terça-feira, 24 de junho de 2014
Esperar...
Esperar é viver de sonhos.
É acreditar em um futuro incerto.
É apostar no tempo.
É dormir e acordar sentindo o toque do teu corpo,
sem nunca ter te tocado.
Esperar machuca, mas quando a gente vive, acredita, aposta e sente...
Vale a pena esperar... quero você, e vou continuar te esperando.
(Autor Desconhecido)
Raridade - Anderson Freire.
Chorei quando uma pessoa olhou dentro dos meus olhos, tirou o celular do bolso e me disse:
Só lembro de você quando escuto essa música....
Pai, não deixa o mal, a dor me tirar do caminho que escolhi e venho trilhando a 46 anos... Eu quero e vou ser tua filha... independente do mundo tentar me convencer o contrário...
Rosa Soares
O que é a verdade?
Construímos nossas leis, sociedades, códigos, religiões, política,
estabelecemos regras, tentamos nos adequar, nos respeitar enquanto
nossos interesses se mantenham resguardados. Somos moralistas,
legalistas, éticos, sim senhor, afinal, fazemos tudo certo, tudo de
acordo com as regras, conforme manda o figurino e podemos comprovar com
nosso número de CPF imaculado ou alguma certidão que testifique nossa
idoneidade, o quanto somos de fato honestos e verdadeiros. Está tudo sob
controle, tudo no seu devido lugar, portanto, por favor, não embaralhe
as coisas. – pedimos quase amedrontados.
Pensar sobre a verdade pode ser perigoso. Se resolvermos ir além da
superfície, se decidirmos mergulhar a cabeça e tentar enxergar só um
pouco mais, perceberemos quão frágeis são nossos conceitos de verdade
especialmente porque ninguém sabe de fato o que ela é. Dá medo
relativizar absolutos e assumir que tudo o que temos é quase nada, e o
que pensamos saber, muito pouco.
É quando nos flagramos com nossas caixinhas nas mãos, aquelas que
antes acreditávamos serem suficientes para guardar o que não cabe,
controlar o incontrolável, domesticar o essencialmente selvagem e tudo o
que resta é assumir que minhas leis, minhas regras, minhas verdades são
apenas periféricas, importante para que uma sociedade viva
civilizadamente, mas nada além disso.
Se não controlo a verdade e tampouco posso explicá-la, resta apenas
reconhece-la, identificando fragmentos de verdade até onde nunca
imaginei. Quando me desapego do sentimento de posse, quando reconheço
que quase não sei, me abro e começo a entender que verdade não se
explica, não se encaixa, não cabe em palavras ou no vocabulário mais
erudito. Verdade se experimenta, se vive, se aplica no olhar de quem não
se atreve em julgar, não se apressa em condenar, não se coloca em
nenhuma posição de juiz de ninguém, apenas porque reconheceu que, em se
tratando da verdade, somos leigos, eternos aprendizes.
Flavio Siqueira
segunda-feira, 23 de junho de 2014
As Coisas
Vamos falar sobre você? Você quem? Saramago dizia que dentro da
gente há uma “coisa” e essa “coisa” somos nós. Você é essa “coisa”. Não é
o corpo, não é o rosto, não é a voz. Você não é aquele que os amigos
reconhecem, tampouco o filho abraçado pelos pais. Você também não é o
pai, nem a mãe.
Que tipo de “coisa” anima os corpos, esquenta a pele, põe brilho nos
olhos, sorri, chora, pensa, sente, enxerga, cheira, sonha, mente, vive
tentando preencher-se sem saber direito do que, se vincula, se aproxima,
se apaixona, envelhece e um dia vai embora? Embora para onde?
Há pele, camada de gordura,
carne, órgãos, ossos, universo biológico que trabalha como uma máquina,
sem que nada sinalize nenhum movimento perceptível a olho nu, nem em
radiografias, ou tomografias, ninguém sabe aonde fica, mas, como negar
que há uma “coisa” dentro da gente?
