por que será que os maus continuam vivos? Por que chegam ricos à velhice?
8 Eles têm filhos e netos e vivem para vê-los bem crescidos ao seu redor.
9 Nada ameaça a segurança dos seus lares, e Deus não os castiga.
10 O seu gado se reproduz sem problemas, dando crias sem nunca abortar.
11 Os seus filhos correm como carneirinhos e pulam de alegria; 12 eles cantam e se divertem ao som de pandeiros, liras e flautas. 
13 Os maus têm sempre do bom e do melhor e morrem em paz, sem sofrimento.
14 “No entanto, a Deus eles dizem: ‘Deixa-nos em paz; não queremos saber das tuas leis.
15 Quem é o Deus Todo-Poderoso para que o adoremos? Que adianta fazer orações a ele?’
16 Os maus dizem que progridem pelos seus próprios esforços, mas eu não aceito o seu modo de pensar.

Que o pecador receba castigo
17 “Quando foi que se apagou a luz dos perversos? Quantas vezes algum deles caiu na desgraça?
Será que Deus alguma vez ficou irado com eles e os fez sofrer?
18 Quando foi que ele os espalhou como a palha ou como a poeira que é levada pela ventania?
19 “Vocês dizem que Deus castiga o filho pelos pecados do pai. Mas é o pai que deveria ser castigado para que aprendesse a lição.
20 Que o pecador receba o seu próprio castigo, que ele sinta o peso da ira do Todo-Poderoso!
21 Mas, se ele já está morto, se já está no outro mundo, que lhe importa que a sua família sofra?
22 Por acaso, alguém pode dar lições ao Todo-Poderoso, que julga até os seres celestiais?
23 “Alguns homens levam uma vida feliz e tranquila e morrem ricos, 24 com saúde e cheios de força.
25 Outros, ao contrário, nunca provaram um momento de felicidade e morrem com o coração cheio de amargura.
26 Mas uns e outros acabam morrendo, são sepultados e ficam cobertos de vermes. Meus amigos, as suas consolações são vazias 27 “Eu conheço os pensamentos de vocês e sei que pensam mal de mim.
28 Vocês perguntam: ‘Onde está agora a casa daquele grande homem que vivia uma vida de pecado?’
29 “Será que vocês não têm conversado com pessoas que viajam? Vocês não têm ouvido as suas histórias?
30 Essas pessoas dizem que, quando Deus fica irado e castiga, o homem mau sempre escapa.
31 Ninguém o acusa das maldades que comete; ninguém o faz pagar pelos seus atos.
32 Ele é levado para o cemitério e posto numa sepultura bem guardada.
33 Milhares de pessoas acompanham o corpo, e até a terra que o cobre é leve.
34“Meus amigos, as suas consolações são vazias; tudo o que vocês dizem é mentira.”


Comentário:

“Através da história, as pessoas têm se voltado para livro de Jó em busca de ajuda em tempos de dificuldades. Nem todos encontraram respostas para suas perguntas – Jó também não! Porém, eles foram ajudados pelo simples fato de outros expressarem suas ansiedades e perplexidades, as quais eles tinham medo até de mencionar.” (Derek Thomas)

Aqui temos a resposta de Jó para Zofar (Será que Zofar interrompeu Jó? v. 3) “Jó, o injusto pode prosperar, mas ele será julgado nesta vida” cap. 20: 5. “A resposta de Jó marca o final da segunda rodada.”

Num sentido amplo, esta foi a resposta de Jó: nenhuma regra universal pode ser estabelecida tomando-se como base a premissa de que Deus trata com os homens somente nesta vida.

Esboço:

I. Introdução, v. 1-6

v. 2 “Ouçam cuidadosamente. Se vocês desejam realmente me confortar, ouçam o que estou dizendo. Ouçam-me, e assim vocês estarão me confortando.”

