quinta-feira, 5 de março de 2015

Em meio a uma forte oposição e tentação, fique firme (se a sua consciência estiver pura).


1 RESPOSTA DE JÓ - CONSOLAÇÕES INÚTEIS
Jó, porém, retrucou:
2 “Já ouvi muitas vezes tais coisas, consoladores importunos que sois, todos vós!
3 Pois me dizeis: ‘Não terão fim essas palavras de vento?’ ou: ‘O que te move a retrucar assim?’
4 Poderia, também eu, falar coisas semelhantes, se estivésseis vós no meu lugar. Comporia discursos a vosso respeito e balançaria minha cabeça contra vós.
5 Eu vos reconfortaria com a minha boca e não impediria o movimento de meus lábios.
6 JÓ, ALVO DE INIMIZADE
Se eu falar, minha dor não cessa; e, se calar, ela não se aparta de mim.
7 Agora, porém, minha dor me esgota, ó Deus, pois acabaste com toda a minha família.
8 Minhas rugas testemunham contra mim, e um mentiroso aparece à minha frente, contradizendo-me.
9 A sua ira me dilacerou, posicionou-se contra mim, e me atacou, rangendo os dentes. Meu inimigo aguça os olhos em minha direção.
10 Abriram a boca contra mim e, com suas afrontas, me esbofetearam, caindo em bloco por cima de mim.
11 Deus me encurralou junto do iníquo e me entregou às mãos dos ímpios.
12 E eu, outrora tranqüilo, de repente fui esmagado; ele segurou-me pelo pescoço, esganou- me, E transformou-me em seu alvo.
13 Ele cercou-me com seus lanceiros e atravessou-me os rins, sem compaixão, derramando por terra o meu fígado.
14 Arrebentou-me, quebrando e demolindo, arremeteu contra mim como um gigante.
15 E eu, sobre a minha pele costurei o cilício e deixei cair até o chão a minha fronte.
16 Meu rosto está vermelho de tanto chorar e minhas pálpebras se escureceram,
17 apesar de minhas mãos não terem praticado a maldade e de ser pura a minha oração.
18 A MISTERIOSA TESTEMUNHA
Ó terra, não encubras o meu sangue e não se esconda em ti o meu clamor!
19 Pois vede: no céu está a minha testemunha, o meu fiador, nas alturas.
20 Meus pensamentos são meus intérpretes: é para Deus que correm minhas lágrimas.
21 Quem dera se julgasse entre o homem e Deus, como se julga entre o ser humano e seu semelhante.


Comentário:

Jó fala. Esta é a segunda vez que ele responde a Elifaz.

Esboço:

v. 1-5 Jó repreende Elifaz e os outros amigos.

v. 6-16 Jó descreve a sua triste condição

v. 17-22 Jó mantém sua integridade

Nada disso é novo! Talvez aprendamos alguma coisa da aparente interminável provação causada pelas repetidas acusações/defesas.

Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça. Portanto, vamos prosseguir:

I. Jó repreende seus três amigos, v. 2-5.

1. Nenhum proveito para Elifaz, v.2-3

v. 2 “Seu disco está quebrado. Já ouvi tudo isso antes! Você não tem nada de novo para dizer?”

“Todos vocês três não me servem de nenhum conforto.” Molestos = irritantes, cansativos – causam aflição em 7: 3, maliciosos em 15: 35.

Vocês confortam com problemas! O conforto de vocês é tortura. “Vocês aumentam a minha aflição.”

v.3 “Vocês não vão parar de falar? Vocês não se envergonham de continuar falando?”

2. V. 4-5 “Se houvesse uma virada de mesa, eis aqui o que eu faria: não faria o que vocês estão fazendo – Eu não fustigaria vocês e balançaria a minha cabeça. Antes (v. 5), Eu iria fortalecer, consolar, edificar e livrar vocês de uma agonia maior.”

- Tenha o hábito de se colocar no lugar dos outros, seja simpático. É a essência da regra de ouro. (Não foi isso o que Deus mesmo fez quando pensou em nós?). Não pense de maneira egoísta. (“Henry): É mais fácil distinguirmos entre a racionalidade de uma ordem e a importância dela, quando podemos enxergar seu benefício, mais do que quando temos a oportunidade de realizá-la.”

- Há grande valor em avaliar o que você faria. Isso pode ser o meio pelo qual Deus o prepare para quando você tiver que agir.

- Aprenda através das suas calamidades a pensar como você confortaria outros que passassem pela mesma situação. II Coríntios 1, de confortado a confortador.

II. Jó descreve sua triste condição, v. 6-16.

1. Nenhum alívio, v.6. “Se eu falo ou permaneço em silêncio, não melhora em nada a minha dor. Não posso vencê-los, meus amigos, pois se eu falo; vocês julgam cada palavra, se fico calado; vocês pensam que não tenho argumento e estou admitindo minha culpa. Em ambos os casos, minha angústia continua.

2. Agora ele fala com Deus, v.7-8. “Ele é o Único que tem tocado em minha vida e me levado ao cansaço” (v.7a).

Note a rápida transição de falar a respeito de Deus e falar com Deus.

Jó sabia que Deus estava ouvindo seus discursos! Era consciente da onipresença Divina. Embora Deus pareça estar distante, Jó ainda continua orando para Ele! *Façamos o mesmo! Quando não sentirmos a presença de Deus, continuemos a orar!

V. 7b “Estou desolado, privado de companhia” ex: a família que antes o rodeava.

V. 8 “Senhor, minha aparência física testifica conta mim. Eu estou envelhecendo rapidamente agora. Estou fraco e não posso ocultar isso.”

*Não se permita cair no erro da autocomiseração.

*Não pense errado sobre Deus, ficando amargurado e impaciente com Ele. Henry: “Mesmo os bons homens, quando se encontram diante de grandes e extraordinários problemas, têm que lutar muito para não alimentar pensamentos errados contra Deus.”