Quem anima o corpo da senhorinha do café? Aquele corpo adiante que um
dia apodrecerá se manifesta lindamente, como uma flor que um dia vai
murchar, como os pássaros que voam tão alto até que o fôlego da vida
seja sugado, aquele corpo, aquela senhora, aquele menino, aquele homem,
aquela mulher, o mendigo, o soldado, o amigo, o chefe, o fiscal do
imposto de renda e o vizinho, aqueles corpos, aquelas “coisas”, vivendo
em um fragmento do tempo, experimentando a possibilidade de ser humano.
Nós, coisas, um dia deixaremos de ser. Nós, coisas, um dia voltaremos
a ser. Coisas que nem sabem direito o que são, mas de alguma maneira se
vinculam espantosamente, como se compartilhassem em si mesmo todas as
coisas, todas as histórias, o mundo inteiro que cabe em algum lugar
dentro da gente.
Nas coisas não há tempo, nem espaço, nem separação. As coisas são e
estão dentro desses corpos, em algum lugar, manifestando-se conforme a
própria percepção ou falta dela, relacionando-se dentro da relatividade,
da auto percepção, da dualidade, do ego, tantas coisas sobre coisas que
um dia deixarão de ser o que hoje se vê, voltarão a ser o que hoje se
sente.
Consciências que movem bonecos de carne, coisas contando suas
próprias histórias até que um dia retornem à casa, a coisa aonde as
coisas serão mais do que coisas. Serão o que de fato são.
Flavio Siqueira
domingo, 22 de junho de 2014
Cantinho do Flavio - Felizes
Esses não precisam se impor para conquistar nada porque sabem que pela imposição não se
conquista, mas apequenam-se.
Felizes os que aprenderam a se desculpar.
Quando fruto de um coração sincero, a desculpa “des-culpa” qualquer
uma das partes, estabelecendo – com a retirada da culpa – a paz.
Felizes os que procuram se alimentar do que faz bem a alma.
Se a boca fala sobre o que o coração está cheio, somos fruto daquilo
que nos alimenta, atrai, instiga e motiva. No fim das contas, nossos
passos sempre irão na direção daquilo que um dia nos conquistou.
Felizes os que buscam a sabedoria.
Acima da intelectualidade, a sabedoria aguça a capacidade de discernir palavras, ler olhares, interpretar o espirito das coisas.
Felizes os que não tem medo de errar.
É melhor errar tentando acertar do que ficar paralisado por medo.
Felizes os que buscam aumentar sua percepção, desentupindo-se para a voz de Deus na vida, no outro, no mundo, dentro.
Quando de fato é assim, naturalmente invertermos o fluxo das
percepções até enxergarmos o milagre continuo, constante, presente nas
sutilezas do dia a dia.
Felizes os que sabem que os excessos fazem mal.
O equilíbrio é sempre melhor que o de menos e o de mais.
Felizes os que sabem que o amor é um processo de graça.
E se graça é, não há nada que pode aumentá-lo ou diminui-lo, restando vincular-me ao que é em simplicidade.
Felizes os que vivem em cada dia seu próprio “mal”.
Esses olham para as tempestades sabendo que nada carrega em si mesmo
nenhum poder moral, punitivo ou meritório, a não ser a possibilidade de
despertar o significado de cada coisa. E assim, cresce em consciência.
Felizes os que entenderam que o valor das coisas não está no tamanho ou no que posso quantificar, mas na essência.
O que chamamos de poder normalmente são projeções. O poder verdadeiro
está no relativo, naquele que se enxerga e assume as próprias
contradições
Felizes os que buscam conhecimento, sobretudo conhecer-se.
E quanto mais conhecemos, mais abismados com nossa ignorância.
A vida é construída por pequenas atitudes e nossa caminhada é reflexo
das escolhas diárias. Quando os olhos são bons, tudo a nossa volta
iluminará conforme o tesouro talhado na consciência . Despertemos hoje,
pois o agora é o tempo e a dimensão de tudo o que realmente é.
Flavio Siqueira
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