Muitas vezes, ouvir é o melhor conforto que podemos dar. Seja um bom ouvinte. É terapêutico, para quem está sofrendo, expor o seu coração. Ouça com um interesse genuíno. Ore por sabedoria para (e se deve) responder.

v. 3 “Ouça o que eu tenho a dizer, e então considere se você tem alguma boa razão para zombar de mim.”

v. 4 “Se o homem fosse a fonte dos meus problemas, eu não teria o direito de me queixar com ele? Sendo assim, se Deus é a fonte do meu problema, por que eu não tenho o direito de me queixar à Ele?”

v. 5 -6 “Se vocês parassem de falar o tempo suficiente para olhar para mim e considerarem quão grandes são as minhas aflições, vocês tremeriam comigo. Minha experiência deveria fazer vocês tremerem para que o mesmo não acontecesse à vocês.

II. Argumento

1. Refutando a base da tese de Zofar, v. 7-26

(1.) “Alguns ímpios prosperam nesta vida até chegarem ao túmulo”, v. 7-13. Nem todos morrem prematuramente.

v. 7 “Por que o ímpio muitas vezes vive uma vida longa e são fortes?”

v. 8 “Suas famílias prosperam e seus filhos se estabelecem.”

v. 9 “Deus não lhes toca (como Ele tem feito comigo).”

v. 10 “Seus rebanhos também prosperam.”

v. 11 -12 “A vida é uma grande festa para eles.”

v. 13 “A vida deles caminha muito bem, até mesmo na morte. Tudo aparentemente vai bem para eles!

Deus é extremamente paciente com muitos, e com alguns mais do que outros. Graça comum não é distribuída de maneira uniforme. Ela deveria nos conduzir ao arrependimento (Romanos 2: 4). Mas, ao invés disso...

(2.) “Eles se endurecem contra Deus na prosperidade”, v. 14-16.

v. 14 “Eles não se importam com Deus...preferem ser ignorantes a Seu respeito.”

v. 15 “Nenhum reconhecimento de Deus. ‘Quem Ele pensa que é? Eles corajosamente afirmam. Não há proveito nenhum em orar para Ele. Adoração é um desperdício.”

v. 16 “Eles se orgulham da sua grandeza, mas é Deus quem lhes dá tudo o que têm. Eu não me aproximo de homens como estes! Eu os evito!”

Riquezas temporais e prosperidade dão um falso senso de segurança; sedução das riquezas. Durham: “Prosperidade é uma maldição para o homem ímpio.” Para alguns, a melhor coisa a respeito de Deus; é se tornarem cada vez mais ateus. (Por isso não vêem a piedade como um ganho!)

Nunca pense que servir a Deus é um desperdício, e não servi-lo é o caminho da felicidade.

Tanto a riqueza quanto a pobreza pode ser laço, Provérbios 30: 8-9. Em tempos de prosperidade, tome cuidado para não desprezar a Deus. Em tempos de dificuldades, tome cuidado para não lançar mão do nome de Deus.

Use com sabedoria os seus recursos, use-os para a glória de Deus. E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem. I Cor. 7: 31 (ex: usar exageradamente, buscando obter deles mais do que podem oferecer).

No dia do julgamento Deus irá dizer: “Apartai-vos de mim”, à todos aqueles que lhe disseram: “Aparta-te de mim”! Jó 21: 14, 22: 17, Mateus 8: 34.

(3.) “Outros são julgados nesta vida, v. 17-21. Tão certo como alguns ímpios prosperam, outros sofrem, durante toda a sua vida.

v. 17 -18 “Nenhuma luz, somente tristeza e destruição. Nenhum fundamento seguro” (em contraste com aqueles previamente descritos).

v. 19 “Algumas crianças sofrem por causa da impiedade dos pais.”

v. 20 “Alguns ímpios vêem nesta vida a sua própria destruição.”

v. 21 “Eles não vivem o suficiente para tirar proveito dos frutos do seu trabalho terrestre.” Note que Jó procura estabelecer, aonde é possível, uma base simples. *Não exagere a sua situação. Admita a veracidade do caso dos seus oponentes naqueles exemplos onde haja verdade. Quantas vezes, num debate teológico, nós exageramos, superestimando nossa posição! (Como Gill, em Isaías 53: 6 –Nenhum chamado ao evangelho, convite, ou oferta aos pecadores mortos, somente o chamado á uma adoração pública; especialmente aos santos, ou talvez aos Judeus, enquanto Cristo estava na Palestina.)