3. Recordando os problemas, v.9-16 (Embora não seja um exercício saudável, é comum e compreensível.)

v. 9 De quem se trata aqui? Deus, Satanás ou Elifaz? Em sentidos diferentes, todos os três! Os instrumentos de Deus odiaram e assolaram Jó (como v.11 esclarece). Eles cerraram seus dentes contra Jó em ira. “Eles aguçaram seu olhar contra mim” como Saul olhou para Davi com ciúmes, temor e ira, buscando ocasião contra ele.

v. 10 “Eles abrem largamente sua boca com escárnios e reprovações. Eles me assaltam e atacam. Eles se juntam como conspiradores.

v. 11 “A mão de Deus está em tudo isso. Ele fez isso.”

v. 12 “Minha vida é um livro de histórias, até Deus me destruiu, quebrou, sacudiu meu pescoço como um lutador, me colocou como um alvo...

v. 13...pois Seus flecheiros. Eles me cercaram para matar. Suas flechas perfuraram minhas entranhas. Estou mortalmente ferido. Não há misericórdia para comigo. “Feriram meu fígado, nunca mais me recuperarei – líquido saindo do corpo.”

v. 14 “Ele continua a me atacar sem descanso. Não tenho como me igualar a este Gigante!

v. 15 “Minha dor é completa. Minhas feridas tenho coberto com ataduras de tecidos grosseiros e duros. Estou completamente humilhado no pó, minha força e autoridade foram removidas. Eu não sou ninguém.” Sofrimento extremo.

v. 16 “Eu tenho chorado tanto a ponto de desfigurar minha face. Meu olhar tem aparência de morte.” Em 15: 12, Elifaz acusa Jó de piscar os olhos, mas na realidade, os olhos de Jó estão à beira de se fecharem para a morte.

Que condição triste, miserável e lamentável. Apesar disso:

III. Jó mantém sua integridade, v. 17-22.

1. “Eu sou inocente, minha consciência é lúcida”, v. 17-19.

v. 17 “Não sou culpado como vocês insistem em dizer. Além do mais, não deixei de orar (comp. 15: 4), antes, minha oração é pura. Levanto as minhas mãos santas, sem ira nem contenda.” I Tim 2: 8.

*OH! A preciosa joia de uma consciência pura! Mantenha-a para que possa caminhar em obediência. (Obviamente, em última estância, somos todos pecadores, como Jó reconheceu em 7: 20, 9: 20, 30-31.)

v. 18 “Eu sou como Abel; sangue inocente derramado na terra (se palavras pudessem matar!). Permita que me justifique! Barnes: “Ele fala como um homem prestes a morrer, mas ele diz que morreria como um homem inocente e ferido, orando sinceramente para que sua morte não deixasse de ser vingada. ‘De acordo com um ditado Árabe, o sangue de alguém que foi morto injustamente, permanecia sobre a terra, sem ser absorvido por ela, até que seu vingador surgisse. Isto era considerado como uma prova da inocência.’ Eichhorn.” Comp. Isaías 26: 21 - Porque eis que o SENHOR sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos.

“Deixe o meu sangue ser vingado. Que os meus clamores não sejam impedidos de chegar até Deus (nenhum lugar para ser ocultado).”

V. 19 “Deus é minha testemunha!” (como. Cristo em João 5) *Feliz a alma que pode apelar de forma justa para Deus!...como Paulo o fez. Henry: “Nosso próprio testemunho interior não permanecerá por muito tempo, se não tivermos uma testemunha no céu em nosso favor, pois Deus é maior do que os nossos corações.”

Esta foi a dificuldade apresentada aos seus três amigos. Jó diz: “Deus está me tratando duramente, mas Ele mesmo me é testemunha de que não sou um hipócrita (como vocês dizem).” Eles ouviam desta maneira: “Deus é injusto”. A teologia unidimensional que possuíam dizia: “Deus está pesando a mão sobre Jó, portanto, ele é um grande pecador.” Eles não viam outra opção.

*Mas Jó estava aprendendo que a providência obscura não é incompatível com a bondade Divina, aprovação. Vamos aprender bem esta verdade!

2. “Eu apelo para Deus”, v. 20-21.

v. 20 * Quando abandonado pelos homens, clame firmemente a Deus.

v. 21 “Oh, se houvesse alguém que pudesse me representar diante de Deus. Preciso de um advogado que possa se simpatizar comigo, mas quem poderia argumentar com Deus de maneira que eu não possa. Jó reconhece sua necessidade de um Deus-homem! Agradeça a Deus por Cristo, perfeitamente capacitado para atender as nossas necessidades! Maravilhe-se na união das duas naturezas! Agradeça a Deus pela luz do Novo Testamento que nos revela Cristo mais claramente do que revelado a Jó.

3. Antecipando a morte, v. 22.

*Somos peregrinos, de passagem nesta vida. “Somente uma vida ‘que logo passará, permanecendo apenas aquilo que Cristo fez.” Não desperdice sua vida!

Observações finais

1. Em meio a uma forte oposição e tentação, fique firme (se a sua consciência estiver pura).

Não caia na armadilha do evangelho da prosperidade; “Se você sofre, é por causa da ira de Deus sobre você, ou sua falta de fé”.

2. Não creia em todas as acusações de Satanás, saiba quando concordar e quando discordar. “Se você sofre, não é filho de Deus.”

“Na verdade, eu sofro. Mas a inferência está errada.” Premissa falha: Todos os que sofrem nesta vida são inimigos de Deus.

3. Lute para medir o amor de Deus pela palavra de Sua promessa (fé) não pela providência e sentimentos (vista). Como é fácil deslizarmos aqui! Isto não é presunção (como Elifaz pensava), porém, fé.

4. Jó foi participante dos sofrimentos de Cristo. V 10, especialmente apropriado a boca de Cristo Salmo 22: 13 - Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge. Ferido, abatido, abandonado, aflito, traído e entregue a morte por Deus.

- Que tenhamos isto em alto grau de honra; de sofrer por Ele e ser participante dos Seus sofrimentos. Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse;

Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis (I Pedro 4: 12-13).

