segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O MUNDO INVISÍVEL DE UMA MULHER - Página 4

As dores aumentando, pedimos ao médico ajuda, ele precisava descansar e eu também. Fomos juntos ao hospital, ele queria vê-lo, conversamos, contamos tudo o que estava acontecendo e ele nos deu uma receita de um sedativo... Chorando falei que não ia  adiantar, eu já conheço as reações só vai deixa-lo mais agitado. Ele respondeu que fazia cirurgias com o uso daquele medicamento. Sem ter mais como argumentar, afinal de contas ele era o médico, passamos na farmácia, compramos e fomos para casa. Como sempre respeitando os horários aguardei o tempo certo para medica-lo, como eu previa, não fez efeito, e pra ser sincera piorou a minha situação, pois ele realmente ficou mais agitado.
Eu a esta altura sem forças, contratei nesta noite uma pessoa para me ajudar, pois temia desmaiar, meu corpo exausto já não aguentava mais. E mais uma noite passamos em claro, tentei me esconder, coloquei um travesseiro debaixo da mesa e deitei, enquanto a moça fazia companhia e conversava com ele, ele perguntava e chamava por mim. Eu, em lágrimas sai de onde me escondia o abracei e disse: eu estou aqui. Vejo os olhos dele agora brilhando quando me viu. A cena se repete em minha memória.
O dia amanhecendo e a dor piorando, neste dia a dor era no peito, exatamente onde estava o aparelho da quimioterapia. Ele gritava, eu entrei em pânico sem conseguir ligar para o médico, desesperada acabei conseguindo e ele mandou que eu o internasse imediatamente. Chamei um táxi, eu não dirigia, ele já não conseguia mais andar, agressivo, efeito do remédio, demos entrada no pronto socorro e levaram-no direto para a UTI, eu aguardava sentada no jardim. Horas depois uma médica saiu da sala e disse-me: “fizemos tudo o que podíamos, agora está nas mãos de Deus”. Lembro que liguei pra minha irmã e a única coisa que eu conseguia dizer era, ele está morrendo...
Horas se passaram, ele começou a reagir, algumas vezes eu levantava e ia até a porta, com as entradas e saídas dos médicos, parecia uma cena de um filme, vi quando tentavam reanima-lo com choques.
A eternidade bateu em minha porta naquele momento, eu ainda não conhecia o sentido real dessa palavra.
Ele reagiu, mas quando subiram as máquinas o acompanhou, ele apenas mudou de quarto. Internado na UTI Cardiológica, ficando lá vinte e poucos dias, foi quando a irmã dele, o cunhado e a minha irmã vieram ficar comigo.
Já não sabia que dia era da semana, do mês nem em sonho, pude deitar o meu corpo.
Os horários das visitas eram controlados e eu sentia uma grande tristeza ao deixa-lo, e ao mesmo tempo alívio, pois eu já não aguentava mais o nosso sofrimento... Sim, não tenha duvidas, literalmente morremos juntos.
Um dia no final da nossa visita, o médico chefe do plantão me chamou e disse que eu teria que tomar uma decisão, teria que escolher um dos dois procedimentos, pois ele não sairia mais de lá. A Traqueostomia ou a intubação, o chão desapareceu debaixo dos meus pés, não sabia o que fazer, chamei a minha irmã e a minha cunhada e fui atrás do médico dele, quando entrei na sala, ele já estava me esperando e sabia o que estava acontecendo, nos perguntou o que tínhamos resolvido... fiquei muda, e a minha cunhada respondeu, Rosinha que tem que decidir ( é assim que ela me chama), é a mulher dele. Não podemos jogar esse peso nas costas dela, ele disse e continuou,  ela não tem que decidir nada, mas como é ela quem mais o conhece aqui, ela vai me dizer qual era a vontade dele. E a imagem me veio, de quando estávamos indo para o escritório, ele não mais falou em ser enterrado no túmulo da minha família, com os olhos lacrimejando,  ele me disse: não me deixe dependendo de máquinas para viver e por último, tenho medo de ser enterrado vivo, benhê posso te pedir mais uma coisa? Deve ser caro, mas se eu morrer você me crema? Retornei das minhas lembranças, e a decisão já estava tomada, seda-lo e esperar o momento, num ato de desespero perguntei, Doutor mas Deus ainda pode fazer um milagre não pode? Ele respondeu,  sim, nós é que nada mais podemos fazer, mas Ele pode tudo.
Dia 24 de setembro de 2013, eu já não tinha mais forças, já não suportava vê-lo daquela maneira, mesmo sedado conversava com ele, lágrimas caiam me dando a certeza que ele me ouvia enquanto eu dizia, benhê, nossa história não acabou, e nem acabará aqui.
Neste dia desci, tirei um café na máquina e sentei no chão em frente ao pronto socorro do hospital, acendi um cigarro e ali começou a minha conversa com Deus, onde questionei o seu amor, será que Ele não enxergava o sofrimento desse filho que Ele tanto amava? Se enxergava e amava por que deixa-lo daquela maneira, se era por minha causa e por causa dos meus pedidos, eu estava abrindo mão, em voz alta disse, chega, pode levar...
No dia 25 chegamos mais cedo para a visita, mas não aconteceu, já me aguardavam médicos, psicólogo, levaram-me para uma sala e me disseram a hora do óbito e como aconteceu. Não ouvi uma palavra, apenas lembrei do fato do dia anterior, da nossa conversa, sim, eu e Deus, pensei, foi um monólogo, mas Ele me ouviu...



