sábado, 23 de maio de 2015

TODOS MERECEM UMA SEGUNDA CHANCE


Existe algo com que mais convivemos em nossas vidas do que o erro? 
Talvez não. 
Todos nós, desde cedo, aprendemos a conviver com os erros que cometemos e com as consequências que estes trazem. 
É através deles que aprendemos a distinguir o que é certo do que é errado, o que podemos, e devemos, ou não fazer. 
É através desse eterno aprendizado, entre erros e acertos, que moldamos o nosso caráter, que vivemos as nossas vidas.
Todo acerto nos eleva, assim como todo erro tem uma consequência. 
Algumas são graves, outras nem tanto. 
O que elas têm em comum é que, independente da gravidade, de como se errou, das circunstancias que acarretaram em tal erro, todos merecem uma segunda chance.
Assim como convivemos ao longo de toda a nossa vida com os erros, por conta destes, aprendemos a sentir  o arrependimento.
Todos sentimos arrependimento por algo, por um erro que se cometeu, por algo que se fez ou que deixou de se fazer, por uma palavra dita ou por uma que se deixou passar. 
E quando nos damos conta do erro pelo ato cometido, ou pelo que se deixou de cometer, sentimos um gosto amargo na boca, uma respiração pesada, uma opressão no peito, uma vergonha.
Ao sentir o arrependimento, todos, independente de sexo, idade, cor, religião ou opção sexual, pedimos, por vezes até imploramos, por uma segunda chance, que é um direito inerente ao ser humano. 
Acho até que no Código do Ser Humano, a que estamos submetidos desde que nascemos até o último dia de nossas vidas, deveria ter um artigo específico sobre isso: erros, arrependimentos, segunda chance e acerto, nessa ordem.
No entanto, ante a complexidade do assunto, frente às circunstâncias, aos atenuantes de cada erro, é difícil se falar na segunda chance, pois esta envolve muito mais do que dois lados, o da pessoa que errou, arrependida, que “exige” a sua segunda chance, e o da segunda pessoa, vítima do erro, que tem em suas mãos a opção de perdoar ou não o erro, de dar ou não a merecida segunda chance.
A pessoa que sai de casa tem o direito de sentir saudade e arrepender-se, de pedir para voltar; o homem que trai, pode, em meio a traição, pensar não na pessoa que está, naquele momento, mas na que verdadeiramente ama, que está em sua casa, a esperá-lo; o filho que, num ato de rebeldia, briga com os pais, tem o direito de, no final do dia, voltar para casa e desculpar-se com um abraço apertado e dizer que não mais vai voltar a agir daquela maneira; uma pessoa que fala sem pensar pode, antes do final da frase, utilizar-se de seus conhecimentos linguísticos e dar um novo rumo ao que estava dizendo ou simplesmente terminar a conversa com um “desculpe pelo que disse”; uma outra, que não falou o que deveria, por medo ou insegurança, sempre pode inflar o peito e proferir aos quatro cantos do mundo a palavra, sempre pode correr atrás do tempo perdido e aceitar todas as consequências. 
Errar é humano, arrepender-se é natural, pedir uma segunda chance é sinal de humildade. 
Mas tudo isso só é possível, só se fecha o ciclo, com a palavra d o segundo humano, que, nesse caso, passa a ser não humano, mas adquire proporções verdadeiramente divinas, pois está em suas mãos o poder, que lhe é concedido, de dar essa segunda chance, o poder de perdoar o erro cometido.
Não existe ser humano perfeito. 
Fomos feitos imperfeitos em nossa essência, e talvez por isso, por essa consciência de imperfeição, tanto a buscamos. 
Talvez um dia possamos, se não alcançá-la, pelo menos nos tornar mais humanos, possamos nos tornar melhores, não só para nós mesmos, mas principalmente para os outros. 
E como podemos continuar nessa busca? 
Simples: vivendo, errando, nos arrependendo, pedindo perdão, sendo perdoados, mas, acima de tudo, também perdoando. 
Sempre, a vida tem dois lados, e da mesma forma que erramos e pedimos perdão, num momento seguinte somos a vítima do erro e nos é pedido esse perdão. 
Afinal de contas, nada mais humano do que ter e ser os dois lados, do que ser perdoado, mas também perdoar.
Experimente, viva, erre, saiba quando pedir uma segunda chance, quando pedir perdão, mas saiba, acima de tudo, quando dar essa segunda chance, quando perdoar. 
A vida é uma via de mão dupla. 
Pense nisso.

Preferi colocar esse novo ponto a título de comentário, e não no corpo do texto:
uma coisa, no entanto, é se dar uma segunda chance, uma outra, completamente diferente, e se viver a cometer, sempre, os mesmos erros, e se pedir, sempre, uma segunda chance. uma coisa é um homem que traiu uma vez sua esposa, que errou, e lhe pediu uma segunda chance, outra, completamente diferente, é o homem que vive a fazer isso, como se fosse uma coisa normal, que não se arrepende, que tanto faz se está indo com sua esposa, a quem diz amar, e com uma outra.
como se diz popularmente: errar é humano, mas se continuar no mesmo erro é burrice (tanto do que comete, intencionalmente, o erro, quanto do que "perdoa").

Lima Neto