Pensamento final: “Vença o mundo suportando pacientemente toda perseguição que surgir no seu caminho. Não se ire, nem desanime. Zombarias não quebram ossos, e se você vier a ter algum osso quebrado por causa de Cristo, este será o osso mais honrado de todo seu corpo.”

Daniel A. Chamberlin

quarta-feira, 4 de março de 2015

Não coloque palavras na boca de outros a fim de condená-los por estas palavras!


Você fala assim por causa do seu pecado
1 Então Elifaz, da região de Temã, em resposta disse:
2 “Jó, um sábio não responde com palavras ocas, não fica inchado com opiniões que não valem nada.
3 Um sábio não falaria palavras inúteis, nem se defenderia com argumentos sem valor.
4 Mas você quer acabar com o sentimento religioso; se dependesse de você, ninguém oraria a Deus.
5 Você fala assim por causa do seu pecado e procura enganar os outros com as suas palavras.
6 Eu não preciso acusá-lo, pois as suas próprias palavras o condenam.
7 “Você está pensando que é o primeiro ser humano que nasceu? Por acaso, você veio ao mundo antes das montanhas?
8 Será que você conhece os planos secretos de Deus? Será que só você é sábio?
9 Será que você sabe o que nós não sabemos ou compreende as coisas melhor do que nós?
10 O que sabemos nós aprendemos com pessoas idosas, que nasceram antes do seu pai.
11 “Por que você não quer aceitar o consolo que Deus lhe oferece? Em nome dele nós falamos delicadamente com você.
12 Por que você se deixa levar pelo seu coração? Por que esses olhares de ódio?
13 Por que essa revolta, essa ira contra Deus? Por que você se queixa assim?
14 “Será que alguém pode ser puro? Poderá alguma pessoa ser correta diante de Deus?
15 Se Deus não confia nos anjos, e se nem o céu é puro aos seus olhos,
16 que diremos do ser humano, imundo e nojento, que bebe o pecado como se fosse água?
Quem é mau sofre a vida inteira
17 “Escute, Jó, que eu vou explicar; vou contar aquilo que tenho visto.
18 Os sábios ensinam verdades que aprenderam com os seus pais, 
19 e estes moravam numa terra que não recebeu a influência de estrangeiros.
20 “Aquele que é mau, que persegue os outros, sofre atormentado a vida inteira.
21 Vozes de terror enchem os seus ouvidos, e, quando pensa que está seguro, os bandidos o atacam.
22 Ele não tem esperança de escapar da escuridão da morte, pois um punhal está pronto para matá-lo.
23 Os urubus estão esperando para devorar o seu corpo; ele sabe que o dia da escuridão está perto.
24 Ele será dominado pela angústia e pela aflição, como acontece quando um rei espera o ataque dos inimigos.
25 Tudo isso acontece porque ele levanta a mão contra Deus e desafia o Todo-Poderoso.
26 Ele é rebelde e, protegido por um pesado escudo, se joga contra Deus.
27 O seu olhar é orgulhoso, e o seu coração é egoísta.
28 “Esse homem mau conquistou cidades e ficou com as casas abandonadas pelos moradores, mas essas cidades e casas virarão um monte de ruínas.
29 Ele não ficará rico por muito tempo e perderá tudo o que tem. Até a sua sombra vai desaparecer da terra.
30 O homem mau não escapará da escuridão. Ele será como uma árvore cujos galhos foram queimados e cujas flores foram levadas pelo vento.
31 Como não tem juízo e confia na mentira, a própria mentira será a sua recompensa.
32 Ele secará antes da hora, como um galho que seca e nunca mais fica verde.
33 Ele será como uma parreira que perde as uvas ainda verdes, como uma oliveira que deixa cair as suas flores.
34 Os maus não terão descendentes, e o fogo destruirá as casas dos desonestos.
35 Eles planejam a maldade, fazem o que é errado e só pensam em enganar os outros.”


Comentário:

Esta é a segunda vez que ouvimos Elifaz falar. Agora menos gentil, e mais impaciente, rígido e irritado. Ele achou que sua primeira resposta não tinha sido suficiente. “Somos propensos a pensar que as coisas que dizemos devem ser consideradas grandes e importantes, enquanto outros pensam que são pequenas e insignificantes.” (Henry)
*Não persista em manter a sua própria opinião simplesmente por causa do seu orgulho em admitir que estava errado.

O discurso de Elifaz aponta para duas coisas: 1- Acusar Jó. 2- Defender Deus. Lembre-se de que Jó tinha apenas duas opções na opinião de seus amigos: 1- Admitir seu pecado (abrindo mão da sua integridade), ou 2- Acusar Deus de agir injustamente (amaldiçoar a Deus). Porém, Jó insiste em afirmar sua integridade, e também que Deus é justo.

1. Acusando Jó, v. 1-13. (Repreensão)

V. 2-6 Introdução

v. 2 “Seu discurso é vazio.”

v. 3 “Seu discurso é de nenhum proveito”

v. 4 “Seu discurso destrói toda piedade. Se o que você diz é verdade, não há necessidade de temer a Deus ou orar para Ele [cap. 12 6] Você diz: ‘em vão tenho purificado o meu coração’.” Salmo 73: 13.

Embora Elifaz estivesse errado em sua aplicação, o principio estava correto, pois a verdadeira religião pode ser resumida em: Temer a Deus e buscá-Lo em oração.

v. 5-6 “Você se autocondena.” (Elifaz vai tentar demonstrar isso). Porém, eles o provocaram ao extremo para dizer coisas que não deveria, e agora tiram vantagem disso.

V. 7-11 Detalhes:

v. 7 resposta ao capítulo 12: 2-3 e 13: 1-2. “Você pensa que é o maioral!”

v. 8-9 resposta ao capítulo 12: 3 novamente, uma declaração cabível. Mas, Elifaz se ofende: “Você pensa que possui o monopólio da sabedoria.” – Jó nunca disse tal coisa. “Você pensa que tem algum segredo ou conhecimento superior.”

v. 10 “Respeite a minha idade e sabedoria.” *Devemos ter respeito aos mais velhos, porém, não devemos sempre assumir que a sabedoria venha com a idade. Nem sempre os mais velhos são mais sábios. Se você é sábio, não seja arrogante nem autoritário, mas humilde e acessível (que são as evidências da verdadeira sabedoria).

