segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Minha Saudade... = Saudade é assim...
Quando se está com raiva existe a palavra, o grito, os argumentos e até a vontade de ficar longe.
Quando se está feliz existe o abraço, o carinho, o aconchego e as risadas compartilhadas.
Quando se está triste existem as lágrimas, o desabafo, a mão estendida e o ombro que vai amparar o rosto.
Quando se está com saudade, não existe nada… não há presença, cheiro, olhar, sorrisos, voz ou proximidade da pessoa que se quer ter perto.
Saudade é vazio preenchido de vontade, é sede que não sacia, é fome que não acaba. Saudade é falta.
Saudade é estar só e ao mesmo tempo rodeada de uma presente ausência, de pensamentos recorrentes, de desejos intermináveis.
Saudade é dormir sentindo, sonhar revivendo e acordar enquanto a alegria continua adormecida.
Saudade não tem cor, mas pode ser cinza quando não há volta ou iluminada como o sol, quando sabemos que estaremos perto de novo.
Saudade é contar o tempo e acreditar que ele está mais lento, é ter a sensação constante de que toda a angústia acabará em alguns minutos, dentro de um abraço.
Saudade é não saber e tentar imaginar onde está quem queremos.
Saudade é música que aperta o peito, riso que desperta o choro, passado que queremos transformar em presente.
Saudade é nostalgia do que ainda não conseguimos esquecer… ou do que não queremos esquecer.
Saudade é perfurocortante, afiada e fria como uma lâmina, mas que se transforma em fogo quando terminada.
Saudade é ficar esperando o dia, a hora, o lugar e o momento de dizer “eu senti saudade!”.
Saudade é olhar de longe e pensar o que fazer para acabar com a distância.
Saudade é insana, não tem planejamento, discernimento ou autocontrole… simplesmente revira e tira tudo do lugar.
Saudade é reconstituir por muitas, muitas, muitas vezes o último beijo e o último sorriso.
Saudade é planejar os próximos abraços, toques, ficar agarradinho… é a expectativa de encontrar de novo.
Saudade é isso que você está sentindo agora, enquanto lembra de quem te desperta esse sentimento.
Liz Passos
Fonte:Coisas de Liz
Sobre pessoas que acham e pessoas humildes
Tenho uma leve impressão que alguém um dia postou isso em seu blog pra mim..... triste... muito triste...rsrsrsrs
Com certeza o Guilherme Ferreira não escreveu pensando em mim... UFA!!!!!!
Se tem um tipo de pessoa que eu detesto são as que se acham, as petulantes, donas da verdade e da razão. Suas verdades são sempre as únicas, e todo o resto carrega uma pitada de imbecilidade. Olham de cima de sua arrogância com desdém para todos os que habitam a terra dos coitados. São os pseudo-inteligentes ou pseudo-intelectuais, conhecedores de todas as coisas do mundo estão sempre a explicar alguma coisa, a corrigir os erros alheios, a dar dicas e opiniões.
Quando contrariados esses seres, donos da verdade, agem como se estivessem em um campo de batalha. Com poucos argumentos a seu favor se sentem ofendidos, ou melhor, agredidos e partem pra cima de seu oponente com violência e rancor, como se tivessem sido feridos. Cabe ao mortal do outro lado da briga abaixar a cabeça e ir embora. Quando tem a reação contrária, os sabe tudo, te dão um tapinha nas costas e vão embora, mas jamais admitem estar equivocados.
É possível identificar esses seres que se acham a última bolacha do pacote de várias formas.
*Pela forma que andam: geralmente são extremamente auto-confiantes uma vez que são profundos conhecedores da vida e não tem nada a perder. Andam como pavões, de uma forma meio exibida, meio confiante de mais.
*Pela forma de falar: essa variável costuma variar de criatura pra criatura, mas no geral falam com extrema propriedade sobre diversos assuntos, costumam analisar situações aparentemente banais transformando-as em verdadeiras teses de mestrado. Muitas vezes, gostam de explicar teorias e conceitos a respeito de assuntos que ninguém se importa, nesses casos, costumam usar um linguajar mais didático para que os pobres mortais compreendam ao menos o básico de toda a sua cultura. Por vezes, os sabe-tudo ainda são contestadores de quase toda convenção;
*Pelo que escrevem: seus textos são geralmente testamentos. Na maioria das vezes fazem uso de palavras difíceis para mostrar seu vasto vocabulário, utilizam exemplos da própria vida para mostrar seu ponto de vista e também exibir sua trajetória inspiradora de vivências inesgotáveis. O texto inteiro tem um ar meio superior como que se estivesse rindo de quem lesse. O texto pode ainda conter algum tipo de ironia e na maioria das vezes indica conselhos ao leitor, afinal, os que se acham, acham que suas opiniões são incríveis e devem ser seguidas a risca por todos. Muitas vezes esses seres ainda se vangloriam dizendo dispensar comentários contrários ao seu.
