terça-feira, 23 de setembro de 2014

Despedida é uma palavra que não deveria existir no dicionário de quem ama.


Despedida é uma palavra que não deveria existir no dicionário de quem ama. É triste ter que dizer adeus as pessoas que marcam nossa história. Muito mais triste ainda é saber que nunca mais veremos este certo alguém. A morte continua sendo uma grande interrogação. Não sabemos o que vem depois, mas sabemos que ela existe. Todo mundo já passou pela experiência de ter que se despedir para sempre de um amigo ou de um parente. A dor da partida é inexplicável. Parece que um pedaço de nós é “enterrado” com o falecido. Saber que “nunca” mais veremos esta pessoa enche nossa alma de um profundo desespero. É normal chorar a perda de quem amamos. Jesus chorou quando seu amigo Lázaro morreu. O que não pode acontecer (e acontece em muitos casos) é viver como se também estivesse morto, ou seja, viver um luto eterno. A dor deve dar espaço à conformação. Levar uma vida querendo “ressuscitar” quem se foi é assinar um contrato com a infelicidade. Chore quando for preciso. Acenda velas se você acredita nisso. Reze pela pessoa. Mande celebrar missas. Faça tudo o que a sua consciência pedir (bem, nem tudo: conheço uma pessoa que ia “conversar” todos os dias com o falecido (!)), mas não se permita estagnar diante da perda de alguém. Você continua vivo e seus sonhos não podem ser enterrados junto com a pessoa. O maior “presente” que podemos dar a quem se foi é vivermos bem a vida que ainda nos resta. Quem quer morrer bem deve viver bem. Temos medo da morte e por isso vivemos “fugindo” dela, fingindo que ela não existe. Quem consegue encará-la de frente sabe superar qualquer perda porque entende a dinâmica da vida: por mais que nos esforcemos para não deixar este mundo, mais cedo ou mais tarde teremos que “experimentar” o descanso eterno. E quando este dia chegar, tomara que tenhamos do que nos orgulhar.
 
Paulo Franklin
 
Texto retirado do site:http://www.textolivre.com.br