O ponto fraco de Elifaz parece ser o seu orgulho do conhecimento! *Vamos tomar cuidado com isso.

v. 11 Novamente, “Você não possui melhor conhecimento do que nós.”

V. 12-13 A acusação: “Jó, você perdeu completamente a perspectiva. Você está agindo contra Deus. Você blasfema de Deus!”

II. Justificando Deus, v. 14-35. (Debate)

V. 14-16 A maldade do homem. (*Até mesmo a doutrina da depravação total pode ser abusada e aplicada de forma inadequada).

v. 14 talvez uma citação do cap. 14: 1, 4. Você falou corretamente a verdade!” Mas, a aplicação no caso de Jó estava errada...considerar Jó como um peculiar pecador, digno de uma punição peculiar.

v. 15-16 “O mais santos dos homens e dos anjos não são suficientes para Deus, muito menos o homem iníquo, envolvido em pecado e blasfêmias (como você!). Deus é tão puro para tolerar você.”

V. 17-19 “Agora me ouça. Ouça a voz da experiência e sabedoria [e orgulho]. Estou passando a você o que tem vindo desde Adão, àquilo que é universalmente aceito pelos homens sábios. Nenhuma mistura de ensinos estranhos vindo de pensadores corruptos.

*Henry: “Os homens são aptos, quando condenam o raciocínio de outros, a recomendar os seus próprios raciocínios.

V. 20-35 A miséria do ímpio.

Aqui segue o mesmo velho e cansativo argumento: “Deus trata igualmente a todo homem no tempo devido.” (Quando insistimos no “tempo devido” caímos no chamado: evangelho da prosperidade).

*Aqueles que não possuem outro argumento, simplesmente tomam um pouco de fôlego para repeti-los, mesmo que seus argumentos tenham sido refutados ou provados serem falsos. Como somos teimosos!

O ímpio recebe:

- uma vida curta e cheia de dores, v.20

- destruição e más notícias, v. 21

- temor e pessimismo, v. 22

- pobreza e necessidades, v. 23

- problemas e temores, v. 24

- pobreza, v. 29

- fogo de Deus o destruirá, v. 30 (pense no cap. 1: 16)

- uma vida sem sentido, v31

- no final, a morte, v. 32-33

- desolação, v. 34-35

....tudo isso por que:

- ele se opôs a Deus, v.25

- ele obstinadamente atacou a Deus, para seu próprio prejuízo, v. 26

- ele é autoconfiante, v. 27

- ele é tolo, v. 28, Irracional. Pensa que terá sucesso onde outros falharam.

“Jó, você está enganado (v. 31) assim como os enganadores (v. 35), o hipócrita (v. 34). “Um grande pecador”

Conclusão:

Aprenda algumas coisas da natureza humana:

Como foi difícil para Jó passar por outra série de acusações da parte de seus amigos!

As inquietações (14: 1) que assolam os nossos poucos dias, vêem em parte, através dos nossos amigos. Não há amizade perfeita aqui na terra. Seja agradecido por ter Deus como amigo!

“É natural mimarmos nossos próprios sentimentos, e, portanto, nos firmarmos neles, tendo dificuldades de recuarmos.” (Henry)

Aqueles que pensam estar justificando a Deus, podem apenas estar provando a sua própria ignorância. (Como podemos saber? Permanecendo nos limites das Escrituras!)

Procure argumentar de forma justa, saudável e generosa (Caso haja qualquer sombra de dúvida). “Há uma certa injustiça, da qual mesmo homens sábios e bons freqüentemente são culpados, é a de; no calor de uma disputa, impor aos adversários as suas opiniões, as quais não são aplicadas de forma justa, levando-os a odiarem. Isto não é tratar da forma como gostaríamos de ser tratados.” (Henry)

Não coloque palavras na boca de outros a fim de condená-los por estas palavras! (“Durham: Jó nunca reivindicou ser um homem inocente, mas também nunca permitiu ser acusado de hipocrisia.”) Quão freqüentemente as ofensas se agravam por causa de argumentos errados! Esteja certo de vencer um debate com a verdade, não com um raciocínio falho, ou uma falsa lógica. Seja honesto num debate, para que você não venha a vencer uma batalha e perder a guerra. Admita que tem um conhecimento limitado. Seja humilde.

Seja cuidadoso para não cair na armadilha de argumentos falhos ou se desviar do verdadeiro assunto, apegando-se a declarações que não deveriam ser consideradas naquele momento. Ore por graça a fim de pensar com clareza, enxergar através de um argumento e responder biblicamente. Conheça bem as Escrituras!