Humildade. Como aprecio essa palavra. Deveria ser pré-requisito a todos os seres humanos. Pessoas humildes são, em sua maioria, pessoas que respeitam os outros. Humildade requer respeito ao outro. Como admiro pessoas que são realmente inteligentes, e realmente sabem muito de quase tudo na vida e ainda assim são humildes. Essas pessoas deveriam ser exemplos, inspiração. Me pergunto, pra que cuspir na cara dos outros toda a sua sabedoria, inteligência, conhecimento?
E o que mais me enjoa é que essas pessoas, na maioria das vezes, não são tão vividas quantos as humildes. Na maioria das vezes esses sabe-tudo adquirem seu conhecimento cercado das paredes de sua casa, do conforto do seu dinheiro, do seu carro, dos seus livros. Quem são esses conhecedores de tudo se, se quer viveram experiências de verdade? Se nem se permitiram sair da bolha em que vivem?
Ninguém, repito, ninguém tem o direito de achar saber mais que os outros, de achar que tem mais cultura que os outros, que é mais esperto, mais letrado, mais inteligente, mais nada. Ninguém sabe da vida de ninguém, essa é a verdade. Ninguém tem o direito de julgar ninguém pela casca sem saber o conteúdo. Como dizia aquela música dos Titãs: “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Como achar-se melhor que alguém cujas experiências não se conhece?
As pessoas humildes não dão opiniões quando não solicitados, não palpitam sobre a sua vida ou suas escolhas quando bem entendem, não corrigem tudo o que você fala, não tem prazer em discordar de tudo ou quase tudo, não dissertam sobre teorias chatas e conceitos inúteis, não contam suas experiências como em uma competição, não analisam tudo e todos, não se sentem agredidas quando contrariadas ou indagadas de alguma coisa, não são exibidas, não são prepotentes e nem petulantes. Os sabe tudo são previsíveis, os humildes, surpreendentes.
Guilherme Ferreira
Com certeza o Guilherme Ferreira não escreveu pensando em mim... UFA!!!!!!
Se tem um tipo de pessoa que eu detesto são as que se acham, as petulantes, donas da verdade e da razão. Suas verdades são sempre as únicas, e todo o resto carrega uma pitada de imbecilidade. Olham de cima de sua arrogância com desdém para todos os que habitam a terra dos coitados. São os pseudo-inteligentes ou pseudo-intelectuais, conhecedores de todas as coisas do mundo estão sempre a explicar alguma coisa, a corrigir os erros alheios, a dar dicas e opiniões.
Quando contrariados esses seres, donos da verdade, agem como se estivessem em um campo de batalha. Com poucos argumentos a seu favor se sentem ofendidos, ou melhor, agredidos e partem pra cima de seu oponente com violência e rancor, como se tivessem sido feridos. Cabe ao mortal do outro lado da briga abaixar a cabeça e ir embora. Quando tem a reação contrária, os sabe tudo, te dão um tapinha nas costas e vão embora, mas jamais admitem estar equivocados.
É possível identificar esses seres que se acham a última bolacha do pacote de várias formas.
*Pela forma que andam: geralmente são extremamente auto-confiantes uma vez que são profundos conhecedores da vida e não tem nada a perder. Andam como pavões, de uma forma meio exibida, meio confiante de mais.
*Pela forma de falar: essa variável costuma variar de criatura pra criatura, mas no geral falam com extrema propriedade sobre diversos assuntos, costumam analisar situações aparentemente banais transformando-as em verdadeiras teses de mestrado. Muitas vezes, gostam de explicar teorias e conceitos a respeito de assuntos que ninguém se importa, nesses casos, costumam usar um linguajar mais didático para que os pobres mortais compreendam ao menos o básico de toda a sua cultura. Por vezes, os sabe-tudo ainda são contestadores de quase toda convenção;
*Pelo que escrevem: seus textos são geralmente testamentos. Na maioria das vezes fazem uso de palavras difíceis para mostrar seu vasto vocabulário, utilizam exemplos da própria vida para mostrar seu ponto de vista e também exibir sua trajetória inspiradora de vivências inesgotáveis. O texto inteiro tem um ar meio superior como que se estivesse rindo de quem lesse. O texto pode ainda conter algum tipo de ironia e na maioria das vezes indica conselhos ao leitor, afinal, os que se acham, acham que suas opiniões são incríveis e devem ser seguidas a risca por todos. Muitas vezes esses seres ainda se vangloriam dizendo dispensar comentários contrários ao seu.