(4.) “Tudo isso só pode ser explicado pela soberania de Deus”, v. 22-26.

v. 22 “Os caminhos de Deus estão acima do nosso entendimento. Ele dispõe do ímpio segundo a Sua própria vontade.”

v. 23 -24 “Deus chama alguns ímpios à sepultura enquanto prósperos e bem de vida.”

v. 25 “Outros, Deus chama estando miseráveis e vazios.”

v. 26 “Porém, ambos morrem.” Durham: “A terra se torna em cama para ambos, os vermes seu lençol e cobertor, cobrindo-os, e os mesmos vermes se fazem presentes tanto em um quanto em outro.”

“Estas verdades todas mostram que seus argumentos são falhos. Vocês estão limitando Deus apenas a uma maneira de trabalhar, quando Seus caminhos são certamente variados. Você pensa que está ensinando à Deus alguma lição?! (v. 22) Você acha que Ele é incompetente e necessita de ajuda?” As colocações de Jó são irrefutáveis.

* Henry: “A desproporção entre o tempo e a eternidade é tão vasta, que em sendo o inferno o destino final de todo pecador, fará pouca diferença se alguém for para lá cantando ou suspirando.”

2. A Perspectiva em longo prazo: “A destruição do ímpio está reservada principalmente para o mundo vindouro”, v. 27-33.

v. 27 -28 “Eu entendo a sua posição. Você me acusa de pecado grave e hipocrisia. Mas, você está errado. Você ignora as evidências que tenho apresentado.”

v. 29 “Qualquer homem nas ruas pode testificar o que eu tenho dito, ou seja: que o ímpio nem sempre é punido nesta vida.”

v. 30 “A ira completa de Deus não será derramada sobre o ímpio até o dia do julgamento final. Nós concordamos que a irá está por vir, mas principalmente (se não inteiramente) após esta vida, não durante esta vida.”

v. 31 “Ele pensa que é intocável, e que ninguém lhe retribuirá pelas suas más obras.”

v. 32 “Mas ele morrerá. E a morte é uma testemunha contra ele!”

v. 33 “Ele pode muito bem morrer em paz, falsa paz, e ter um velório pomposo (como muitos oficiais). “Sua morte pode ser como a de qualquer outro, não sendo o primeiro nem o último a morrer.

III. Encerrando a repreensão, v. 34.

Resumo: “Seu argumento é inválido. Sua ajuda de nenhum valor para mim.”

Henry: “Onde não há verdade, pouco conforto se pode esperar.”

Observe:

1. Deus aponta a porção de cada um. Tenha confiança de que Ele faz o que é justo e melhor.

2. Não é Jó uma miniatura dos eleitos de Deus aqui na terra? Embora Deus nos permita sofrer como Jó, e embora o mal aparentemente triunfe (como vemos neste capítulo), não se aflija. Deus está trabalhando para que todas as coisas cooperem para o nosso bem. Sabedoria perfeita está orquestrando o todo.

3. Do verso 33. Estamos todos num processo de morte. Portanto, vamos viver para as coisas de interesse eterno. Quando o dia da morte chegar, o que você gostaria de ter feito? Você lamentará por não poder pecar um pouco mais? Ou lamentará por não ter servido a Deus melhor? Determine viver hoje de tal maneira, que não leve você a se lamentar de ter vivido em vão!