Daniel A. Chamberlin

terça-feira, 3 de março de 2015

A nossa vida é curta


1“Todos somos fracos desde o nascimento; a nossa vida é curta e muito agitada.
2 O ser humano é como a flor que se abre e logo murcha; como uma sombra ele passa e desaparece. 3 Nada somos; então por que nos dás atenção? E quem sou eu para que me leves ao tribunal? 4 O ser humano, que é impuro, nunca produz nada que seja puro.
5 Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver; isso está resolvido, e ninguém pode mudar. 6 Para de olhar para nós e deixa-nos em paz, até que o nosso dia chegue ao fim, como chega ao fim o dia de um trabalhador.
7“Para uma árvore há esperança; se for cortada, brota de novo e torna a viver.
8 Mesmo que as suas raízes envelheçam, e o seu toco morra na terra, 9 basta um pouco de água, e ela brota, soltando galhos como uma planta nova. 10 Mas, quando alguém morre, está acabado; depois de entregar a alma, para onde vai? 
11“Como lagoas que secam, como rios que deixam de correr, 12 assim, enquanto o céu existir, todos vamos morrer. Vamos dormir o sono da morte, para nunca mais levantar. Eu esperarei por melhores tempos 13 “Ah! Se tu me pusesses no mundo dos mortos e ali me escondesses até que a tua ira passasse e então marcasses um prazo para lembrares de mim!
14 Mas será que alguém tornará a viver depois de ter morrido? Eu, porém, esperarei por melhores tempos, até que as minhas lutas acabem. 
15 Então me chamarás, e eu responderei; e tu ficarás contente comigo, pois me criaste.
16 Cuidarás para que eu não erre, em vez de ficares espiando para me veres pecar.
17 Esquecerás os meus pecados e apagarás os meus erros. Tu acabas com a nossa esperança
18“Mas assim como as montanhas vão se desmoronando, e as rochas saem dos seus lugares; 19 e assim como as águas escavam as pedras, e as correntezas levam a terra, assim tu acabas com a esperança do ser humano. 20 Tu o derrotas, ele se vai para sempre, e mudas a sua aparência quando o despedes deste mundo. 21 Se os seus filhos recebem homenagens, ele não fica sabendo e, se caem na desgraça, ele não tem notícia. 22 Ele sente apenas as dores do seu próprio corpo e a agonia do seu espírito.”


Comentário:

Este capítulo encerra o discurso mais longo feito por Jó. Ele ainda está se dirigindo a Deus. Vemos aqui uma mistura de confiança e queixas. (mais uma vez, algumas passagens permitem mais de uma interpretação, ou atitude da parte de Jó). Desespero em meio a esperança. Rosas entre espinhos.

*Aprenda a excelência da consistência.

V. 1-2 Se lamentando da vida

Ligado com 13: 28, o rápido declínio da vida do homem na terra.

Não há chauvinismo aqui! Apenas realidade, vista de um ponto de vista sem Deus (como várias partes do livro de Eclesiastes). Talvez uma referência á Eva.

Veja o que o pecado produziu: V. 1

v. 1 Brevidade de vida (e morte). A vida nos tempos de Jó era mais curta do que a dos seus predecessores. Duas ilustrações, a flor e a sombra. Ambas logo desaparecem. Porém, isto é uma benção em seu disfarce devido a:

v. 2 Muita inquietação. Dentro e fora. Problemas na alma, no corpo, na família, na vizinhança e no mundo. Suscetível a mudanças – para o pior. Compare com o que Jacó disse em Gênesis 47: 9. Oh, o que o pecado tem feito!

- Nosso estado é temporário, fugaz. Portanto, não pense que é eterno (como faz a maioria dos inconversos). Tenha certeza da vida eterna, vida da alma voltada para Deus. Mantenha a perspectiva correta do tempo/eternidade.

- Nosso estado é de pecado. Portanto, não espere uma vida livre de problemas. Nós passamos por uma crise maior a cada seis mêses! V. 3-6 Humilhado diante de Deus v. 3 v. 4 “Sendo a vida tão curta e cheia de problemas, Tu ainda me privas de uma parte dela? Vais torná-la ainda mais curta e problemática? A vida não é má o suficientemente sem sermos acossados por Deus? Eu sei que não posso me igualar a Ti, ou comparecer num julgamento diante de Ti.” v. 5 v. 6 “Eu não teria chances num julgamento. Sou impuro. Eu sei disso. Eu nunca poderia passar por julgamento mais minucioso da Sua parte.” v. 7 v. 8 -6 “Já que meus dias estão contados por Ti, assim como toda a minha existência, desde o início até o fim, está em Suas mãos, deixe-me apenas sobreviver. Retire a Sua ira de mim, para que eu possa terminar os meus dias em paz...para que cumpra o meu “turno” e faça meu trabalho. (Deixe-me morrer uma vez só, não muitas!)”

Palavras humildes (embora outras emoções também brotaram!).

- Temos que ser humilhados devido ao nosso estado de impureza, v.4. Não nascemos limpos. Começamos num estado de impureza. Pecado original (isto é parte da natureza caída de todo descendente de Adão). Esta verdade deveria humilhar até mesmo aquele que se considera exteriormente mais “limpo”. (Minha própria experiência).

- Deus é soberano sobre o nosso tempo de vida, v.5 (comp. 7: 1). Somente Ele é que tem o direito de tirar nossa vida. Não há motivos para temermos os acidentes, doenças, guerras, etc. (A mídia gosta de nos manter apreensivos e preocupados.) Você é imortal aqui, até que Deus o queira! Compare cap. 2 e as testemunhas de Apoc. 11: 7.

- A oração é consistente com a predestinação, v. 5-6. Deus predestinou os meios e as causas secundárias! – uma das quais é a oração. (E por que orar se Ele não é absolutamente soberano?...melhor se preocupar, manipular, etc.!)

V. 7-12 Contrastes e comparações

Homem é diferente da árvore, v. 7-9. Como é difícil matar uma árvore! Exemplo do nosso próprio jardim aqui. A vida parece impossível de ser parada. Mas (v. 10) fala que o homem é diferente, pois ele morre rápido e facilmente. Ele evapora, declína, expira e se vai! Não brota novamente.

O homem é como as muitas águas, v. 11-12, que seca, desaparece e não retorna (Saber exatamente a que Jó se refere é um mistério. Talvez algum dos efeitos causados após um dilúvio, quando as águas se secam.) Assim é o homem: ele cai para não levantar nunca mais, ou despertar, até que os céus (usado para medir o tempo) não mais existam.

Porque isto é verdade...

V. 13-15 Espere pela morte

“Deixe-me me esconder, escapar dos problemas, na morte. O pecado arruinou e domina esta vida, embora a morte seja terrível, ela não poderia ser pior do que a vida que estou vivendo agora.”