Humildade. Como aprecio essa palavra. Deveria ser pré-requisito a todos os seres humanos. Pessoas humildes são, em sua maioria, pessoas que respeitam os outros. Humildade requer respeito ao outro. Como admiro pessoas que são realmente inteligentes, e realmente sabem muito de quase tudo na vida e ainda assim são humildes. Essas pessoas deveriam ser exemplos, inspiração. Me pergunto, pra que cuspir na cara dos outros toda a sua sabedoria, inteligência, conhecimento?
E o que mais me enjoa é que essas pessoas, na maioria das vezes, não são tão vividas quantos as humildes. Na maioria das vezes esses sabe-tudo adquirem seu conhecimento cercado das paredes de sua casa, do conforto do seu dinheiro, do seu carro, dos seus livros. Quem são esses conhecedores de tudo se, se quer viveram experiências de verdade? Se nem se permitiram sair da bolha em que vivem?
Ninguém, repito, ninguém tem o direito de achar saber mais que os outros, de achar que tem mais cultura que os outros, que é mais esperto, mais letrado, mais inteligente, mais nada. Ninguém sabe da vida de ninguém, essa é a verdade. Ninguém tem o direito de julgar ninguém pela casca sem saber o conteúdo. Como dizia aquela música dos Titãs: “cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”. Como achar-se melhor que alguém cujas experiências não se conhece?
As pessoas humildes não dão opiniões quando não solicitados, não palpitam sobre a sua vida ou suas escolhas quando bem entendem, não corrigem tudo o que você fala, não tem prazer em discordar de tudo ou quase tudo, não dissertam sobre teorias chatas e conceitos inúteis, não contam suas experiências como em uma competição, não analisam tudo e todos, não se sentem agredidas quando contrariadas ou indagadas de alguma coisa, não são exibidas, não são prepotentes e nem petulantes. Os sabe tudo são previsíveis, os humildes, surpreendentes.
Guilherme Ferreira
Você saberá que é amada...
♥ Você saberá que é amada quando ele te olhar com mais carinho do que desejo,com mais ternura do que paixão. Você saberá que é amada quando ele pedir mil desculpas por ter chegado atrasado você perceber nos olhos dele que ele está com o coração na mão. Você saberá que é amada quando ele não medir esforços para te ver para te agradar nem para demonstrar de todas as formas o quanto ele te adora e te quer bem. Você saberá que é amada quando mesmo que você sequer o esteja notando ele não pare de te rodear ansioso pra te encher de mimos e carinhos. Você saberá que é amada, enfim, quando ele ligar para você quando você menos esperar nem que seja apenas para ouvir tua voz
e te desejar um lindo dia... ♥
Augusto Branco
Postado no G+ por Rosa P
Decepção
"Uma decepção pode diminuir o tamanho
de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho
de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta
elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de
ações e reações, de expectativas e frustrações."
Martha Medeiros
domingo, 5 de outubro de 2014
Um bom conselho... Trilha espiritual, crise existencial e mais um monte de coisas
Eu sempre quis fazer uma viagem espiritual. Não tô falando de viagem alucinógena com cigarrinho de palha ou cogumelo do sol, tô falando de sair pra encontrar a natureza, ouvir o barulho que ela faz, sentir o vento no rosto, sentir o sol queimando a pele, sentir o silêncio do canto dos pássaros, e usar tudo isso pra pensar na vida. Sempre achei que tirar um tempo pra ficar em silêncio e meditar sobre meus problemas, minhas preocupações, minha vida, de uma forma geral, me traria algum tipo de resposta.
E como eu precisava de respostas, e ainda preciso! Venho passando por
uma fase difícil na minha vida, besteira pra alguns, mas difícil pra
mim, talvez seja coisa da idade ou um cansaço geral da minha vida
monótona, o fato é que eu precisava pensar sobre o que vinha
acontecendo, colocar minhas ideias no lugar, tentar entender o que
significava toda essa aflição. Não é de hoje que penso em sumir do mapa
num fim de semana qualquer e tentar entender quem eu realmente sou em
outro lugar.
Então, talvez, eu esteja passando por uma crise existencial ou coisa do
tipo, faz sentido. De todo modo, como eu não podia simplesmente
abandonar família, amigos e trabalho sem causar confusão, decidi que
precisava fazer uma espécie de retiro espiritual, uma trilha para o
autoconhecimento ou alguma coisa parecida. Não é nada do tipo auto-ajuda
de buteco ou comer-amar-rezar. Trata-se, simplesmente, de sair por aí,
sozinho, em busca de respostas, só você, a natureza, uma boa trilha
sonora e Deus.
Há pouco tempo li O Diário de Anne Frank - belíssimo e emocionante, todo
mundo deveria ler - e me identifiquei muito com algumas coisas que ela
diz lá. "O melhor remédio para os que sentem medo, solidão ou
infelicidade é ir para um lugar ao ar livre, onde possamos estar
sozinhos com o céu, a natureza e Deus. Só então a gente sente que tudo
está como deve estar". E é isso, faça simplesmente isso, a paz que isso
traz é incrível.