Página 4

domingo, 4 de outubro de 2015

The most beautiful love story I have ever seen

My friend, let me bring your love story and dedication to my blog, thrilled me when I read, you know exactly what I went through and I will not deny, I would pass over again. As our renunciations ... I think this is the only way to love what we know.

God bless You


Ohh +Rosa Soares​​, I truly understand what you went and are going through. Being a care giver for a love one is one of the hardest thing to be do. Yet, it is also one of the most rewarding. 
I was the care giver for my husband for 10 years. He did not have Cancer but had multitude of other medical issues which ultimately led to End Stage Renal Failure. As a paraplegic from the age of 17 he had led a very successful and full life. We met and fell in love when I was 16 and he was 20. Becoming this ill after living an active life was frustrating to him. 
I had promised him that I would never allow a stranger to care for him and that is a promise I never broke. I learned how to do every procedure that needed to be done including taking care of a colostomy and learning how to straight cath and eventually change a 24/7 catheter every 4 weeks.
I learned how to treat, change, and re-dress wounds. We became great partners in his care. He knew I would never break my promise so he helped as much as he could in making it easier for me. 
He continued to work until the last 4 years of his life. We continued to travel, go to high school sports and carry on with extended family events. Even 2 months before his passing we were watching our great niece competing in State Track events and attending her high school graduation. 
The final month he bravely got up every day, shaved and tried to carry on a fairly normal life. The last day he advised me he thought he would stay in bed. So our closest friends spent the day with him while I took care of personal business. We all had dinner together that night. They remained until late in the evening. 
I changed his dressings and we joked about a TV show we were half listening too. Around 2 a.m. I sat down next to the bed and listened to his breathing. At 3 a.m my best friend, lover, true love, husband and soul mate went Home. We had been a part of each other's lives, from the night we met until the night he passed away, for 50 years, 5 months, 7 days.
Being able to provide for his nursing care was one of the most satisfying part of our long term relationship. He has been gone for 3 years and 2 1/2 months. I know he is riding his horse that he had before being hurt at 17, playing football and maybe flying the planes he so wanted to be able to before the accident.
Rosa you have not said whether your love one is still going through treatment. If he is God Speed. And God Bless you for taking on the care of your love one. It takes a special person with a very kind soul to take on this responsibility. My thoughts and prayers are with you.