Daniel A. Chamberlin

domingo, 8 de março de 2015

Realmente existe um Deus que julga o mundo


1 Será que vocês, autoridades, dão sentenças justas? Será que julgam com justiça as pessoas?
2 Não. Vocês só pensam em fazer o mal e cometem crimes de violência no país.
3 Os maus passam a vida praticando o mal; desde o dia em que nascem, só contam mentiras.
4 Estão cheios de veneno como as cobras; tapam os ouvidos como uma cobra que se faz de surda, 5 que não quer ouvir a voz do encantador de serpentes.
6 Ó Deus, quebra os dentes dos maus! Ó Senhor Deus, arranca os dentes desses leões ferozes!
7 Que os maus desapareçam como a água derramada na terra! Que sejam esmagados como a erva
que nasce no caminho!
8 Que se derretam como o caracol na lama! Que sejam como a criança que nasce morta, que nunca viu a luz do sol!
9 Antes que os maus percebam o que está acontecendo, serão cortados como mato. Enquanto ainda estiverem vivos, Deus, em sua fúria terrível, os expulsará com um sopro.
10 Os bons ficarão contentes ao verem os maus sendo castigados; os bons lavarão os pés no sangue deles.
11 E as pessoas dirão: “De fato, os bons são recompensados. Realmente existe um Deus que julga o mundo.”

JULGAR AO SEU SEMELHANTE...


Quando olhamos para uma determinada pessoa e a julgamos e condenamos, fazemos isso com quais “olhos”? 
Qual o referencial que usamos para fazer as avaliações, julgamentos e, até mesmo, condenações, em nossos pensamentos pensamento? 
Porque se fizermos isso com base no que achamos que é certo e errado, conceitos estes inventados com base nos padrões comportamentais e nas inventadas leis humanas, será que estamos fazendo avaliações e julgamentos corretos? 
Pois, eu sugiro que primeiramente, examinemos essa estrutura conceitual que existe em nossas cabeças; que examinemos as leis criadas que deram origem a toda essa estrutura que se acha capaz de julgar e condenar. Pergunto: as leis sociais foram criadas com base no quê? 
Evidentemente, que elas foram criadas com base nos conceitos religiosos que se encontram nas bíblias, enfim, nos livros religiosos. 
E para que surgissem os espessos glossários jurídicos, muitas pessoas maquinaram com seus pensamentos, fazendo uso do frio e seco raciocínio para acrescentarem as modificações e acréscimos que achavam cabíveis. 
Eles, nem sequer, inicialmente, questionaram para ver se o material de base que iriam usar era algo realmente bom e confiável. 
Os criadores de leis e regras estão sempre apelando para o emocional do coletivo e esperando o apoio e confirmação deste. 
Disso tudo surge um questionamento: Que valor tem a afirmação de milhares ou, até mesmo, milhões de pessoas sobre um assunto que não têm o mínimo de conhecimento, de esclarecimento? 
As pessoas pensam que conhecem. 
Pensam que isso é muito simples e que é só uma questão de opinar usando o emocional e o pensamento manobrado. 
Mas, na verdade, a coisa não é tão simples assim como parece.
Se nos tornarmos pessoas simples, isto é, destituídas de prepotências e orgulhos, começaremos a questionar as leis criadas, e, desse questionamento, com certeza, a lucidez despontará. 
Para vivermos bem, realmente, precisamos das leis inventadas pelos frios intelectos? 
Não será que essa ação provoca, exatamente, uma ação oposta, conflitante? Pois, as leis são fatores limitativos, aprisionadores, psicológica e fisicamente falando e quando a Vida que é essencialmente.
Isso tudo, para mim, soa como um brutal contra-senso, pois, o Verdadeiro Amor não cobra nada de ninguém e respeita a liberdade dos outros acima de qualquer coisa. 
No dia-a-dia, todos nós testemunhamos o fato de as pessoas usarem de chantagens emocionais para conseguir o amor de outra, por exemplo: eu a amo e a quero, mas você tem que me querer também; quer queira ou não queira! 
Quer goste ou não goste! 
Isso realmente é uma verdadeira piada. 
É claro que as pessoas não falam isso diretamente para as outras, mas cobram atitudes e ações que as evidenciam.
Eu, particularmente, me incomodo muito com os pré-conceitos e julgamentos da sociedade.
Não nos cabe ver o nosso semelhante com os olhos do julgo ou da condenação, por mais que tenham errado, devemos aprender a olhar com os olhos do amor.
Venho me policiando para mudar meus conceitos e minha maneira de ver o meu semelhante e você tem feito o mesmo?