Queria fazer uma trilha digna de nota, ir naquelas paisagens de tv,
naquelas montanhas perto do nada, mas o din din tava curto e eu tive que
improvisar. Fui a um lugar perto de casa mesmo, num sábado de céu azul e
ensolarado, coloquei uma trilha sonora adequada - sabe aquelas músicas
que mexem com a gente, lá no fundo? então... - planejei cada lugar em
que passaria estrategicamente com uma música adequada também e fui
tirando fotos de cada lugar por qual passava pra que eu pudesse rever
mais tarde e nunca mais me esquecer que daquele dia tinha nascido uma
nova ordem de vida pra mim.
Sabe aquelas cenas de filme em que o personagem volta em algum lugar do
seu passado pra recuperar alguma lembrança perdida? Algum trauma? Eu fiz
isso. E recomendo muito que você também o faça. É uma experiência
dolorosa, mas enriquecedora. Foi como se eu tivesse ido e lá dito "Ei!
Olha, isso aqui aconteceu a muito tempo atrás, não preciso mais viver
baseado nisso, acabou, eu superei." Depois virei as costas e fui embora
como se alguma coisa que eu não quisesse mais tivesse ficado lá,
finalmente.
Quando fiquei sozinho, parei um pouco pra meditar, pensar nas coisas que
me afligiam, no porque de as coisas estarem assim, no porque de tudo.
Claro, não tive respostas ali e acho que ainda não as tenho, mas é como
se, de alguma forma, eu tivesse arrumado um monte de coisas que estavam
desorganizadas dentro de mim. Como se tivesse um quebra cabeça todo
desarrumado e esse processo colocou todas as peças no lugar. Não sei
explicar, só sei que sinto a leveza até hoje, quase um mês depois. Fora
que, eu tive o privilégio de ver, sozinho, o sol indo embora no fim da
tarde, putz, não tem coisa mais linda que isso.
Então, acho que essa trilha funcionou de alguma forma pra mim. Estou
mais focado, confiante, conformado, sei lá. Sempre quis fazer e nunca
tinha feito, ficava adiando, deixando pra depois, se soubesse que faria
tão bem já teria feito a mais tempo. Muitas vezes a gente tem ao menos
uma parte das respostas necessárias bem ali, mas não enxergamos. Se tem
alguma coisa que você queira muito fazer, que acha que vai trazer alívio,
pare de enrolar e faça. Minha próxima meta é fazer meditação. Depois
volto pra contar.
Guilherme Ferreira
Guilherme Ferreira
Prazos e processos de uma alma
Pensamos conhecer alguma coisa, acreditamos saber, mas quem pensa que sabe, se ilude.
Não conhecemos todas as etapas, sequer enxergamos todas as pontas do fio que conecta, amarra aqui, solta ali, afrouxa, aperta, costurando muitas vezes em uma vida inteira, um caminho absolutamente individual de percepção da realidade, de aprendizado e crescimento.
Qual de nós conhece o próprios processos? Quem tem plena consciência dos significados de cada etapa? Não apenas as que representaram marcos em nossa existência, mas também, e principalmente, as do cotidiano, as pequenas pedras, os desequilíbrios que não chegaram a virar tropeções; sinais, coisinhas do dia a dia que, no seu tempo, contribuiriam para que lá adiante finalmente enxergássemos algo importante?
Ora, se poucas vezes conseguimos projetar consciência em nossos próprios processos, o que dirá os processos de quem pouco ou nada conhecemos? Será que de fato estamos aptos a determinar cortes, caminhos, desfechos, vaticínios, interferências na construção de uma alma, julgando, tentando apressar as coisas, acusando quem quer que seja de cego?
Antes de tirar a lasquinha do olho do outro, retiremos o galho fincado no nosso.
Cada alma tem seus caminhos, cada caminho seus processos, cada processo seus prazos. Cabe a nós amarmos em simplicidade, mantendo a humildade de eternos aprendizes, conscientes de que nenhum de nós jamais saberá quando o processo iniciou, tampouco quando terminará.
Ainda que alguns se proponham a ensinar, ensine como quem compartilha o pouco que sabe. Ninguém é mestre de fato, ninguém é dono de nada, somos sim, todos, pequenas centelhas, vagalumezinhos que refletem uma luz que não é propriedade exclusiva, conectados, experimentando nesse corpo o privilégio de sermos humanos e aprendermos a amar em simplicidade e verdade.
Caminhemos juntos, ajudando uns aos outros. O que passar disso é presunção, desnecessária e cruel.
Flavio Siqueira
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
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