Diana Ewing

O MUNDO INVISÍVEL DE UMA MULHER - Página 3

Em abril do mesmo ano, tínhamos acabado de almoçar juntos, como disse no início, não desgrudávamos para nada, eu subi para voltar ao trabalho, que por sinal era uma jornada de quase 12 horas diárias, com parada de 15, 20 minutos para o almoço, e ele ficou no playground conversando e fumando, era o momento relax dele.
Algum tempo depois, quando ele voltou, precisando de ajuda, era ele desta vez que estava sentindo o que senti.
Meu coração apertou algo está errado... Muito errado, pensei. O chamei para consultar o mesmo médico plantonista que cuidou de mim, no Hospital Evangélico. E assim fizemos, consulta normal, mesmos exames, ecocardiograma, e tudo feito dentro do hospital, mas ao retornamos com os resultados, analisando o de sangue, o médico pediu outros, inclusive um raio-X do pulmão, algo me dizia que tinha pressa, precisávamos correr.
No raio-X, apareceu uma mancha no pulmão do lado direito e mandaram que procurássemos um pneumologista, e o inferno começou... Depois de tomografias computadorizadas e biopsias detectou o câncer, mas a célula apresentada não era uma célula proveniente do pulmão, e onde estaria este tumor? No cérebro já havia 18 metástases e de acordo com o médico oncologista, a mancha apresentada na radiografia do pulmão também era uma metástase.
É tão difícil falar sobre isso... Sempre tenho que parar...
Passamos um bom tempo no hospital, as metástases no cérebro já haviam atingido os seus movimentos e a pressão do mesmo deveria ser controlada com medicamentos. Vários exames foram feitos, até aonde elas haviam se espalhado? Durante este período tivemos a companhia de familiares, da minha parte, minha irmã, da parte dele contra sua vontade o seu filho, depois de alguns acontecimentos entendi o porquê, mas não quero e nem vou entrar em detalhes, por amor a uma pessoa que eu nunca machucaria com minhas palavras nem revelações.
Passamos momentos felizes dentro daquele quarto, por incrível que pareça, precisávamos manter nossa fé e nossa esperança,  sorrindo, esse foi o único modo que encontrei para manter essas duas chamas acesas. Lá encontramos o Sr Raimundo, logo fizemos amizade. Sempre que eu chegava tinha que dar um beijo na testa dele, depois eu ia beijar minha vida.
Eu e minha irmã, nós duas cuidávamos dos dois, eles precisavam de ajuda para ir ao banheiro, tirar os talheres das embalagens... Nosso quarto era o mais visitado e muitas vezes as enfermeiras chegavam à porta para nos dizer que seriam forçadas a nos pedir pra sair, tamanha algazarra... (risos).
Ele não sabia tudo o que estava acontecendo dentro dele, escondi algumas informações. Louco para vir pra casa, até que o médico deu alta, Sr Raimundo já havia saído, uns dois dias antes.
Não pude ir busca-lo, estava no escritório, às contas venciam e eu precisava cuidar destes detalhes, a minha maior preocupação era pagar o plano de saúde, se com ele estávamos enfrentando tantos problemas, imagina sem ele, e fazer o depósito na conta da sua ex-mulher, ele a ajudava, de vez em quando chegava emails pedindo para não esquecer pois a prestação do carro estava para vencer, a separação dele foi complicada, litigioso, chegou aqui em Salvador com trinta reais no bolso,  mas mesmo assim ele nunca deixou de ajudar a família, mas Deus botou uma pessoa maravilhosa no caminho dele, e eu sei que ele a amou demais, falamos sobre isso depois.
Voltando ao assunto, quando minha irmã ligou, pedindo que eu fosse pra casa, o filho dele o entregou o laudo médico na porta do hospital, foi neste dia que ele ficou sabendo de fato o que estava acontecendo, de toda a verdade, não entendi o que houve, o porquê de tamanha crueldade. Saí correndo e peguei um táxi, foi ele segurando nas paredes para se apoiar quem abriu a porta pra mim, com os olhos cheios de lágrimas , me disse: Você sabia? O abracei e respondi que sim... eu sabia, e mais uma vez outra pergunta, como você estava aguentando tudo isso? Olhando dentro dos olhos dele sem enxergar, pois também chorava, respondi... FÉ.
E falando em fé lembrei, quando ele saiu da sala de cirurgia, no dia da biopsia, ele me contou muito emocionado que esteve no colo de Jesus com detalhes, e que aquele dia dos 60 anos de vida que ia fazer, tinha sido o dia mais feliz da vida dele, e que eu não entenderia por mais que tentasse explicar. Isso criou uma tremenda confusão, eu acreditei que ele viveu o que me contou e o filho dizia que foi efeito de drogas me levando a questionar o médico, eu queria respostas, e confirmar minha certeza. Ele não havia tomado nenhum tipo de droga, a anestesia para o procedimento foi local, e o médico ainda acrescentou, que não podia falar pra todo mundo, mas que ele não tinha dúvida que tudo aconteceu exatamente como ele havia me contado.
Fiz de tudo para convencê-lo a se tratar em São Paulo, lá poderia ter mais recursos, sei lá um milagre... Mas ele foi radical chorando falou... Não, por favor, não deixe ninguém me tirar de perto de você... Sem você eu morro.
Agora só tínhamos nós dois, e precisávamos começar o tratamento da quimioterapia e radioterapia, a radioterapia fizemos umas três seções, aguardávamos o plano de saúde liberar os medicamentos da quimioterapia. Já havia sido feita a cirurgia para implantar um cateter, um tubo especial que é inserido numa veia maior para facilitar o tratamento quimioterápico, evitando punções repetidas para conseguir acertar uma veia. Fizemos apenas uma seção.
Em casa, com horários rígidos para tomar os medicamentos foi difícil, eu tinha que continuar o trabalho no escritório, o mundo não parou... Não? Eu achava que devia, mas não parou. Acordava às quatro da manhã para estar lá no máximo as seis, antes de meio dia precisava retornar para aprontar o almoço, e mesmo que eu tivesse alguém para me ajudar, ele não queria comer, esperava por mim. E as coisas foram se complicando, cada dia ficava pior para nós. Ele não conseguia comer, beber água, dormir, sentia muitas dores, vinte e quatro horas ele me chamava... benhê... Essa palavra soou aos meus ouvidos ainda por um bom tempo depois.
Vinte e três dias sem conseguir dormir, muito inquieto, com os movimentos dos braços e pernas comprometidos, eu receava deixa-lo só e acontecer um incidente agravando a nossa situação.
A dor aumenta na medida em que descrevo o que vivi. Um filme de longa metragem com cenas detalhadas é o que vejo agora, dói , acabo pulando detalhes para não piorar e desistir... Preciso continuar.