Note como Jó se sente seguro com relação a morte. ocultasses....lembrasses.

v. 14a tremenda questão! Resposta: Não, não neste mundo (comp. Salmo 115: 17, 146: 4, etc.) Mas, sim no mundo vindouro (que Jó irá declarar mais tarde no cap. 19). Talvez alguma falta de informação sobre o “estado intermediário”?

v. 14b-15 Qual mudança? Aquela no final dos dias determinados (compare v.5), ex: a morte. (Mas alguns veêm aqui uma referência a ressurreição.) Jó está contente em esperar pelo tempo em que Deus o chame através da morte. “Estou pronto, a qualquer hora que Tu queiras!

Eu tenho demonstrado a minha ânsia pela morte, mas (em momentos de maior sanidade) reconheço a Sua soberania sobre a extensão da minha vida, portanto, eu espero.

Note a confiança de Jó de que ele é fruto do trabalho e do desejo de Deus (almejarias).

- Que conforto saber que somos o cumprimento do desejo de Deus. Assim como Jó, busquemos conforto nesta verdade. Aqui vemos Jó (como Davi) encorajando a sí mesmo no Senhor, seu Deus. Aqui temos a rosa entre espinhos neste capítulo.

(Jó é o seu próprio confortador, na ausência de amigos que o façam.)

- Almas agraciadas podem responder alegremente ao chamado da morte.” (Henry)

- Na sepultura, não há mais o efeito do pecado e nem da maldição de Deus sobre ele, até onde isto se relacione a alma do remido. Simplesmente entrar na sepultura, e tudo ficará bem! A batalha e a luta acontecem agora, somente nesta vida. Morra bem, pois tudo ficará bem.

V. 16-22 A Severidade de Deus

Mas agora! (rápida alteração de tom – assim como fazemos algumas vezes em nossas próprias orações!)

v. 16a “Tu me vigias de perto em cada movimento, motivo.”

v. 16b “Eu sei que Tu vês cada um dos meus pecados e falhas.

v. 17 O costume de costurar a bolsa de dinheiro a fim de proteger seu conteúdo, e também documentos importantes, como uma intimação judicial, processo. Henry faz as seguintes observações nestes dois versículos: “Deus realmente vê todos os nossos pecados, Ele enxerga o pecado do seu próprio povo, mas não é severo em contá-los um a um para nós, nem a lei está se esticando para nos alcançar, pois somos punidos muito aquém do que merecemos. Deus sela e amontoa, para o dia da manifestação da Sua ira, a transgreção do impenitente, mas os pecados do Seu povo, Ele desfaz como uma nuvem.”

v. 18 O que sou eu comparado a uma imensa montanha ou a rocha que Tu moves? Sou mutável, inconstante, frágil, a Sua disposição.”

v. 19 “Como a água com o tempo desgata a pedra e varre o solo, assim as tribulações, que se estendem por tão longo período, estão varrendo a minha vida. Minha esperança acabou com relação a esta vida.”

- As esperanças materiais do homem, sonhos, aspirações e ambições, são todas frustradas por Deus. Ele “destrói nossos planos e alegrias terrenas”, a fim de encontrarmos nosso tudo, nEle! (Newton) Ele nos faz esse favor!!

v. 20 “Tu retiras o homem da terra. Mostra-lhe a face da morte.”

v. 21 “Tu privas o homem de saber o que acontece aqui na terra após a sua morte.”

v. 22 “Até a morte, o corpo e a alma sofrerá dor e tristeza aqui.” Compare v. 1. Muita verdade, é claro. * Mas esteja certo de declarar isso de forma doce, não amarga.

Observe:

1. Nossa vida é, em ultima estância, medida pelos dias (v. 1, 5). Como nos obituários. Viva para Deus no presente. Não presuma do dia de amanhã com idéias românticas. Não deixe a obediência para o dia seguinte. (obediência vagarosa não é obediência.)

2. Deus conhece nossa estrutura!...nossa fragilidade. Salmo 103: 13-18. Ele é misericordioso. Cristo se simpatiza com a nossa dor (Que declaração!)

3. Não espere muito da caída e amaldiçoada terra. Encontre o seu prazer e propósito em Deus, na redenção, no céu, e na obediência.

4. V. 4 Na redenção, Deus faz aquilo que o homem não pode fazer. Ele pega um pecador impuro, e o torna um santo perfeito! Como? Ao tomar um cordeiro sem mancha e oferecê-lo em humilhação e morte. Permaneça com temor e tremor diante da Sua poderosa obra de redenção!

Daniel A. Chamberlin


Ainda que ele me mate nele confiarei



FORJADORES DE MENTIRAS
1 Tudo isto meus olhos viram e meus ouvidos ouviram, e compreendi tudo.
2 O que vós sabeis, também eu sei: não sou inferior a vós.
3 Contudo, quero falar ao Poderoso, com o próprio Deus quero disputar.
4 Quanto a vós, mostrarei que sois forjadores de mentira, todos vós sois curandeiros de nada.
5 Oxalá ao menos vos calásseis, para que isto vos fosse creditado como Sabedoria.
6 Ouvi, pois, a minha defesa e atentai para os argumentos de meus lábios.
7 Acaso é para defender a Deus que mentis, e em seu favor apresentais enganos?
8 Acaso tomais o seu partido e quereis defender em juízo a causa de Deus?
9 Não seria bom que ele vos examinasse? Ireis zombar dele, como se zomba de qualquer um?
10 Ele mesmo vos repreenderá, porque, às escondidas, sois parciais.
11 A majestade dele não vos perturbará e não cairá sobre vós o seu terror?
12 Vossas máximas são como provérbios de cinza, couraças de barro, as vossas couraças!
13 JÓ ARRISCA TUDO
Calai-vos um pouco, para que agora eu fale e venha sobre mim o que vier.
14 Por que eu morderia minha carne com os dentes e poria minha vida em minhas mãos?
15 Ainda que fosse matar-me, eu nele esperaria; apesar de tudo, na sua presença defende rei minha conduta.
16 Isto já seria a minha salvação, pois nenhum ímpio comparece diante dele.
17 Escutai, pois, minhas palavras, ouvi com vossos ouvidos o que vou expor.
18 Preparei meu julgamento, e sei que vou ser declarado inocente.
19 Quem é que vai disputar comigo? Só depois me calarei, e morrerei!
20 Apenas duas coisas não me faças, ó Deus, e então não me esconderei da tua presença:
21 afasta de mim a tua mão, e não me amedronte o teu terror.
22 Interpela-me, e eu te responderei, ou deixa-me falar, e tu me responderás.
23 São tão grandes assim minhas iniqüidades e meus pecados? Mostra-me os meus crimes e delitos!
24 Por que escondes tua face e me consideras teu inimigo?
25 Ages duramente contra uma folha que é levada pelo vento, e persegues uma palha ressequida.
26 Pois proferes contra mim sentenças amargas e me obrigas a assumir os pecados de minha juventude.
27 Prendeste meus pés ao cepo, vigiaste todos os meus caminhos e examinaste até minhas pegadas,