Deus mandou te dizer....


1 Ó Senhor Deus, quem tem o direito de morar no teu Templo? Quem pode viver no teu monte santo?
2 Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta, que faz o que é certo e que é sincero e verdadeiro no que diz.
3 Ele não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos.
4 Ele despreza aqueles que o Senhor rejeita, mas trata com respeito os que o temem.
Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio, 5 empresta sem cobrar juros e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes.
Aquele que age assim estará sempre seguro.

Você que está lendo agora, raciocina, por que Deus me mandou essa palavra? Teu coração vai responder, não se assuste, é a voz de Deus falando com você!


Fique firme em suas convicções se elas estão alicerçadas em Deus.


1 SEGUNDO DISCURSO DE ZOFAR - O MALVADO PERECERÁ
Então respondeu Zofar, de Naamat:
2 “É por isso que minhas reflexões me trazem de volta, e o entendimento rebrilhou em mim.
3 Ouvirei a tese com a qual me acusas, mas o espírito da minha inteligência responderá por mim.
4 Acaso não sabes isto desde o começo, desde quando foi posto o ser humano sobre a terra:
5 que a alegria dos iníquos é breve e que o gozo dos ímpios dura um momento?
6 Ainda que tenha subido até o céu a sua soberba e sua cabeça tenha tocado as nuvens,
7 no fim ele perecerá como o esterco e os que o tinham visto dirão: ‘Onde está?’
8 Como um sonho que voa, não será achado, e passará como visão noturna.
9 O olho que o tinha visto não o verá mais, e o lugar em que estava não mais o contemplará.
10 Seus filhos se esforçarão por indenizar os pobres e suas mãos devolverão os seus bens.
11 Seus ossos, que se enchiam de vigor juvenil, com ele dormirão no pó.
12 Como o mal é doce na sua boca, ele o esconde sob a língua;
13 ele o guarda e não o abandona, mas o oculta na garganta.
14 O seu pão, nas suas entranhas, se transforma interiormente em fel de víboras.
15 Ele vomitará as riquezas que devorou, pois do seu ventre Deus as extrairá.
16 Veneno de serpentes ele sorvia, a língua da víbora o matará.
17 Que ele não veja os rios de óleo, nem as torrentes de mel e de manteiga.
18 Devolverá os seus lucros sem os engolir, e não se alegrará com as riquezas de seus negócios.
19 Porque, explorando, despojou os pobres, e saqueou a casa que não tinha edificado.
20 Assim mesmo, não se fartou o seu ventre, e não pôde escapar com seus tesouros.
21 Não sobraram restos da sua comida, e por isso nada permanecerá dos seus bens.
22 Quando estiver farto, ver-se-á angustiado; toda sorte de dores virá sobre ele.
23 Embora encha seu ventre, Deus mandará sobre ele a ira do seu furor, e sobre ele fará chover seu arsenal.
24 Ele escapará das armas de ferro, mas cairá sob o arco de bronze.
25 A flecha traspassará seu corpo e o relâmpago, seu fígado; vão e vêm sobre ele coisas horríveis.
26 Todas as trevas estão escondidas onde ele se esconde; vai devorá-lo um fogo que ninguém acendeu; será afligido quem restar na sua tenda.
27 Os céus revelarão a sua iniquidade e a terra se levantará contra ele.
28 As riquezas da sua casa serão tiradas, arrancadas, no dia do furor de Deus.
29 Esta é, da parte de Deus, a sorte do ímpio, a herança dos seus atos, da parte do Senhor.



Comentário:

Esta é a última vez que ouvimos Zofar falando. (Ele deveria ter exercido o direito de permanecer em silêncio muito mais cedo!)
Ele percebeu que Jó estava firme em sua posição e em seu fundamento. Este é o seu último esforço para fazer com que Jó visse as coisas do seu jeito. (O pedido de misericórdia de Jó passou despercebido.) Praticamente uma batalha de idéias, mas o problema é: Quem está do lado da verdade?