Assim, sem dormir, sem me alimentar, estava morrendo junto com ele, mas eu não perdia a fé, achava ser merecedora de um milagre, afinal de contas durante quase oito anos abri mão de ser mulher por amor, ele era minha vida. Como uma história dessa poderia terminar assim?

Página 3

sábado, 3 de outubro de 2015

O MUNDO INVISÍVEL DE UMA MULHER - Página 2

Nasci em uma família católica, fui batizada, fiz catecismo, participei do grupo de jovens, JUC – Juventude Unida a Cristo, sempre busquei na fé resolver meus problemas, mas ela não era tão grande, sem contar que sempre fui muito questionadora, e nunca aceitei ou entendi o amor de Deus, isso pra mim sempre foi um grande problema.
Ele poderoso, distante, disposto a castigar, naquela época achava que Ele sentia prazer nisso, pois não conseguia explicar a dor e o sofrimento de tantos, quanta perfeição em um, quantas estrelas, e em outros, nada, que Pai era esse? Isso vai mudar com o tempo... Hoje digo nosso Pai nunca erra.
Tive dois relacionamentos, durou oito anos cada um, nunca fui namoradeira, gostava de festas, dançar, beber, como qualquer jovem, mas nunca fui de beijar por beijar, sempre tive esse jeito, colocando o amor acima de tudo... E por esse motivo, me isolei, durante quatro anos, me tranquei em meu quarto, parei de sair, apenas trabalhava, cumpria minhas obrigações em casa e voltava a me isolar... essa era a minha vida. A internet nessa época já me "ajudava". Não existia Facebook, G+, mas havia salas de bate papo nos sites provedores, o meu era o ZAZ, depois mudou o nome para Terra. Conheci pessoas maravilhosas, adorava participar de uma sala de aula de Inglês, o nosso professor era o Biloo, canadense e um ser humano maravilhoso, sabia por ordem no galinheiro ( risos) ai de quem falasse sem levantar a mãozinha.  
Em 2004 conheci meu marido, fiquei meio confusa quanto ao ano, perdi todos os arquivos quando sai da minha cidade para morar com ele... Principalmente nossas conversas. Um dia perguntei a ele como me encontrou, e ele sorriu e falou não lembro, eu imaginei que teria sido em um site de relacionamentos, tudo aconteceu tão rápido, sentia nele uma pressa de ser feliz ou uma necessidade de matar uma dor, não sei explicar.
Em um dia me mandou um e-mail pedindo meu telefone, nesse mesmo dia nos falamos e no final de semana seguinte estava ele parado na porta da minha casa, passamos o dia conversando, sorrindo, sentados em um restaurante, embaixo de árvores e tomando refrigerantes. Foi um dia especial, voltei para casa me sentindo leve.
À noite, como um cavalheiro foi me buscar, abriu a porta do carro com tanta delicadeza e cuidado, nós saímos para jantar, parecíamos duas crianças, e mais uma vez sem faltar assunto, passamos mais algumas horas juntos. E assim foi o meu final de semana, maravilhoso!
Como morávamos em cidades diferentes, a princípio ele ia todos os finais de semana ficar comigo e aos poucos foi conhecendo a minha família. Com o namoro oficializado, passei também a vir ao encontro dele, e isso durou mais ou menos um ano, até que quando dei por mim, a minha casa estava sendo visitada por nós dois.
Enquanto escrevia este texto, encontrei um e-mail impresso no meio das minhas coisas, apenas para confirmar, nos conhecemos em 2004 e com pouco tempo recebo quase que um pedido de casamento ( o e-mail que encontrei dizia):
Desculpe-me se às vezes sou insistente com você e escrevo nas entrelinhas... Vou tentar melhorar... Você já me conhece muito e sabe o que penso... Se às vezes falo demais em futuro, é porque meu coração transborda felicidade e anseia por estar junto a você. Nunca encare como pressão, mas como a expressão de alguém que a ama demais.
Como eu disse, não acho que nos conhecemos pouco. Acho que já conheço o suficiente de você para saber o quanto maravilhosa é, o quanto de amor tem para dar... E eu para retribuir. Somente o tempo trará certas respostas, mas não devemos temê-lo, acho que devemos saborear cada minuto de felicidade é nossa obrigação, e transformar cada minuto de incerteza, de espera, de angústia, em momentos maravilhosos de amor, de cumplicidade, de felicidade plena (lá vem eu de novo)... ehehehe.
Um grande beijo desse seu Edu.
E assim vivemos, inseparáveis, fazíamos tudo juntos, acordávamos, íamos trabalhar, lado a lado.
Durante quase 10 anos de convivência, parecia que tínhamos acabado de nos conhecer. Vivíamos sorrindo, ele era tudo o que eu precisava para dar sentido a minha vida, inclusive de deixar a minha amiga depressão enciumada, ao ponto de desaparecer sem deixar sequer um recado.

