sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como encontrar e onde está a consciência?


Do meu irmão Leonardo Siqueira:
Como encontrar e onde está a consciência?
Tenho uma sensação muito clara do encapsulamento religioso entre os que dependem de referências objetivas para aspectos metafísicos, tentando visualizar e entender algo que vai além.
Caminhos e apontamentos, passos e direcionamentos são atitudes influenciadoras que esbarram sempre no efeito e jamais na causa.
Concordo com a definição de Jung ao afirmar que os pensamentos orientais são introvertidos, isto é, de dentro pra fora, enquanto os ocidentais são extrovertidos… logo, é imprescindível (e disso derivam os paradoxos insolúveis da filosofia ocidental) categorizar, com métricas e fórmulas, matematizando arbitrariamente o indefinível.
Muito se fala em consciência expandida, no entanto como se expande o que já é harmoniosamente integralista e absoluto?
A consciência que se expande não é senão uma fração dela própria… a total, que não se expande, não se alcança, já está. É indelevelmente intrínseca, indissociável da existência, portanto “a chegada” e “o alcançar” nada mais são que jogos intelectuais que, sem a profunda e adequada observação, não percebem a ilusão do caminho.
Não há o alcançar e sim o permanecer no essencial.
É limpar-se do tanto que está impedindo o Ser de ser o que é, fragmentado, dividido, rotulado e, por consequência, limitando o que, em essência, é vasto e ilimitado.
Imagine a seguinte história … dois amigos, A e B. O A, muito rico, acumulou uma enorme quantidade de metais preciosos e não conta à sua esposa pois a considera perdulária. Sendo assim, confessa ao B que guarda este enorme tesouro e, caso algo o aconteça, que revele à sua família os bens que têm.
O amigo B viaja e passa anos fora… um dia, ao retornar, encontra a esposa do A mendigando nas ruas, com seus filhos ao lado… ao questioná-la, escuta que o seu marido (A) morreu faz alguns anos… agora estão sem nada e têm apenas a casa que moram.
Incomodado, B irá revelar o tesouro guardado. Por mais que esta história termine, começam algumas análises:
Caso ele revele e ela não acredite, permanecerá como está, ainda que, logicamente, seja extremamente rica…
Assim, a riqueza está na posse ou na consciência?
Um animal, que tenha se apossado do “pote precioso”, usufruirá de seu valor?
Se você entender estas análises de forma conceitual, permanecerá onde sempre esteve e não poderá, jamais, possuir o tesouro.
Se, ao contrário, se conscientizar desta realidade, será como confiar na indicação do amigo B e encontrará a preciosidade que sempre teve dentro de casa, local que você, jamais, pôde, de fato, sair.
Traçar planos, estabelecer metas e procurar pontos de encontros da verdade não irão à sua quintessência já que ela é permanente movimento.
Não estando em parte alguma, ainda que seja o total, é fluxo constante, manifestada em cada um, sem que cada um tenha a sua posse.
É uma roda onde o núcleo está em toda parte e a periferia em parte alguma…

Flavio Siqueira

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