I. Introdução e Apologia (ex: defesa do seu discurso), v. 1-3.
v. 2 “Eu tenho alguns pensamentos que devem ser expressos. Não posso evitar responder a você, Jó.” (Mas, não perca o seu fôlego esperando alguma coisa nova ou compreensível! * A sabedoria humana promete, mas falha em cumprir. Desaponta. A verdade de Deus satisfaz.)
v. 3 “Eu ouvi sua advertência (19: 29). Você me considera um homem cujo caráter é vergonhoso e me reprova por isso? Bem, deixe-me falar para você algumas coisas!” Parece que Zofar não levou a sério a advertência de Jó.
- Ouça uma reprovação o tempo suficiente para avaliar o seu valor. Você pode aprender alguma coisa útil dos seus críticos! Eles podem estar preocupados com a sua alma!
- Henry: “Os homens com freqüência confundem suas emoções com a razão, pensando que estão fazendo um grande bem ao ficarem irados.”

II. O Argumento, v. 4-7
v. 4 “Meu argumento é tão velho quanto a própria terra. Você deveria saber disso, Jó.”
v. 5 Jó havia dito que o ímpio ás vezes prospera (12: 6 e 9: 24) e fala mais profundamente a respeito disso neste capítulo. “Tudo bem Jó, eu concordo que o ímpio prospera algumas vezes, mas esta prosperidade é passageira, não perdurará para sempre. Ela será corrigida pela justiça Divina nesta vida.” (uma forma moderada do evangelho da prosperidade?)
v. 6 “A grandeza do ímpio pode se elevar ao ponto mais alto, mas não importa o quão grande seja...
v. 7 ...Ele será rebaixado e destruído. Ele virá a ser nada, como o excremento que sai do seu corpo, assim ele será destruído por completo, pois nada restará dele. Será como se ele nunca houvera existido.”
- Evite a linguagem vulgar. Santos, mantenham seu vocabulário num padrão elevado. Se no calor da discussão você baixar o nível e o padrão da conversa, muito provavelmente é em razão de o seu argumento ser fraco! (mas, esta não é a maneira de fortalecê-lo!) Há uma linha muito fina entre enfatizar aquilo que é inspirado (como Paulo em Filip. 3: 8) e o uso de expressões vulgares e gírias. A palavra de Deus não é melindrosa (evitando falar de qualquer assunto em seu devido lugar), mas também não é negligente. Vamos aprender e imitar.

III. Ampliando o argumento, v. 8-28.
Uma lista de coisas que acontecem ao ímpio, ainda que próspero, quando ele partir desta vida:
v. 8 “Sua prosperidade e boa vida desaparecerão como num sonho durante a noite.”
v. 9 “Ele desaparecerá e nunca mais será visto por aqueles que buscam por ele.”
v. 10 “Seus herdeiros terminarão mais pobres do que os pobres, servindo aos pobres e oprimidos por eles. As terras de sua herança serão utilizadas para pagar os débitos deixados pelo pai.”
v. 11 “Ele não escapará dos seus pecados. Eles se apegarão á ele. Eles o caçarão até o apanharem. Ele morrerá neles.”
v. 12 “Ele esconde os seus pecados em sua boca, debaixo da sua língua, onde ninguém pode ver, e lá ele se delicia deles.”
v. 13 “Ele não o cuspirá para fora, mas o guarda e saboreia.”
v. 14 Entretanto, o pecado se faz amargo em seu ventre, como um veneno de cobra, mortal.”
v. 15 “Ele ficará doente em conseqüência das riquezas injustamente adquiridas, é será como um glutão, que passa mal e vomita aquilo que comeu. Deus não permitirá que ele desfrute do seu pecado. Seu tormento pela perda das suas riquezas será maior do que o prazer que desfrutou.”
v. 16 “Ele destruirá a si mesmo, como alguém que toma veneno de uma serpente. Suicido, na certa.”
v. 17 “Tudo o que juntou irá se perder, evaporar.”
v. 18 “Ele terá que fazer restituição de tudo o que roubou. Será deixado sem nada, não desfrutará de coisa alguma.”
v. 19 -20 “Todos os seus planos falharão. Não sentirá satisfação nenhuma pela realização ou cumprimento dos seus planos.”
v. 21 “Não deixará nada para que seus herdeiros briguem!”
v. 22 “No auge da sua plenitude ele será abatido e murchará de repente (como você Jó). Todos os coletores de impostos chegarão ao mesmo tempo para receber o valor devido e atualizado.”
v. 23 “Deus o apanhará no ato e o recompensará rapidamente.” Como aquele homem rico e cheio de planos que Deus pediu contas da sua alma imediatamente (Lucas 12: 20).
v. 24 “Enquanto ele está tentando escapar de um julgamento, outro já o atinge, ele tenta escapar de ser frito, mas acaba caindo no fogo.”
v. 25 “As armas de Deus irão abatê-lo e atravessá-lo.” (um lembrete do cap. 16: 13?)
v. 26 “Nenhuma luz. Somente trevas. O julgamento de fogo, da parte de Deus, descerá sobre ele, vindo de parte alguma, e destruirá ele e os seus.” Capítulo 1.
v. 27 “Testemunhas se levantarão contra ele na terra e nos céus. Estarão unidos contra ele em seu julgamento.”
v. 28 “Ficará desolado de possessões e família. Será drenado, esvaziado e derramado. A ira de Deus cairá sobre ele.”