No início de 2013, eu não estava muito bem, me sentido tonta, uma sensação estranha e por insistência dele fui ao médico, diagnosticada e medicada, voltamos para casa, era apenas stress, olhando para trás, hoje me parece ter sido mais um aviso, e eu não consegui enxergar, algo me preparando para o que estava por vir.


Página 2

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O MUNDO INVISÍVEL DE UMA MULHER - Página 1

Como prometi, começa aqui a primeira página do livro da minha vida: O MUNDO INVISÍVEL DE UMA MULHER.
Espero me fazer entender, talvez quando tudo isso estiver acabado, eu não tenha mais motivos para ter uma vida virtual e até mesmo o blog e seja a hora de sair de cena... sinceramente não sei... eu ainda a estou escrevendo...

Precisarei voltar ao tempo para que entenda a minha história, principalmente o que diz respeito a minha fé, a ser quem sou e as descobertas que surgem a cada momento que as vendas dos meus olhos são retiradas...
Não sou escritora e nunca tive pretensão em ser, o que me levou a segurar esta caneta é algo muito mais forte que eu, não me prenderei a detalhes e na verdade não sei nem por onde começar... Apenas que preciso fazer. Os nossos caminhos nos levam a viver situações e as mesmas vão nos fazendo buscar forças... Enfim aqui começa.
Sou contadora, sempre tive mais intimidade com os números, as palavras nunca foram meu forte... Cheguei a imaginar que Ciências Contábeis fosse uma ciência exata, me assustei quando descobri que não era, e sim humanas, foi de fato um susto, mas não o bastante para me fazer desistir. (risos)
Estudei em escolas públicas, por minha opção, não quis dar mais uma despesa ao meu pai, que já pagava escola pra quatro. No primeiro ano básico teria que escolher o curso científico que iria me preparar para um vestibular, ou um curso técnico, e mais uma vez optei pelo o curso técnico, pois era o que a escola pública oferecia, passando a estudar a noite, adivinhem? Sim, Contabilidade. Também eu já tinha uma irmã que já estava na Universidade e ela fazia Ciências Contábeis, eu a admirava muito, e acredito que isso também influenciou a minha escolha Sempre gostei de estudar, nunca fiz recuperação, apesar de que algumas matérias me davam muito trabalho, eu não via os números nelas. Finalizando o terceiro ano do segundo grau, eu precisava ter pelo menos noção de algumas disciplinas, passei a fazer um cursinho pré-vestibular, extensivo, com seis meses queria saber como era, conhecer a prova tão temida e me inscrevi para prestar o vestibular, e por incrível que pareça, faltavam ainda seis meses para estar preparada, mas passei, e não foi sorte ou capacidade como muitos pensaram... Por que estou contando isso? Porque hoje entendo que o que eu falava fazia todo o sentido. Quando as pessoas vinham me dar parabéns, eu respondia, não fui eu, foi o meu Pai, dessa vez me referindo ao Nosso Pai, pois eu sabia que não era um mérito meu, fui escolhida a dedo e empurrada para dentro da UEFS – Universidade Estadual de Feira de Santana, uma prova concorrida, uma universidade pública e eu lá, fazendo parte deste novo mundo, eu tinha que ter no mínimo a humildade de reconhecer que de fato não era um mérito meu.
No Primeiro semestre correu tudo bem, como disse nunca fiz uma recuperação, mas a minha timidez me fez atrasar o curso, quando conheci no segundo semestre o meu professor de Contabilidade Comercial I – a forma como ele conduzia a aula não me agradava muito, teríamos que fazer um trabalho, mas independente do nosso desempenho, a nossa nota seria baseada na apresentação do mesmo, todos da equipe teriam que falar, não vi outra saída, abandonei, nem passou em minha cabeça em trancar a disciplina, apenas abandonei, fiquei muito chateada com as exigências, (risos) para minha timidez aquilo era um afronto, aquilo era demais.
Penúltimo semestre, sofremos um assalto dentro do ônibus, voltando para casa em torno das 23 horas, último ônibus, o engraçado é que às vezes tínhamos aulas que ultrapassavam este horário, chamada noite do sufoco, como voltar para casa? Mas Deus na sua misericórdia sempre dava um jeitinho, acabávamos arrumando uma carona. Nesta época tinha uma amiga inseparável e costumávamos passar por essas juntas. Para não desistir do curso, afinal de contas faltava só mais um semestre para acabar, resolvemos pedir ao namorado dela para ir nos buscar e ajudávamos com o combustível, o campus universitário era distante.
No ano de 1992 concluindo o curso, o meu pai falece, no dia 03/03/1992, câncer.
Não quis e nem tinha como participar das comemorações, mas não tive como fugir da entrega do diploma, eu fui obrigada a participar e não seria novidade dizer que foi um dos dias mais tristes da minha vida. Toda a minha luta, os meus sonhos, o motivo que me levou a chegar aonde cheguei já não se encontrava mais... Tudo bem Rosa, você ainda tem sua mãe e ela merece essa alegria, sei lá, acho que deve ter sido isso que passou em minha cabeça para esperar até o final e não sair correndo dali...
Minha adolescência foi como a de muitos, diferenciava apenas porque eu tinha outra amiga inseparável, não que eu quisesse, mas ela fazia questão de caminhar ao meu lado, a famosa depressão... Não gostava dela e estava disposta a não deixa-la envelhecer comigo. Uma amizade difícil de ser interrompida, mas consegui caminhar ao seu lado por um bom tempo, sem maiores problemas.
Sempre achei que não sou deste mundo, e a saudade e vontade de voltar para casa era tão grande, mas eu sabia que a passagem me custaria muito caro e eu não estava preparada para pagar, como até hoje, não estou.