Comentário:

Jó atinge o limite mais elevado da sua fé e da sua confiança em Deus ao afirmar: “Ainda que ele me mate nele confiarei” (13:15). Que é como quem diz: mesmo depois de morto, continuarei a confiar. A fé de Jó é elevada até ao limite da eternidade. Lembra-nos os três jovens que, ao serem ameaçados de morte caso não adorassem a estátua de ouro, responderam que Deus os livraria, mas mesmo que não livrasse, a sua decisão era inalterável. (Daniel 3:16-18). Que exemplo! A fé não pode ser negociada. 
Jó expressa frontalmente a sua irritação e desilusão em relação aos amigos: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e todos vós, médicos que não valem nada. Tomara que vos calásseis de todo, que isso seria a vossa sabedoria” (13:4-5). 


Ludgero Coelho

segunda-feira, 2 de março de 2015

Jó sabe por experiência


1 Jó tomou a palavra e disse:
2 “Então vós sois os tais, e convosco a Sabedoria vai morrer?
3 Mas também eu, como vós, tenho entendimento, e não sou inferior a vós; quem ignora aquilo que sabeis?
4 Quem é escarnecido, como eu, por seus amigos, invocará a Deus, e ele o ouvirá, pois é a integridade do justo que é escarnecida.
5 A lâmpada, desprezada pelos que estão seguros, está a serviço dos que têm os passos vacilantes.
6 Estão tranqüilas as tendas dos ladrões, e seguras, as dos que desafiam a Deus, dos que têm Deus na palma da mão.
7 Pergunta, por exemplo, aos asnos, e te ensinarão; às aves do céu, e te informarão;
8 volta-te para a terra e ela te instruirá, os peixes do mar te hão de esclarecer.
9 Quem não ignora, em todas estas coisas, que foi a mão do Senhor que fez tudo?
10 Em sua mão está a alma de todo ser vivo, o espírito de toda carne mortal.
11 O ouvido não distingue as palavras e o paladar não saboreia as iguarias?
12 A sabedoria não se encontra nos cabelos brancos? E a prudência, não está nos anciãos?
13 Ora, é em Deus que está a sabedoria e a força: ele tem o conselho e a inteligência.
14 DEUS DESFAZ A SABEDORIA HUMANA
Se ele destrói, ninguém poderá reconstruir; se ele aprisionar alguém, não haverá quem o solte;
15 se retiver as águas, virá a seca; se as soltar, inundarão a terra.
16 Nele está a força e a sabedoria, ele conhece quem engana e quem é enganado.
17 Manda embora os conselheiros sem nada, e leva os juízes à demência.
18 Desata o cinturão dos reis e amarra seus rins com uma corda.
19 Manda embora os sacerdotes sem nada, e abate os poderosos.
20 Troca as palavras dos que falam com segurança e tira o conhecimento dos anciãos.
21 Lança o desprezo sobre os nobres e afrouxa o cinturão dos violentos.
22 Descobre o que há de mais oculto nas trevas e traz à luz a sombra da morte.
23 Engrandece as nações e as arruina; se destruídas, restaura-as integralmente.
24 Tira o entendimento aos chefes do povo e os engana, deixando-os vaguear num deserto sem estradas.
25 E andarão às apalpadelas como nas trevas e não na luz, pois ele os faz vaguear como bêbados.

Comentário:

Aqui tem início a longa resposta de Jó para Zofar. Nestes três capítulos, Jó expõe de forma geral a sua posição, dizendo coisas muito úteis. Ele fala dos homens 12: 1-13, 19 (?), e então de Deus 13: 20- 14: 22 (note a mudança do plural para o singular.)

Jó confronta Zofar e os outros com sua própria posição: “Vocês pensam que eu sou ignorante, e que não sei nada a respeito de Deus, ficando facilmente abalado com suas profundas indagações? Bem, Eu posso discutir com o melhor de vocês. Deixe-me mostrar a vocês!” A Descrição de Jó sobre a soberania de Deus é, sem dúvida, maior do que aquela feita por Zofar no cap. 11, pois mostra uma visão mais profunda.

Introdução. V. 2-3

Há um pouquinho de sarcasmo aqui ao repreender o orgulho. “Você diz que eu sou um homem vão, como um jumento montês. Bem, caros companheiros, vocês se acham os representantes dos homens! Vocês tem o monopólio da sabedoria. Ela começa e termina com vocês. Na verdade, vocês estão se superestimando. Eu entendo tudo o que vocês disseram. De fato, qualquer um pode entender estes princípios tão simples – ex: justiça divina, plantar e colher.

- Há ocasião para se responder ao tolo em sua tolice. (Os três eram homens sábios, mas as provações de Jó trouxe a tona o pior deles! Um orgulho intelectual horroroso, etc.) Um terreno perigoso – caminhe com cuidado! – há um tempo em que não se deve responder ao tolo.

- Compare Elias no Carmelo zombando dos falsos profetas. Ou Paulo em I Coríntios 4: 10.

- Nenhum de nós pode dispensar a sabedoria! Somos tremendamente pequenos!! Mantenha uma opinião humilde sobre você mesmo. Filipenses 2: 3 cada um considere os outros superiores a si mesmo.