IV. Conclusão:

“Este é o dia do pagamento de Deus. Jó, você não tem o direito de esperar nada, além disso, da parte de Deus. Você é um homem mau, a providência de Deus sobre você prova isso.”

Observe:
1. Ainda que Zofar estivesse certo, ele não precisava se comunicar com um espírito tão rude e severo. Se o nosso evangelho ofende, não vamos adicionar, desnecessariamente, a ele um mensageiro cruel. [Zofar estava certo no princípio geral de semear e colher – o ímpio não prosperará no final, mas estava errado quanto ao tempo de colher e em aplicar isso ao caso de Jó. Henry: Nunca houve uma doutrina tão bem exposta, mas tão mal aplicada, como esta por Zofar, que pretendia provar, através de tudo isso, que Jó era um hipócrita. Vamos receber a boa explicação e fazer uma correta aplicação, para alertarmos a nós mesmos a permanecer lúcidos e em temor, a fim de não pecarmos.”]
2. Aqueles que são contados como justos, perfeitos, e retos, por Deus, podem ser contados como maus pelos homens (v.29). Porém, isto fala mais a respeito do caráter do acusador do que do homem em si mesmo.
3. Um esquema muito bem elaborado pode ser construído tomando como base uma premissa falha. Exponha a falha e todo o esquema vem abaixo. A premissa falha de Zofar: que a prosperidade do ímpio tem um fim nesta vida. Seu erro: insistir que isso será neste mundo. Cuidado para não impor a sua idéia de tempo e juízo à Deus. Nem sempre Sua justiça é administrada nesta vida, e nem totalmente administrada até o último dia. Deus nunca se apressa! Não tente forçá-Lo a se encaixar em sua agenda. Qualquer julgamento que possa cair sobre o ímpio, não corresponde a porção final do castigo reservado para o futuro. O princípio de plantar e colher estão certos, mas nem sempre a colheita ocorre nesta vida!
4. Quando houver uma controvérsia, examine de forma objetiva os seus próprios argumentos. Se você encontrar uma falha, não continue no debate. Seja honesto com você mesmo e com o seu oponente. Por outro lado, se você estiver convicto da sua posição, não desista. Antes, como Jó, aponte para a falácia do argumento, não importando o quão forçosamente tenha que expressá-lo.
5. A aceitação universal de um “fato” não necessariamente prova que isso está certo. “Todo mundo sabe disso...você é o único que discorda” (v. 4). Se isso contraria a Palavra de Deus, não creia nisso. Fique firme em suas convicções se elas estão alicerçadas em Deus.

Daniel A. Chamberlin