Página 1

Amor...Essa dor não é só minha...

Essa dor no peito
Que chega a nos sufocar
Não é uma dor só minha
Eu já pude notar

Hoje eu não quero poesia
Pai, me ouve, e mata esse amor
É um apelo que  faço
Alivia de uma vez a minha dor

Tendo o mundo como testemunha
Eu te peço, me liberta
Não quero ser mais escrava...
... A minha morte é certa

Sofri... Vivi...
Ainda assim Pai, te agradeço
Me perdoa por ser fraca
Mas por esse amor.... eu padeço!

Te entrego a minha vida
Com toda a confiança
E eu sei que voltar pra casa
Para matar esse amor e aliviar minha dor 
Talvez seja a minha única esperança.

Rosa Soares




Somente o Senhor é a força do seu povo

1 Esta é a mensagem contra a Síria: “Damasco não será mais uma cidade; ela vai virar um montão de ruínas.
2 As cidades da Síria ficarão abandonadas para sempre; os rebanhos irão até lá para descansar, e ninguém os espantará dali.
3 As fortalezas de Israel serão destruídas, e a Síria deixará de ser um reino.
Os sírios que não forem mortos serão como o povo de Israel: eles viverão na miséria.
Sou eu, o Senhor Todo-Poderoso, quem está falando.
4 “Está chegando o dia em que Israel perderá todo o seu poder, e todas as suas riquezas acabarão. 5 Naquele dia, o país ficará parecido com um campo depois que todo o trigo foi colhido ou como o vale dos Gigantes depois de colhidas todas as espigas.
6 Mas umas poucas pessoas ficarão vivas, e Israel será como uma oliveira depois da colheita.
Depois que a oliveira é sacudida, ainda fica com duas ou três azeitonas nos galhos mais altos
ou umas quatro ou cinco nos galhos de baixo. Eu, o Senhor, o Deus de Israel, estou falando.”
7 Naquele dia, as pessoas olharão para o seu Criador a fim de pedir ajuda; todos se voltarão para o Santo Deus de Israel. 8 Não confiarão mais nos altares que eles construíram, nem nas imagens que eles mesmos fizeram, nem nos postes da deusa Aserá, nem nos altares de queimar incenso.
9 Naquele dia, as cidades protegidas por muralhas ficarão desertas como as cidades que os heveus e os amorreus abandonaram quando os israelitas invadiram a sua terra; tudo será arrasado.
10 Povo de Israel, vocês esqueceram o seu Deus, que os salvou, e não lembram mais do seu forte protetor. Vocês plantam jardins sagrados em honra dos deuses pagãos.
11 Mas ainda que as plantas desses jardins brotem e floresçam no mesmo dia em que forem plantadas, ainda assim não haverá colheitas nos campos quando chegar o dia de sofrimento e de dor sem cura.
A derrota dos inimigos
12 Escutem o barulho de muitas nações que se agitam e se revoltam; parece o rugido do mar,
parece o estrondo de ondas violentas.
13 Os povos rugem como o mar, mas Deus os repreenderá, e eles fugirão.
Serão como a palha que o vento leva pelos montes ou como o pó que a ventania espalha.
14 Ao pôr do sol, metem medo, mas de manhã já não existem mais.
É isso o que vai acontecer com os nossos inimigos, que arrasam a nossa terra e levam embora todos os nossos bens.