A descrição de Jó, v4-5

“Vocês dizem que sou um zombador (11: 3). Mas são vocês que zombam de mim! Vocês estão no alto e no seco – oram e Deus os ouve – estão tranqüilos. Podem rir e zombar por estarem seguros.”

- Se vocês estão seguros, não desprezem os que não estão. Os que estão em segurança, não deveriam zombar daqueles que estão em perigo. O forte não deve desprezar o fraco, mas antes, recebê-lo (Romanos 14: 1).

- Rir e zombar pode causar mais dano do que a própria violência. Pense em Cristo: A violência da crucificação foi enorme, mas talvez a dor maior tenha vindo das zombarias. (Aqui Jó experimenta do cálice que Cristo bebeu sem deixar uma gota.) Também foi traído pelos amigos (Salmo 55: 12-14).

A Teologia bi-dimensional de Jó, v. 6-25.

Lembre-se de que a de seus amigos era unidimensional. Talvez haja ainda uma tri-dimensional, que Jó ainda não houvera visto (a saber: que estas provações eram uma prova do amor de Deus por ele, e para o bem dele). Mas, Jó se agarra aqui ao direito que Deus tem de afligir o justo nesta vida.

V. 6 “Olhe agora para os Sabeus e os Caldeus que estão desfrutando das minhas riquezas. Ninguém na terra pode alcançá-los. Eu não pude evitar que eles levassem meus bens. De onde eles obtiveram sua riquezas? No final das contas, Deus é quem deu tudo isso á eles!”

- Declaração importante: Jó está vencendo em sua posição! Deus é Deus. Ele está no controle de tudo. Ele tem propósitos que nós não podemos enxergar. “A fórmula simplista que vocês tem, de semear e imediatamente colher, não pode ser mantida.”

Henry: “Não podemos, portanto, julgar a piedade dos homens pela abundância do que possuem, nem o que eles têm nos seus corações, por aquilo que tem em suas mãos.”

V. 7-9 O testemunho da criação.

Pode ser entendido ao se falar:

De forma geral: “Toda criação testifica da autoridade do Criador.” Salmo 19.

De forma específica: “Entre os animais, vemos as inofensíveis pombas sendo devoradas pelos pássaros carnívoros.” Pequenos e engraçadinhos cachorrinhos, sendo devorados vivos, pelos pumas selvagens. A vida na terra simplesmente não é justa aos nossos padrões. Mas, isto é a mão do Senhor.

[Note v. 9, é a única vez que a palavra Jeová é usada pelo homem no livro de Jó.]

V. 10-12 O testemunho da humanidade.

“Todas as almas estão em suas mãos. Nosso fôlego vem dEle. Nossas faculdades de raciocínio, julgamento moral, padrão da verdade e sabedoria, não passam de dons de Deus. Nós mesmos somos provas óbvias de Deus. Ele sustenta, mantém, controla e dispõe de nós, segundo a Sua vontade.”

V. 13-15 “Todos estes pontos apontam para a fonte de sabedoria e entendimento: Deus.”

A seguir, há uma série de declarações apontando para a Providência Divina em todos os acontecimentos.

- v. 14 O poder de Deus sobre todos os acontecimentos, de acordo com Sua vontade.

- v. 15 O poder de Deus sobre o dilúvio.

- v. 16 Uma das colocações mais contundentes de Jó! Aqui há comida sólida - os homens deveriam alimentar-se dela! “Deus faz muito mais do que você imagina!”

- v. 17 Deus humilha os grandes homens, rebaixando-os.

- v. 18 Ele os inutiliza (pense em Nabucodonosor).

- v. 19 Novamente, Ele depõe os poderosos.

- v. 20-21 Deus humilha o “sábio” e o poderoso.

- v. 22 Deus sabe de tudo. Ninguém pode se esconder dEle. Ninguém pode ocultar um segredo de Deus. Citado em I Coríntios 4: 5 – Verdade profunda. Pense em Davi, Hamã, Acã e até mesmo Adão.

- v. 23-25 Deus tem o controle absoluto, de todas as nações, não estando tal controle somente com os homens. Eles são meros tolos, comparados com Deus, eles não têm noção do que Ele é capaz.

V. 25 Uma descrição apropriada da nossa nação hoje! Sega, bêbada e insana.

Resumo: “Eu posso argumentar também! Eu posso debater sobre a grandeza de Deus! Vocês não detém este monopólio!”

Observe:

1. Há conforto para o Cristão nos atributos de Deus. Nada é mais relevante.

2. O principal atributo que nos dá conforto é a Sua Soberania. Que travesseiro macio para inclinar nossas cabeças cansadas! Quantas vezes já tivemos provas disso! Descanse nAquele que ordena todas as coisas! “Ele pode fazer comigo o que bem entender.”

3. Deus nunca prometeu que o justo não seria afligido. Mas, “ainda que nos aflija, não nos deixa tão fracos que não possamos servi-Lo, nos permitindo permanecer em nossa carreira, até que tenhamos passado por tudo e vencido as tentações que temos que suportar neste mundo.” (Calvino)

4. De volta ao v. 16. Alguns negam esta verdade, pensando que isto faz de Deus o autor do pecado.

Calvino: “Você pode ver então, como eles são apenas bestas arrogantes, os quais não concordam que Deus seja Todo-Poderoso, a menos que eles possam sujeitá-Lo a suas próprias idéias e fantasias”. Mas nós entendemos as “causas secundárias”, os decretadas por Deus. Ele governa. Salmo 76: 10. Até mesmo Satanás, o pai dos mentirosos, está sob o domínio de Deus! I Reis 22: 22, II Tess. 2: 11. “Permitir” é na realidade, decretar!

*Os eleitos não podem ser enganados! (Mateus 24: 24). Nós somos preservados, tentados, testados, humilhados, mas guardados no poder de Deus! “Deus não toleraria o pecado do enganador, nem a miséria do enganado, se não pudesse colocar limites a ambos, e glorificar a si mesmo através de ambos.” (Henry) Tudo para o bem Rom. 8: 28!!

Daniel A. Chamberlin