Comentário:

Estamos no capítulo 17/66, na terceira parte do livro de Isaías, na subparte “B”. Como temos dito, a época corresponde ao período entre 740 a.C e 686 a.C que se encontra detalhada em II Re 15:1 a 20:21, envolvendo os públicos de Israel e Judá.
Parte III – A RESPOSTA DE ISAÍAS AO JULGAMENTO ASSÍRIO – 7:1 – 39:8.
B. Levante internacional durante o julgamento assírio – 13:1 a 27:13.
1. Oráculos acerca de nações específicas – 13:1 ao 23:18.
Nessa seção “1”, como já dissemos, estamos apresentando as profecias (oráculos) de Isaías relativas às ações de Deus para com dez nações específicas que desempenharam papéis importantes durante o período do julgamento assírio.
Os oráculos também foram igualmente divididos em 10 partes, envolvendo, portanto, dez nações: a. Babilônia (Assíria) – 13:1 a 14:27 – já vista. b. Filístia – 14:28 – 32 – já vista. c. Moabe – 15:1 – 16:14 – já vista. d. Damasco – 17:1-14 – veremos agora. e. A Etiópia e o Egito – 18:1 – 20:6. f. Babilônia – 21:1-10. g. Edom – 21:11-12. h. Arábia – 21:13-17. i. Jerusalém – 22:1-25. j. Tiro – 23:1-18.
d. Damasco – 17:1-14.
Neste capítulo, veremos esse oráculo referente a Damasco - Capital da Síria e centro comercial das rotas de comércio da Mesopotâmia para o Egito e a Arábia - que faz alusão à resposta militar assíria à coalizão sírio-israelita em 734-732 a.C.
Foram nos dias de Peca que o rei da Assíria, Tiglate-Pileser III, tomou cativos a parte norte do reino de Israel: Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, e a Quedes, a Hazor, a Gileade, e a Galiléia, e a toda a terra de Naftali. Ele ainda saqueou a Síria e capturou a sua capital Damasco – 16:9. Damasco foi, portanto, tomada por Tiglate-Pileser III em 732 a.C.
As campanhas de Tiglate-Pileser III (738-732 a.C.)[1]
Em 745 a.C. Tiglate—Pileser III ascendeu ao trono da Assíria. Ele invadiu Israel e forçou o rei Menaém a renovar o pagamento do tributo (2Rs 15:17-23). Anos mais tarde, o rei assírio voltou a invadir Israel, tomou terras e cidades e exilou muitas pessoas.: (Para evitar problemas posteriores, os assírios tinham por hábito exilar os conquistados, estabelecendo-os em outro país).  
Era o começo do juízo de Deus em Israel que já estava diminuindo o seu território e população. - II Re 15 e também em Damasco, capital da Síria que se tornaria em um montão de ruínas com cidades abandonadas – vs 1 e 2.
A fortaleza de Efraim, do vs 3, as "cidades fortes" (vs. 9) de Israel foram severamente reduzidas em 732 a.C. e destruídas em 722 a.C. ( 9.1).
Os sobreviventes da Síria seriam extremamente raros, assim como minguaria a glória de Israel, ou seja, tudo o que tivesse restado seria mínimo em comparação com o antigo esplendor de Israel. (vs. 4).
O profeta move-se da Síria para o Reino do Norte de Israel, que havia se aliado fortemente com a Síria. As imagens são de um corpo subnutrido (vs. 4), ajuntamento de grãos (vs. 5) e as poucas azeitonas que restam depois que a oliveira foi sacudida (vs. 6). Ou seja, o vendaval passou e somente deixou para trás o resto que não foi totalmente destruído.
Ainda assim – vs 6 – ficarão nele alguns rabiscos, os remanescentes de Deus, a oliveira purificada e sacudida. A igreja provada e aprovada. O vale dos Refains do vs 5 é um vale viçoso a sudoeste de Jerusalém; é o portal para Sefelá, ou planícies ocidentais (Is 15:8; 18:16; II Sm 5:.18,22; I Cr 14:9).
Será nesse tempo, difícil para os que sobreviverem e que agora são o resto do que sobrou e foi um dia, que atentará o homem para o seu Criador! O hebraico faz contraste entre a obra de Deus ("Criador", vs. 7) e os feitos dos seres humanos "obras... o que fizeram"; vs. 8).
As obras de Deus x as obras dos homens. Claro estaria que o homem iria valorizar as obras de seu Criador depois de tudo isso. Quanto às obras de suas mãos, essas envolviam suas ações devotadas a deusa Aserá, consorte de El, a qual era uma deusa cananeia da fertilidade; a adoração a essa deusa envolvia símbolos de fertilidade de bosques sagrados e postes ídolos (27:9; Êx 34:13; Dt 16:21; Jz 2:13).
O profeta fala de que o homem atentará para as obras do Criador e não para as do homem – vs. 7.
Precisamos nos dias atuais também atentarmos para as obras do Criador! Se continuarmos em nossas rebeldias e buscando a glória dos homens e sendo rebeldes, teremos de ser igualmente sacudidos até somente sobrar corpo subnutrido (vs. 4), ajuntamento de grãos (vs. 5) e poucas azeitonas que restam depois que a oliveira é sacudida (vs. 6).
Israel havia se afastado de Deus (Dt 4:9,23,31; 8:11,14,18-19; 25:19; 32:18), do Deus da sua salvação, do único Redentor (43:3; 49:26; 62:11), rocha e fortaleza. Somente o Senhor é a força do seu povo (25:4; 27.5) que nem se compara com soluções militares, políticas e religiosas como aqui fazem referência aos rituais cananeus de fertilidade – vs 10.
No verso 11, vemos, talvez, uma alusão à prática pagã de forçar o florescimento de plantas em vasos como parte de rituais de fertilidade. Ainda que desse tudo certo, como esperado, a colheita voaria no dia da angústia e das dores insofríveis.
Hodiernamente, os homens buscam soluções científicas para os seus problemas, mas nem sabem que podem estar criando verdadeiros monstros indomáveis em consequência. Esquecer-se de Deus em prol do conhecimento achando que dominamos a natureza do Criador é muito temerário.
Eu acho a ciência um braço de Deus enquanto ela buscar a verdade dos fatos e a explicação dos fenômenos e mesmo o domínio da natureza naquilo que for possível, mas descartar Deus do processo dessa busca é dar um tiro nos dois pé precisando caminhar em seguida.
A sentença estava decretada e Deus castigaria o Reino do Norte por meio dos assírios.
O poder destrutivo das nações que se uniam aos assírios em sua campanha militar (13.5) é comparado a águas revoltas do verso 12 e 13. Como rugem as muitas águas, assim rugiriam as nações, no entanto, Deus interviria e as repreenderia obrigando-as a fugir para bem longe.
Deus é soberano sobre as nações por isso que reina o Senhor e tremam os povos! Não temos que temer os que matam o corpo e nada podem mais fazer, mas devemos temer aquele que além de matar pode lançar no inferno tanto o corpo quanto a alma.
Vejamos a seguinte advertência de Lucas em seu evangelho:
Lucas 12:4 E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer.
Lucas 12:5 Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.
Lucas 12:6 Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis? E nenhum deles está esquecido diante de Deus.
Lucas 12:7 E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.
Lucas 12:8 E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus.
Lucas 12:9 Mas quem me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.
Nos versos de Lucas acima, vemos que Deus é soberano! Que Deus tem controle sobre todas as coisas! Que é a ele a quem devemos temer e não as nações, o inimigo, o diabo, o ladrão, as forças espirituais. Por isso que devemos – ordem divina, mandamento – confessar Jesus Cristo diante dos homens!
Israel, Judá, Síria, Damasco estavam se esquecendo e rejeitando o conhecimento do Santo, por isso que o mal os afligia e eles seriam devorados inteiros até somente sobrar o resto do resto, por pura graça e misericórdia de Deus.
Se fossem inteligentes e prestassem bem atenção, eles não precisariam temer os assírios que era como um mar revolto ou como um moderno tsunami de grau bem elevado, mas a Deus que controla todas as coisas.
Isaías enxergava tudo isso e pregava a palavra de Deus ao povo de Judá e aos de Damasco. O Senhor protegeria Judá punindo tantos os sírios quanto o Reino do Norte.

Daniel Deusdete